Gratidão e emoção marcam os 60 anos da Fundação Instituto Educacional Dona Michie Akama

(Aldo Shiguti)

Em clima de gratidão e emoção, a Fundação Instituto Educacional Dona Michie Akama realizou, no dia 21 de setembro, no Centro Educacional Pioneiro – do qual é mantenedora –, no bairro de Vila Clementino (zona Sul de São Paulo), cerimônia de comemoração dos seus 60 aos de existência.
Estiveram presentes membros do Conselho Curador, entre eles o presidente Paulo Guilherme Amaral de Toledo; da Diretoria Executiva, presidida por Fernando Nobuo Shiguemichi, professores, colaboradores e alunos, além do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; do promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo e Curador de Fundações do Estado, Airton Grazzioli; do general Akira Obara; da Supervisora de Ensino da Diretoria de Ensino Estadual Centro-Oeste da Secretaria Estadual de Educação, Solange Aparecida de Fátima, de Edson Akama (representando a família) e da diretoria Irma Akamine Hiray.
Na plateia, o diretor geral da Fundação Japão, Masaru Susaki; o representante-sênior da Jica (Japan International Cooperation Agency), Hiroshi Sato; o vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) e presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio; o presidente do Enkyo – Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, Akeo Yogui; o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Eduardo Yoshida; o presidente da Assistência Social Dom José Gaspar Ikoi-No-Sono, Sunao Sato e o presidente Associação Harmonia de Educação e Cultura, Tadayosi Wada.

Bruno Bonfim encantou o público com suz voz (Aldo Shiguti)

O grupo de taikô (tambores japoneses) do Nippon Country Club e uma belíssima apresentação do aluno Bruno Bonfim Bioza abrilhantaram a festa. Na ocasião, o ex-presidente da Diretoria Executiva, Katuoki Ishizuka, e o presidente do Conselho Curador, Paulo Guilherme Amaral Toledo, foram homenageados com a Medalha de Mérito Michie Akama. Também o vereador Aurélio Nomura, por intermédio de seu assessor parlamentar, Tomio Katsuragawa, homenageou o presidente do Conselho Curador e o presidente da Diretoria Executiva, Fernando Shiguemichi, com Voto de Júbilo e Congratulações e à Fundação Michie Akama com a entrega de uma placa.

Mesa com organizadores, convidados, autoridades e membros do Conselho Curador e da Diretoria (Aldo Shiguti)

História – Eleita uma das cem instituições mais importantes da comunidade nipo-brasileira, o Centro Educacional Pioneiro não parou de evoluir e hoje é uma referência no ensino. Para atingir o sucesso, porém, enfrentou e superou obstáculos. Parte desta história foi contada durante a cerimônia.

Paulo Guilherme Amaral Toledo (Aldo Shiguti)

Foi o próprio Paulo Guilherme Amaral Toledo que abriu a série de discursos lembrando que a Fundação foi criada há 60 anos por Dona Michie Akama com o intuito de contribuir para a causa da educação. “Dona Michie Akama era convicta que, apenas com educação de qualidade, baseada na defesa intransigente de valores éticos, no respeito ao próximo, ao trabalho e à família, é que se conseguiria construir em nosso país uma sociedade mais justa , mais igual e mais solidária. Foi com essa convicção que em 1971 ela criou a nossa escola, o Centro Educacional Pioneiro. E desde então são esses principios que guiam os rumos de nossa instituição”, destacou Toledo, que assim como os demais membros do Conselho Curador e da Diretoria Executiva, atuam de forma voluntária.

Corações e mentes – E ele concluiu sua fala afirmando que as convicções e ideais da fundadora continuam vivos na Fundação que leva o seu nome. “E mais do que isso, suas convicções e seus ideais estão eternizados nos corações e mentes de cada um dos jovens que como eu, como os meus irmãos e meus filhos tivemos oportunidade de estudar nesta escola incomparável. No meu caso e no caso dos meus irmãos, graças a bolsa de estudos recebida, fruto da infindável generosidade de Dona Michie. Esses 60 anos dão a certeza do sonho realizado e a convicção que o trabalho da nossa instituição irá prosseguir. Continuaremos com afinco ensinando a todos e preparando cada um”, disse Toledo, que ao Jornal Nippak explicou que o sonho de Dona Michie Akama era “possibilitar com que outras pessoas realizassem seus sonhos por meio de uma educação de qualidade e fundada em valores éticos e significativos”.

Cônsul e Edson Akama descerram a placa comemorativa (Aldo Shiguti)

Pessoa especial – Representando o Ministério Público, Airton Grazzioli fez um discurso eloquente no qual destacou a figura de Dona Michie Akama. “São 60 anos de um sonho que se concretizou certamente algumas décadas antes de 1959. Se percebe que Dona Michie Akama tinha no gene, tinha nas suas células, tinha no seu sangue a vontade de fazer o bem. Vontade que certamente todos nós temos, mas por certo nem todos nós temos a oportunidade e a proteção divina de fazermos o bem do tamanho que gostaríamos de fazer. E muitos poucos – e tão somente aqueles especiais – aqueles que vem com uma luz própria – certamente pela conferência do poder divino – conseguem lograr que a sua vontade de fazer o bem a quem precisa se estenda a sua própria existència material. E a gente percebe que a Dona Michie Akama é uma destas pessoas especiais”, disse Grazzioli, acrescentando que a “vida material” de Dona Michie Akama se foi, “como é natural”.
“Mas a sua causa, a sua vontade de fazer o bem e, especialmente fazer o bem a quem precisa nessas áreas relevantíssimas, que é a cultura e a educação, isto se perpetua no tempo. Ela plantou a semente, ela viu a árvore crescer, ela viu os primeiros frutos e as primeiras flores, mas ela se foi e a árvore continua firme, dando flores, dando frutos e, se bem tratada, ela se perpetuará no tempo”, discursou Grazziolli, para quem a causa defendida por Dona Michie Akama “tem que ser aplaudida de pé”.

Cônsul Yasushi Noguchi (Aldo Shiguti)

Orgulho – O cônsul Yasushi Noguchi também destacou a trajetória de luta da fundadora e explicou que, como cônsul, sente muito orgulho da contribuição de pessoas como Dona Michie Akama para melhorar o Brasil. “No Japão não temos recursos naturais, apenas recursos hmanos e a educação é fundamental. Não à toa, os inigrantes japoneses deram muita importância para a educação de seus filhos e acredito que essa educação possa melhorar ainda mais a relação entre os dois países”, afirmou Noguchi.

General Obara (Aldo Shiguti)

Para o General Obara, que revelou ao Jornal Nippak ter ficado impressionado com o trabalho desenvolvido na instituição – “ser professor(a) qualquer um pode ser, mas o diferencial do Pioneiro é que eles tem educadores” – “tudo começou quando Michie e Jiuji Akama acalentaram o sonho de vir para o Brasil”. “Mas não basta sonhar, eles transformaram o sonho em realidade”, disse Obara, que agradeceu a Deus por ter dado “força, coragem, determinação e, sobretudo, amor ao casal para que realizassem o sonho deles”

Irma Akamine (Aldo Shiguti)

Desafios – Já a diretora Irma Akamine destacou que, neste sábado, 28, acontece a Semana Cultural dos alunos do Centro Educacional Pioneiro cujo tema é “Cortando mares, costurando sonhos”, uma homenagem à fundadora que superou as mais diversas barreiras – pessoais, culturais e financeiras. “Será um evento carregado de emoção”, disse, afirmando que um fato que tem orgulho de citar foi Dona Michie Akama ter iniciado o Pioneiro aos 68 anos de idade. “Isto é mais do que inspirador para todos nós”, comentou Irma, que ao Nippak lembrou que teve oportunidade de conviver com a fundadora.
“Hoje, participar dos 60 anos da Fundação é a perpetuação de todo o legado dela. O desafio maior foi que, mesmo depois que ela deixou de estar à frente de tudo isso, nós tivemos condições e responsabilidade de manter tudo aquilo que ela idealizou. De alguma forma, como ela mesma dizia, a escola é de todos nós, mas é por todas estas pessoas que estão aqui hoje é que a gente consegue fazer com que a escola continue alçando novos voos. Acho que esse é o espírito que sempre esteve muito presente em Dona Michie, de não desistir nunca”, disse Irma, ainda bastante emocionada.

Fernando Shiguemichi (Aldo Shiguti)

Coube ao presidente da Diretoria Executiva, Fernando Shiguemichi, encerrar os discursos. Ele lembrou que em 2001 o Pioneiro completou o seu ciclo educacional básico anexando o ensino médio, “completando assim o seu sonho de Dona Michie Akama de levar os jovens atè a porta das universidades”.

Esperanças – “Conforme seu desejo, a escola nasceu como entidade sem fins lucrativos e desde então, motivado por este legado, os membros do Conselho Curador e da Diretoria Executiva atuaram e continuam atuando por esta instituição de forma voluntária. Essa combinação do voluntarismo e dos incentivos tributários, ainda que insatisfatórios para as entidades educacionais sem fins lucrativos, é que permitem, ainda que de uma maneira tímida, gerar limitados recuros para investimentos”.
E concluiu afirmando que “se de um um lado a educação básica privada desfruta de certos privilégios e forma uma elite brasileira, não poderia deixar de citar os sérios problemas que temos na educação pública, que no passado tiveram bons momentos, mas que degradou nas últimas décadas”. “Entendo que o país perdeu naquele momento a grande oportunidade de não ter consolidado um ciclo sustentável de investimento na educação. Mas sempre é tempo para mudar. Tenho esperanças que o país ainda possa repensar seriamente num projeto educacional verdadeiramente abrangente e que permita dar real oportunidade para as novas gerações de brasileiros e que por este caminho o país possa crescer de maneira ética, segura e sustentável”, finalizou Shiguemichi.

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