Hábitos japoneses que os brasileiros poderiam adotar

Moro no Japão há 20 anos, mantenho minhas raízes bem brasileiras, mas no dia a dia, alguns hábitos japoneses foram incorporados ao meu cotidiano. E de tão rotineiro, nem tinha percebido que é um diferencial.
Só percebi o quão diferente esses hábitos são, quando recebi hoje, uma postagem, de um amigo brasileiro que visitou o Japão no ano passado, enaltecendo algumas atitudes dos japoneses, como algo extraordinário.
O primeiro hábito japonês que, para mim é primordial, e deveria ser adotado pelo povo brasileiro: tirar os sapatos ao entrar em casa. Aqui no Japão, em todas as casas, precisamos tirar os sapatos para adentrar. Além da questão higiênica, tem a explicação espiritual, que diz que todas as impurezas do mundo externo, não entrarão na minha casa, para não nos contaminarmos com o mal que vem de fora.
Além de que, não temos empregadas nem faxineiras, e isso facilita muito a nossa vida.
Outro hábito: fazer ginástica antes de iniciar o trabalho. O famoso rádio taisô. Todas as fábricas em que trabalhei tinha isso, confesso que no começo eu detestava, pois não sou muito fã de atividade física, mas reconheço que faz a diferença para iniciar um dia de trabalho puxado.
Ninguém joga lixo nas ruas. Esse hábito deveria ser praticado no Brasil. E muito! Detalhe: sem a desculpa de que não há lixeiras nas ruas, porque aqui no Japão também não tem! E o que os japoneses fazem? Levam o lixo para casa…
Para os japoneses, a forma correta de se jogar o lixo é uma questão de cidadania, isso vale para o lixo seletivo, separar corretamente o lixo também é um ato consciente. E por incrível que pareça, um dos maiores problemas que os brasileiros passam por aqui, diz respeito a esse tema: o lixo. O lixo é uma das maiores reclamações que os japoneses fazem dos brasileiros. Vamos pensar à respeito?
Próximo tema: o uso de máscaras. Todos os brasileiros que vêm passear ao Japão, eu disse TODOS, estranham o fato dos japoneses andarem de máscaras. E por que eles fazem isso? Medo de pegar alguma doença? Não. Muito pelo contrário. Pelo fato deles estarem gripados, ou tossindo, os japoneses recorrem às máscaras para não transmitirem o vírus para outras pessoas. Aí entra o outro hábito, que acho mais difícil do brasileiro praticar, mas é lindo! É o pensamento coletivo. Sempre pensando no próximo e na sociedade em primeiro lugar.
Outro hábito que, acho um pouco difícil de acontecer no Brasil, pelo pensamento do povo. Mas se realmente acontecesse, seria ótimo. Todos ajudam na limpeza. Não tem faxineiro na escola, não tem gari nas ruas, a maioria não tem empregada. A limpeza é feita por todos.
Os alunos das escolas é que são os responsáveis pela limpeza da escola. Bem como no ambiente de trabalho, trabalhei num centro de pesquisa, onde toda quarta-feira era o dia da faxina, e todos sem exceção participavam do mutirão da limpeza. Até o presidente da empresa!
O que muitos turistas me perguntam, e a gorjeta? Aqui não existe gorjeta. E nunca dê. Eles consideram ofensivo.
Ser pontual! Chegamos no ponto onde eu queria… Os brasileiros não são pontuais nunca! Jamais! E mesmo eu sendo brasileira, não entendo o fato dos brasileiros nunca respeitarem o horário. Já o Japão, é rigoroso demais, eles levam a sério a pontualidade. Tanto é que, a média de atraso do trem bala é de 13 segundos no ano! Acho que não precisa ser tanto, mas os brasileiros poderiam respeitar um pouco mais esse fator, não acham?
Cultura da prevenção. Esse hábito, acho que o Japão pratica não porque quer, mas sim por necessidade. Um país que tem terremoto, maremoto, tufão… constantemente e a todo momento, tem que se preparar para tal. Coisa que não existe na cultura brasileira. Os brasileiros agem com o coração e sentimento. E funciona muito bem também.
Enfim, o Japão Ee um país rico em tradições, disciplinas e regras. As vezes acho exagerado, mas é a característica deles, eu respeito.
Só quem veio e conheceu e vivenciou tudo isso, entende como pequenos gestos, podem gerar grandes transformações. Por que não começar pouco a pouco dentro de casa? Bem devagar, garanto que não dói. As próximas gerações poderão agradecer!

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