ERIKA TAMURA: A nova dinastia imperial no Japão

Maio começou diferente esse ano, pelo menos por aqui, em terras japonesas, temos um novo imperador e uma nova imperatriz. Não preciso nem dizer o quanto eu deposito as minhas esperanças nessa nova dinastia, não que eu não gostasse do imperador anterior, muito pelo contrário, admiro-o muito! Exatamente por isso, acho que a expectativa é maior em relação ao novo imperador, mas também não é somente isso, vivemos uma nova era, um mundo mais atual, onde a globalização mundial dita as regras, e o imperador atual, Naruhito, tem o desafio de integrar o moderno com o tradicional.
Imperador Naruhito é diferente dos seus antecessores, estudou no exterior, fala inglês, e é casado com uma ex-diplomata. Chegamos no ponto onde eu queria, a imperatriz Masako.
Imperatriz Masako é uma mulher inteligentíssima, fala alemão, inglês, francês e espanhol fluentemente, estudou economia em Harvard, fez Direito na Universidade de Tóquio, tem pós graduação em Oxford, passou no dificílimo concurso do Ministério das Relações Exteriores do Japão, numa época em que poucas mulheres seguiam essa carreira. E hoje, é a atual Imperatriz do Japão.
Olho para o resto da imperatriz e vejo o seu olhar de tristeza e o seu sorriso forçado, mas por que? Porque não é fácil sair de uma carreira diplomática e se sucumbir a uma vida regrada da família imperial.
Dizem por aqui que, a imperatriz sofre de depressão. A mudança de vida, a fase de adaptação, a pressão pós casamento para engravidar, o nascimento da filha (que pela lei japonesa não poderá suceder o seu pai, pois é aceito somente filhos), enfim, uma vida de imposições, regras, disciplinas, respeito e tradição.
Mas eu, Erika Tamura, que não sou ninguém nesse país, somente a colunista desse jornal, analiso da seguinte forma, para tudo existe um motivo e uma razão de ser. Portanto, acredito que essa dinastia poderá ser marcada por algumas mudanças. Como por exemplo, o papel da mulher na sociedade japonesa.
Deposito todas as minhas esperanças que a imperatriz Masako, com toda a sua inteligência e principalmente, todas as suas batalhas internas, as motivem para que trabalhe em uma causa importante e marcante no Japão.
Porque olha, não é fácil lidar com o machismo aqui no Japão. Eu sinto isso na pele quase todos os dias, trabalhar com japonês tem o lado bom, mas tem também alguns reveses que me cansa e me desgasta muito. E um deles é o machismo!
Já ouvi dizer que, Japão país de primeiro mundo, onde tudo é desenvolvido. Sim, menos o relacionamento humano. E a Imperatriz é o exemplo real disso que estou falando! Sofreu críticas, pressões, cobranças, tudo o que a mulher passa no Japão, aconteceu na família imperial também.
O imperador atual, Naruhito, sempre deu total apoio a sua esposa, mesmo nos momentos mais críticos, ele tentou preserva-la ao máximo das críticas, e agora, no papel de imperador, acredito que não será diferente, se ela erguer uma bandeira, para tentar mudar alguns pensamentos arcaicos do povo japonês, ele irá apoia-la.
Sonho com o momento em que a imperatriz Masako, de cima do seu castelo, irá dizer que aqui no Japão, as mulheres e os homens têm o mesmo direito!

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