‘Em alta’ na comunidade, Kim Kataguiri participa de intercâmbio no Japão

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Deputado federal quer apoio técnico japonês para reconstruir Brumadinho e ‘impedir novas tragédias’

A convite do governo japonês, quatro deputados federais e um senador embarcam no próximo dia 8 para o Japão para participarem do Programa Juntos!! – Intercâmbio Japão-América Latina e Caribe. O grupo é formado pelos deputados Kim Kataguiri (DEM-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Luisa Canziani dos Santos Silveira (PTB-PR) e Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (PSL-PR) e pelo senador Marcos Rogério da Silva Brito (DEM-RO). A lista incluiu ainda o prefeito de Ivoti (RS), Martin Cesar Kalkmann (PP); o diretor de Relações Institucionais do Sindicato dos Estabelecimentos e Serviços de Saúde do Pará, Leonardo Riodades Daher Santos; o professor universitário de Sergipe, Marcelo Pereira Souza; o professor universitário do Pernambuco, Thales Cacanicanti Castro e o deputado estadual do Paraná Alexandre Guimarães.
A agenda prevê reuniões com o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças do Japão, Taro Aso; com o vice-ministro de Relações Exteriores do Japão, com pesquisadores japoneses especialistas em América Latina e visitas a empresas de alta tecnologia.
O Programa Juntos foi criado em 2016 pelo governo japonês inspirado no discurso feito pelo primeiro-ministro do Japão Shinzo Abe sobre a diplomacia japonesa para a América Latina e Caribe durante a sua visita a São Paulo, em agosto de 2014 – “Progredir juntos, liderar juntos e inspirar juntos”. O intuito é promover o intercâmbio entre o Japão e várias nações da Ásia, América do Norte, Europa, América Latina e países do Caribe, e também promover entre os participantes um maior entendimento da economia, sociedade, história, cultura, política e relações diplamáticas do Japão.

Kim deve se reunir com o vice-primeiro-ministro Taro Aso (Jiro Mochizuki)
Kim deve se reunir com o vice-primeiro-ministro Taro Aso (Jiro Mochizuki)

Foco – Sobre a viagem, inédita, Kim Kataguiri postou um vídeo nas redes sociais em que estabelece su “foco de atuação” que, segundo ele, se concentrará, primeiro, “nas questões mais simples, mais triviais”. “Tem uma questão que a comunidade brasileira não está conseguindo se integrar muito bem no Japão. Diferente do que prevê nossa constituição, que prevê a obrigatoriedade do ensino, inclusive para o estrangeiros, no Japão não existe a mesma previsão legal. O que acontece é que você tem vários descendentes de japoneses, que seus bisavós e avós vieram para o Brasil e agora eles estão voltando para o Japão, que não conseguem se integrar à comunidade japonesa por causa desta barreira do idioma e porque não tem nenhum acesso ao idioma”, disse Kim, acrescentando que “uma das demandas que me foi passada pelo Itamaraty é justamente buscar junto ao governo japonês esses cursos de língua japonesa para os imigrantes brasileiros para que eles consigam se integrar de uma maneira muito mais simples e fácil e para que possam superar essa barreira inicial da língua”.
O parlamentar, que nesta semana participou do Almoço Mensal dos Associados da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e do Encontro de Jovens Líderes Nikkeis na residência oficial do cônsul geral do Japão em São Paulo, no bairro do Morumbi (zona Sul de São Paulo) adiantou que outra questão que pretende tratar com as autoridades japonesas refere-se à questão da permanência dos brasileiros no Japão.

Permanente – Baseado em informações que coletou com representantes do Itamaraty, Kim explicou que atualmente vivem no Japão cerca de 200 mil brasileiros. “Existe uma certa dificuldade por parte do governo japonês de reconhecer não só os brasileiros, mas todo tipo de imigrante que vai para o Japão como pessoas que de fato estão lá para morar, estão lá para trabalhar e não simplesmente ficar um período e voltar para o Brasil. São basicamente descendentes de japoneses, no caso dos imigrantes brasileiros, descendentes de japoneses que infelizmente ainda não tem o reconhecimento do governo japonês como tais, como descendentes de japoneses”.
Outro assunto, disse Kim, será em relação ao agronegócio. “Hoje todo mundo sabe que quem mantém a balança comercial brasileira positiva é o agronegócio, mas poderia estar mais positiva ainda, a gente poderia estar comercializando mais, gerando mais emprego, pagando mais para o nosso setor agrícola, para os nossos produtores de alimentos se a gente tivesse uma ação mais próxima com o Japão e a gente pudesse ter uma abertura que nos tornasse mais competititvos em relação ao sudeste asiático”, destacou Kim, que apontou a Austrália e a Nova Zelândia como fortes concorrentes do Brasil neste setor.
Como exemplo, o parlamentar disse que vários produtos brasileiros não estão habilitados para exportação porque “ainda falta uma questão burocrática, do governo japonês enviar os técnicos para cá para fazerem todos os procedimentos para que a gente possa exportar principalmente carne in natura, que é um dos nossos principais produtos de exportação para o Japão”.
Ainda sobre este assunto, Kim explicou que “o Japão é o terceiro maior importador de carne suína e de carne bovina do mundo e o nosso acesso ao mercado ainda é bastante restrito”. “O Brasil ainda pode entrar muito mais no mercado japonês, ainda tem um acesso muito restrito à exportação de carne bovina e de carne suína”.
Ele destacou ainda que “o país precisa reduzir o custo Brasil investindo em estrura de qualidade, em pontes, viadutos portos e aeroportos que funcionem, que não sejam um caos e que não sejam completamente sucateados como são hoje”.

Tecnologia – Por fim, Kim falou que o país pode trazer “muito do conhecimento japonês que hoje está disponível mas falta um relacionamento mais próximo para a gente conseguir trazer isso para cá”. Um dado bastante interessante que eu não sabia e que me foi passado pelo Itamaraty foi de que o Japão já ajudou no desastre em Mariana e a ajuda do Japão foi a mais adequada, a mais sólida e, principalmente, com uma visão a longo prazo. A gente recebeu muita ajuda internacional no caso do destastre de Mariana, mas a ajuda do Japão foi aquela que teve mais especialização em prevenção e combate a desastres naturais. A ajuda a Mariana foi muito valiosa e essa ajuda pode ser muito importante agora. É outra das minhas pautas que vou levar para o Japão, um apoio técnico para a gente reconstruir Brumadinho e para que a gente consiga impedir que novas catástrofes do tipo acontençam”, frisou Kim, afirmando que, “não tenho dúvida que, trazendo os maiores especialistas em contenção e prevenção de desastres, a gente consegue recuperar as áreas atingidas e impedir que novas tragédias deste tipo acontençam”.
O retorno da comitiva está previsto para o dia 18 de março.

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