Expansão das exportações agrícolas para o Japão passa por avanços em acordos sanitários e fitossanitários

Jacyr Costa: “O Japão está entre os 10 principais parceiros” (Greg Gonzalez)

A recente viagem do presidente Jair Bolsonaro ao Japão coloca em foco a retomada de novo ciclo de parceria e negócios entre os dois países, com ênfase no setor agrícola, como já aconteceu no passado, mas ainda será preciso vencer alguns desafios de origem sanitária. “Embora o Brasil tenha uma participação relevante nas compras japonesas de carne de frango e café, não participamos ou a nossa participação é muito pequena no caso da carne suína, bovina, açúcar, frutas, milho, entre outros produtos. Para isso, precisamos avançar nos acordos sanitários e fitossanitários”. Esta é a opinião de Jacyr da Silva Costa Filho, Presidente do Cosag – Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, presidente do Comitê de Agroenergia da ABAG, e Conselheiro da UNICA – União da Agroindústria Canavieira, dentre várias atividades realizadas no setor agrícola. Jacyr já recebeu inclusive condecorações do Cavaleiro do Mérito Agrícola pelo governo da França, pelos serviços prestados à agricultura.
Jacyr enfatiza que o Japão está entre os 10 principais parceiros no comércio de bens e serviços e é o 5º maior investidor no Brasil. “Temos economias complementares e muito espaço para o incremento do comércio bilateral”, ressalta. O empresário destaca que o sucesso do Brasil como maior exportador líquido de alimentos para o mundo passa pelo Japão. “O programa de cooperação técnica nipo-brasileira para o desenvolvimento agrícola dos cerrados (Prodecer), iniciado em 1979, foi a base do desenvolvimento de regiões até então pouco expressivas na produção de grãos no País. O Cerrado brasileiro não era valorizado por suas características de solo, considerado até então “mais fracos” para as grandes culturas, mas que atualmente representa a nossa locomotiva na produção de soja, milho, algodão, entre outros. O Mato Grosso, por exemplo, passou a ser, desde o ano passado, o primeiro estado brasileiro no Valor Bruto da Produção Agropecuária”, enfatiza.

Jacto – Ele cita também a atuação das indústrias automobilísticas japonesas instaladas no Brasil, que têm oferecido um suporte fundamental para a ampliação e o desenvolvimento tecnológico do programa de combustíveis renováveis brasileiro com base no etanol, além das tradings, empresas do setor de alimentação e enzimas para nutrição animal. Por fim relembra o papel dos imigrantes japoneses no desenvolvimento agrícola brasileiro.
“Os imigrantes que aqui se instalaram deixaram uma marca na melhoria da qualidade e dos processos produtivos. Gosto de mencionar como um dos expoentes dessa mescla nipo-brasileira a família Nishimura, da Jacto, empresa que há décadas é reconhecida como referência na produção de equipamentos agrícolas, pela capacidade de inovar e criar soluções, mas também pela imensa contribuição na formação de pessoas para a nossa agricultura. Esse é apenas um dos vários exemplos dente tantos outros relevantes em nossa história’, finaliza.

(Mariuza Rodrigues, especial para o Jornal Nippak. E-mail: mariuzarodrigues2020@outlook.com.br)

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