Começa a colheita da ‘uva de luxo’ moscato; produtores esperam colher 470 toneladas

(Kohei Ozawa)
(Kohei Ozawa)

Sem sementes, com grandes bagos e alto teor de doçura, a Pilar Moscato tem textura crocante e pode ser ingerida com a casca, sendo conhecida com a “primeira uva gourmet do Brasil”. No dia 19 foi realizada a cerimônia oficial de início da colheita dessa uva em Pilar do Sul, cidade localizada no sudoeste do estado de São Paulo. Espera-se uma colheita de 470 toneladas, 30% a mais do que no ano anterior, sendo comercializada até maio.
“Os produtores se dedicaram para produzir algo que os consumidores possam saborear e ficar satisfeitos. Espero que conheçam esse esforço hoje e o processo de cultivo da uva”, disse o presidente Akira Morioka da Cooperativa Industrial da Associação Paulista dos Produtores de Caqui (APPC) no evento com participação de 200 pessoas, entre produtores e distribuidores.
O preço de mercado da Pilar Moscato chega a cem reais o quilo. “Por que é tão cara?”. O engenheiro agrônomo Sérgio Masunaga explica o processo de produção da fruta e o motivo do alto preço.
Após a floração, começa o tratamento com giberelina para formação de frutos sem sementes. Durante o desenvolvimento do fruto, é feita manualmente a seleção de até cerca de 40 bagas para estimular seu crescimento. Além disso, cada cacho é envolto em papel especial para protegê-lo da luz solar, do vento, da chuva e de insetos. Com isso, a uva adquire cor homogênea e a casca fina fica com textura crocante. O teor de açúcar no momento da colheita é medido e, se tiver mais de 18 graus brix, colhemos e enviamos. Uma uva comum possui entre 12 e 13 graus, mas a Pilar Moscato possui quatro graus a mais. Dessa forma, funcionários experientes despendem trabalho para cultivá-las.
A área de cultivo é de cerca de 60 hectares, com 28 cooperados que cultivam a espécie. Eles exportam também para os Estados Unidos e Europa.
Segundo o presidente Morioka, o projeto começou em 2005. “A uva é uma fruta que não gera lucro se não for produzida em grande quantidade. No início, não esperávamos pela época apropriada de colheita do moscato e a uva comercializada era de baixa qualidade e não tinha boa fama”, relembra. Tateando no escuro, soube do método de produção japonês. “A uva japonesa não tem apenas boa aparência, vende porque tem bom sabor e boa qualidade. Pensei em seguir o exemplo”, disse, quando mudou o foco do cultivo da quantidade para a qualidade do produto.
Centrado nos cooperados que aprenderam técnicas de cultivo com orientação de um voluntário sênior da JICA e tiveram treinamento agrícola do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca do Japão, eles escolheram uma espécie de uva doce e de bom sabor dentre 13 variedades, fazendo melhoramento. Ela passou a ser comercializada em 2012.

Participantes da Cerimônia de Início da Colheita da Uva Pilarmoscato no Recinto Chico Mineiro, em Pilar do Sul - Kohei Ozawa - Nikkey Shimbun
Participantes da Cerimônia de Início da Colheita da Uva Pilarmoscato no Recinto Chico Mineiro, em Pilar do Sul – Kohei Ozawa – Nikkey Shimbun

Sucos e geleias – A grande tarefa era divulgar a uva para os consumidores. “Destinamos 10% da colheita para degustação do produto, para que conheçam primeiro seu sabor”. Pensando na introdução da uva no mercado, esperam estabelecer uma posição como produto exclusivo.
Segundo Morioka, “depois que começamos a produzir a Pilar Moscato, o cultivo tornou-se ainda mais interessante”. “Futuramentge, gostaria de lançar produtos como sucos e geleias. Queremos vender produtos de boa qualidade a bons preços”, conta.

(Kohei Osawa, do Nikkey Shimbun)

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