ERIKA TAMURA: Kim anuncia viagem ao Japão

Tive acesso à um vídeo do Deputado Kim Kataguiri, onde o mesmo anuncia a sua viagem ao Japão no mês de março.
Kataguiri vem ao Japão, a convite do governo japonês, com o intuito de fortalecer os laços econômicos e sociais entre Brasil e Japão, visto que o deputado é descendente de japoneses e tem desempenhado um papel importante no cenário político do Brasil.
A minha intenção em escrever esse artigo, não tem a ver com afinidades políticas, muito menos com quaisquer tipo de discurso em apoio ao deputado, mas não também não significa uma desaprovação. Só quero comentar sobre alguns equívocos que vi, no vídeo do Kataguiri, quando ele se refere à comunidade brasileira que vive no Japão.
No vídeo, Kataguiri enfatiza a dificuldade de integração da comunidade brasileira no Japão, primeiramente no quesito educacional, onde ele diz que o governo japonês não estabelece a obrigatoriedade do ensino aos estrangeiros, até aí está certo! Realmente a lei de obrigatoriedade de frequência escolar não se estende aos estrangeiros, ficando restrito aos japoneses. Existe um motivo para isso, mas é tão conflituoso que talvez eu possa abordar num próximo artigo, para não fugir do tema de hoje.
O próximo ponto abordado pelo deputado em seu vídeo, diz respeito ao aprendizado do idioma. Onde Kataguiri diz que conversará com o governo japonês, para que sejam implantados métodos de ensino do idioma, acessível à comunidade brasileira. Aí já vejo um equívoco que, se o deputado não se inteirar sobre esse assunto, irá passar vergonha. Pois esse programa de ensino do idioma japonês, aos estrangeiros, oferecido pelo governo do Japão, já existe! E funciona muito bem. É um curso, vinculado com a Hello Work (órgão do governo japonês, que funciona como assistência aos desempregados, oferecendo cursos, e toda a assistência burocrática para o recebimento de alguns benefícios, como o seguro desemprego). O que acontece na verdade, é que não há interesse da comunidade brasileira em aprender o japonês. E falo isso com toda a convicção e com certeza, baseada na minha experiência de trabalho com a comunidade brasileira. Para citar um exemplo: as classes do curso de japonês da Hello Work, já visitei várias classes, e a maioria não tem nenhum brasileiro como aluno e, quando tem, o número é bem irrisório.
Outro ponto abordado por Kim Kataguiri, é que ele irá conversar com o governo japonês sobre o reconhecimento dos brasileiros que vivem no Japão como estrangeiros permanentes no país. Olha, eu não sei quem foi a fonte de informações do Kataguiri, e onde ele se baseou para chegar a tais pauta, mas a verdade é que estão erradas.Ou estão sendo abordadas erroneamente. Primeiro porque, não sei se o deputado tem acesso à essa informação, mas 60% (cerca de 110 mil brasileiros) da comunidade brasileira que vive no Japão, possui o visto permanente.
Portanto, reconhecimento como permanentes no país, nós temos. Nós não somos reconhecidos como japoneses. Mas sim, estrangeiros com visto permanente, todos que preenchem os requisitos, têm acesso.
Acho a vinda do deputado ao Japão, muito válida. Mas deveria aproveitar a oportunidade e o acesso ao governo japonês, reivindicando e relatando problemas mais reais, e mais urgentes, pelo qual a comunidade brasileira tem passado no Japão. Como por exemplo, sobre a educação. Complementando o que o deputado abordou, sobre a obrigatoriedade, mas não somente isso. Temos crianças com problemas de adaptação nas escolas japonesas, e que estão sendo diagnosticadas como autistas. Temos problemas com o envelhecimento da comunidade, sem contar a depressão e vários outros problemas psicológicos e de saúde.
Tudo isso são problemas que lidamos todos os dias no Japão, é interessante falar sobre integração? SIM! Foi isso que sempre preguei e continuo lutando, mas não é fácil. Será que a comunidade brasileira quer ser ajudada? Ou ela quer ser carregada nas costas de governos, tanto brasileiros como japoneses.
Na minha opinião, o que falta é a conscientização da comunidade. O dia que os brasileiros perceberem o grande potencial que possuem, não precisaremos de ONGs para dar suporte e apoio.

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