ERIKA TAMURA: Minha palestra

(Arquivo pessoal)
(Arquivo pessoal)

Fui convidada pelo Gaimusho (Ministério das Relações Exteriores do Japão) para dar uma palestra para um grupo de 20 pessoas.
É a segunda vez que ministro uma palestra a pedido do Gaimusho, a primeira foi em São Paulo, e agora a segunda, aqui no Japão.
O grupo de 20 pessoas, formado por lideranças comunitárias de diversos países da América Latina, veio à convite do governo japonês, para aproximar os seus respectivos países com o Japão.
Acho incrível essa iniciativa do governo japonês em dar oportunidades para as pessoas de outros países, conhecerem um pouco mais sobre a parte governamental do Japão, e consequentemente ampliarem as possibilidades de relações internacionais, interligadas em vários âmbitos, como: negócios, saúde, educação e bem estar social.
O tema que usei na minha palestra, consistiu nos trabalhos desenvolvidos pela ONG em que trabalho. Onde dei ênfase nos problemas da comunidade, e as soluções que temos colocado em prática para tentar sanar alguns problemas.
O carro chefe da minha palestra referiu-se aos atendimentos psicológicos. No qual a plateia presente, mostrou muito interesse, principalmente quando me referi ao tema sobre as crianças brasileiras diagnosticadas como autistas.
É um tema amplo, longo e diversificado. Para discutir sobre isso, ficaríamos horas e horas debatendo, e por fim, não sei se chegaríamos a uma solução.
Mas há luz no fim do túnel sim. Falo isso porque fiquei muito feliz com o retorno que recebi depois da palestra. Todos, eu disse todos, demonstraram-se interessados pelo tema, e o melhor, ofereceram-se para ajudar no que for preciso e possível.
E é isso que faz o meu trabalho ser interessante! É poder ver o fator humano, os olhos brilhando a cada palavra que eu dizia, não foi a toa…
Uma amiga me disse que o meu trabalho, não é tentar resolver todos os problemas, mas sim de sensibilidade. Ou seja, tentar sensibilizar os corações das pessoas, tanto daqueles que pedem ajuda, como daqueles que ajudam. O trabalho é de sensibilidade! No sentido mais que literal da palavra.
E eu amo isso! Confesso que, muitas vezes pensei em desistir desse trabalho. Muito difícil trabalhar com japoneses, muito difícil lidar com problemas internos da entidade, a cada caso atendido, eu sofro muito junto com as pessoas… Mas quando eu vejo o que eu vi nessa palestra, onde a maioria não fala português (das 20 pessoas, apenas 4 eram brasileiros), e mesmo assim, anotavam tudo o que eu falava, e quando eu relatava os problemas e as dificuldades da comunidade brasileira, os olhos arregalados e brilhando, isso me deu um arrepio, e a certeza de que é isso que eu quero fazer o resto da minha vida.
Uma vez, o humorista Luiz França, me disse que muitas vezes, pensou em desistir do nosso projeto com as crianças brasileiras no Japão, mas quando via que eu fazia o impossível para que tudo desse certo, ele pensou: #tenho que fazer também, poxa vida, tanta correria, e o pessoal está sempre na batalha!”. E então, em sua última visita ao Japão, Luiz foi abordado por uma jovem que foi lhe agradecer, por ter despertado em si a vontade de seguir carreira teatral, e atualmente cursava teatro. E tudo começou ali, naquele trabalho com as escolas. Recompensador! Essa é a palavra que o dinheiro não compra, porque não é recompensa financeira, e sim, de alma!
Quero agradecer à todos do Gaimusho, que sempre me apoiam, principalmente Sr. Takahiro Nakamae, que lembrou de mim, nas duas palestras que dei.
Obrigada à todos!

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