ERIKA TAMURA: Tufão no Japão

Mais uma vez, venho aqui escrever sobre um desastre natural no Japão. Já perdi as contas de quantos terremotos, tufões, furacões, maremotos, já foram temas da minha coluna nesse jornal.
Enfim, passamos por mais um tufão nesse último fim de semana, o tufão Hagibis. O governo local, solta notas informativas atualizando as notícias sobre as consequências da passagem do tufão.
Nos dias 12 e 13 de outubro, eu tinha na minha agenda, dois eventos em que eu iria trabalhar. Os dois foram cancelados. Os trens em Tóquio, pararam de funcionar no sábado e só voltaram à normalidade na segunda feira.
Na sexta feira, dia 11, antes da chegada prevista do tufão, fui até uma loja de departamentos em Kanagawa, e me deparei com uma enorme fila para comprar pilhas e baterias para o celular. A loja até improvisou alguns caixas do lado de fora da loja, para agilizar no atendimento ao cliente.
Os postos de gasolina, estavam com filas quilométricas, os supermercados e lojas de conveniência, estavam com as prateleiras vazias.
Todo esse cenário, me remeteu ao pós tsunami de 2011, onde presenciei tudo isso, exatamente igual. Só com uma diferença, o tufão era ainda apenas uma previsão, não tinha acontecido ainda.
Enfim, voltei para casa e fiquei acompanhando o noticiário, e escutando o vento lá fora batendo na janela. Para piorar, um terremoto veio nos amedrontar antes do tufão. Nada de ruim aconteceu, ainda bem.
Os celulares não paravam de tocar, com o alerta emitido pelas prefeituras locais, avisando sobre as zonas de perigo, e a possibilidade de correr para um abrigo. Confesso que a cada alerta tocado, o susto é maior do que o barulho do vento do tufão.
Quando vejo na TV, Nagano está sob as águas… Os trens, rodovias, casas, tudo submerso devido a grande quantidade de chuva, a barragem do rio se rompeu, não aguentou o volume e a força das águas. Me deu até um calafrio, pois uma semana antes eu estava em Nagano, acompanhando o time de vôlei masculino do Brasil. Pois é, a cidade por onde passei estava alagada. Que tristeza…
Não foi somente em Nagano, no Japão todo 176 rios transbordaram. O resultado é, mais de 60 mortos (número que vem aumentando a cada dia), 15 desaparecidos e mais de 200 feridos.
Já escrevi isso uma vez, e vou escrever novamente, o Japão é um país que não tem paz! Pelo menos os fenômenos naturais não dão trégua nesse país.
O governo trabalha muito em cima de treinamentos para desastres naturais, e depois, trabalha mais ainda nos salvamentos de pessoas e reconstrução das áreas atingidas pelos fenômenos naturais. E é incrível a estrutura desse país.
Apesar de todos os alertas e previsões sobre o tufão que passou, alguns acidentes foram inevitáveis, como por exemplo, o transbordamento dos rios. Por isso, quem mora perto de rios, lagos e mar, todo o cuidado é pouco, e muitas vezes, deverão ser os primeiros a irem para o abrigo público em caso de chuvas torrenciais. Por mínimo que seja, cada detalhe deve ser levado em consideração.
Oremos pelas vítimas, mas não nos façamos de vítimas, nem tampouco propagar notícias falsas.
Tenho lido notícias sensacionalistas, com fotos do tsunami de 2011 referindo-se ao tufão dessa semana. Pessoal, bom senso e responsabilidade, por favor, nessa hora, não piore o que já está difícil!
Tenho família no Brasil, assim como a maioria dos brasileiros que vivem no Japão, que, quando lêem uma notícia exageradamente trágica, porém falsa, se preocupam, se desesperam, e posso garantir que muitos dramas estão sendo propagados sem fundamentos. Buscar a fonte real, e procurar saber da verdade, antes de esparramar a notícia, é questão de civilidade.

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