ERIKA TAMURA: Japão e o aumento do imposto sobre o consumo

Há 20 anos, quando cheguei ao Japão, o imposto sobre o consumo era de 5%. Muitas vezes eu me atrapalhava com o preço das mercadorias na hora da compra, pois o preço marcado era sem o imposto, e no caixa, somava-se o valor de 5%.
Depois a regra mudou, as lojas foram obrigadas a disponibilizar o produto com o preço final, já calculado o imposto.
Depois o imposto subiu para 8%.
E, agora, pensam em subir para 10%. Aliás, quando o imposto sobre consumo subiu de 5 para 8%, a ideia inicial já era chegar aos 10% o mais breve possível. Pois agora, estamos à frente de uma nova realidade: O Japão reajustará o imposto sobre o consumo em outubro, de 8% para 10%, conforme os planos do governo, MAS a taxa para quem comprar comida ou bebida (que não seja alcóolica) para viagem, continuará 8%.
A mesma regra vale para supermercados e outros estabelecimentos que vendem alimentos.
Confuso? Muito! Eu estou ainda sem entender muito bem como alguns estabelecimentos comercias irão resolver tal impasse. Pois vejam bem, para quem conhece o Japão, entenderá bem o que estou tentando entender. O Japão é um país que possui muitas lojas de conveniência, muitas mesmo, o povo aqui adora, e eu diria até que é um costume japonês, o fato de se ter tantas lojas de conveniência assim. Pois bem, eles vendem comida, a maioria para viagem, mas em algumas lojas de conveniência existem mesas e cadeiras, com um espaço para o consumidor sentar e comer ali. Como farão após a implementação do imposto? Proibirão o cliente de comer ou beber ali? Perguntarão à todos, onde pretendem consumir a comida ou bebida adquirida?
São mais de 55 mil lojas de conveniência no Japão, cerca de 30% possui espaços com mesas e cadeiras.
E não somente as lojas de conveniência estão estudando o impasse em relação às mudanças tributárias de consumo, existem as redes de fast food, com sistema drive-thru, onde o cliente faz o pedido de dentro do carro, terão preços diferentes para o mesmo produto, dependendo da opção do cliente em comer no estabelecimento ou levar para viagem.
Conversei com uma amiga brasileira que, possui uma loja de produtos brasileiros, mas que também serve refeição no local. Ela comentou sobre o transtorno em ter que mudar todos os registros da caixa registradora, a contabilidade, as tabelas de preços, devido à forma de implementação do reajuste do imposto sobre consumo.
Por parte dos comerciantes japoneses, existe a tentativa de padronizar os procedimentos, para que não haja confusão ou reclamação. As lojas de conveniência pensa em cobrar os 8% quando a pessoa comprar comida ou bebida, e só aumentar para 10% se ele avisar que irá consumir dentro do estabelecimento.Para isso estão sendo preparados cartazes, pedindo a colaboração dos consumidores para que, avisem os atendentes caso queiram comer dentro do estabelecimento.
O que eu acho legal do japonês, que não é um povo de reclamações, pois não perdem tempo reclamando sobre a nova forma de tributação que o governo quer adotar, eles simplesmente, pensam em formas de solucionar os inconvenientes que irão ocorrer, sem tentar formas de burlar o mecanismo.
E o Japão não será o único na forma de tributação do imposto diferenciado, na Alemanha o imposto é de 7% para viagem e 19% para quem optar em comer no local.
Vamos aguardar o mês de outubro, para entender na prática, como tudo irá funcionar.

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