Com superávit, Bunkyo apresenta projeto rumo a 2030, prioriza jovens e anuncia ações para 2020

(Jiro Mochizuki)

Realizada no último dia 14, a 157ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) – a primeira sob a nova gestão – revelou o estilo e marca impostos pelo presidente Renato Ishikawa desde que assumiu o seu mandato, em abril deste ano. Ganharam destaque dois diretores que também assumiram este ano e que devem desempenhar papéis importantes nesta gestão: o vice-presidente Gioji Okuhara e o diretor de Planejamento Herberto Yamamuro, assim como Renato Ishikawa, ex-Nec do Brasil.
E foi o próprio presidente que chamou a atenção para o fato. Em seu discurso, Ishikawa lembrou que “iniciamos esta nossa gestão – que agora completa oito meses – sucedendo a primeira presidente mulher – Harumi Goya – buscando dar continuidade às atividades já realizadas pela entidade como também buscamos estabelecer novas iniciativas”. “Mas,. principalmente, nesta etapa inicial, tentamos revitalizar as realizações e agregar novos voluntários para nos ajudar, além de incentivar a atuação de profisisonais em suas respectivas áreas a compartilhar conosco o seu conhecimento e juntar suas energias para o engrandecimento do Bunkyo”, disse Ishikawa, que citou como exemplo, além de Okuhara e Yamamuro, o assessor da Presidência e diretor de Marketing da Osesp, Carlos Harasawa.
“É esse grupo de jovens executivos experientes que está nos trazendo bastante força e criatividade para a nossa gestão.”, observou o presidente, destacando que em oito meses visitou entidades e comunidades nipo-brasileiras na Grande São Paulo, interior paulista e de outros Estados, como Mato Grosso do Sul, onde prestigiou o 1º Festival do Japão MS realizado pela Associação Nipo-Brasileira de Campo Grande.
“Também participei da Copani – Convenção Pan-Americana Nikkei – em São Francisco, no Estados Unidos, depois, em Lima, no Peru, visitei uma associação chamada APJ – Associação Peruana Japonesa – e fiquei muito, mas muito impressionado com a organização e participação dos nikkeis de lá. Também estive em Tóquio onde participei do 60º Kaigai Nikkeijin Taikai (Convenção dos Nikkeis e Japoneses no Exterior) e fui convidado para participar da Cerimônia de Entronização do novo imperador, Naruhito”, disse Ishikawa, que em seguida anunciou os tópicos da reunião, entre eles as ações para 2020, que a Diretoria considera como primeiro plano de planejamento estratégico “Bunkyo 2030 – ponte para o futuro Brasil-Japão”, e os principais eventos planejados para celebrar os 65 anos do Bunkyo que, segundo ele, apesar de não ser um número redondo, entendemos que seria importante comemorar esta data e realizar vários eventos, inclusive eventos internacionais”.
Como novidade – em se tratando de reuniões do Bunkyo – Gioji Okuhara falou sobre as perspectivas para 2020, numa tenativa de inserir a entidade num mundo, de acordo com sua definição, “cada vez mais complexo, volátil e conectado”. Isto na visão de um administrador de empresas – formado pela Getúlio Vargas – com viés em sua experiência empresarial.

Quarenta conselheiros compareceram para a 157ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Bunkyo, a primeira sob a nova gestão (Jiro Mochizuki)

EUA x China – Passou três aspectos que considera importante: equilíbrio, aprender e crescer e como compartilhar as insformações. Falou sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China, que o mundo está passado por um período de mudanças e crescimento menor, inflação, alta do dólar, desemprego e PIB. Apresentou um resumo do cenário para 2020, com   PIB crescendo 2,5%, com a inflação na casa dos 3,6% a 3,9% e o dólar num patamar entre 4 e 4,25.
Frisou, porém, que este cenário “tem algumas premissas”. “Que as eleições nos EUA vão transcorrer normalmente – seja com a reeleição de Trump seja com a eleição de um ‘democrata normal’ – que não seja radical – que a guerra comercial entre China e EUA também deve continuar com alguns altos e baixos e que a economia global também vai estar ok, ou seja, não vai ter nenhuma recessão, sem supresa de terrorismo, que a polarização no Brasil vai continuar mas sem grandes impactos e que uma das reformas – tributrária ou administrativa – devem ser aprovadas pelo Congresso.
Gioji Okuhara afirmou que este cenário pode ser mais “mais otimista” se, por exemplo, houver um acordo entre China e EUA e se o Brasil receber um grau de investimento maior das agência de risco – hoje está dois níveis abaixo do que seria um grau de investimento positivo. Em contrapartida, disse que “um cenário mais pessimista” aponta para uma disputa mais radical nos Estados Unidos, com a vitória de democratas “mais radicais” – o que, segundo ele, pode causar “algum barulho nos Estados Unidos” – e se a guerra comercial entre China e Estados Unidos piorar”.

O vice-presidente do Bunkyo, Gioji Okuhara (Jiro Mochizuki)

Ganha-ganha e Japan Society – Também ficou por sua conta apresentar o resultado de uma pesquisa qualitativa coordenada por Carlos Harasawa com a principais empresas patrocinadoras do Bunkyo. Gioji Okuhara disse que as empresas veem o Bunkyo como uma entidade que apoia a cultura e os valores japoneses e que isso deve continuar, mas sugerem que o Bunkyo tenha uma postura mais empresarial, com objetivos e prioridades claros, um plajamento que tenha início e fim e que a comunicação seja melhorada.
De acordo com a pesquisa, essas mesmas empresas veem o Bunkyo com uma imagem muito forte de “agregador” e apontaram para a necessidade da participação de “mais jovens” nas ações. E também que a entidade tenha uma postura de “parceira” com essas empresas. Como explicou Okuhara, uma “relação de ganha-ganha entre empresa e Bunkyo”.
Segundo ele, a tática adotada hoje pelas várias Comissões da entidade é “só pedir”. “As empresas querem algo mais coordenado, que a abordagem seja feita de forma mais planejada e coordenada”, disse, acrescentando que uma sugestão da Toyota foi para conhecer a Japan Society, uma entidade sem fins lucrativos inaugurada em 1907 próximo ao prédio da ONU, em Nova York, com o intuito de divulgar a cultura japonesa.
“Estivemos lá em setembro e pegamos algumas ideias. Eles tem um fundo de investimento de US$ 70 milhões e desse fundo eles pegam US$ 3 milhões – menos de 5% – para as atividades da entidade e manutenção do prédio”, explicou Okuhara, acrescentando que, para as comemorações dos 65 anos do Bunkyo – a ser comemorado ao longo de 2020 – buscou algumas inspirações na Japan Society.

Ex-NEC, Herberto Macoto Yamamuro é o diretor de Planejamento (Jiro Mochizuki)

Bunkyo Premium – Uma dessas ações que deve lançada no ano do aniversário da entidade refere-se a um programa de benefícios aos associados, o Bunkyo Premium. “Estamos copiando da Japan Society mas, na verdade, esse programa já existia no próprio Bunkyo há 10 ou 11 anos. Estamos resgtando isso para lançar em 2020”, disse Okuhara, afirmando que trata-se de um programa “bastante simples de benefícios com descontos e cortesias em lojas, restaurantes e estabelecimentos de prestação de serviços.
Entre outras atividades previstas para celebrar o aniversário de 65 anos da entidade, destaques para o 1º Simpósio Internacional de Museus da Imigração Japonesa, o mega show de luz no Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera, o torneio comemorativo e a cerimônia propriamente dita.
Já Herberto Yamamuro ficou responsável pela apresentação dos “pensamentos que devem nortear as comissões e diretores em 2020”, os chamados objetivos estratégicos para 2030: 1) Intensificar as contribuições relevantes ao Brasil; 2) Promover a união e o fortalecimento das entuidades nikkeis; 3) reforçar as ações de assistência social; 4) Renovar e ampliar a disseminação da cultura japonesa; 5) liderar como agente de conexão Brasil-Japão; 6) Atingir a sustentabilidade através da liderança de jovens e 7) Promover a nova sociedade do conhecimento.
Ex-presidente da Nec do Brasil e atual presidente da Science Energy Brasil Ltda e Conselheiro da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), Herberto Yamamuro também apresentou um resumo das ações de 2019, com destaque para o equilíbrio financeiro positivo, “apesar de não ter cumprido a meta econômica”. A previsão é que o Bunkyo feche o ano com um superávit de R$ 100 mil. Contribuíram para isso o incremento em R$ 150 mil de receita através dos associados em comparação ano ano anterior, e as arrecadações – superando as metas – do Bunka Matsuri, Sakura Matsuri e Pavilhão Japonês.
Destaque ainda para o Network entre jovens, o redesenho da Comissão de Relações Empresariais – com a realização de eventos de impacto e estreitamento com empresas nacionais e globais – realização de eventos como a Cerimônia de Entronização do Imperador e o concerto com o Coro da Osesp, além de investimentos em mídia digital.
Herberto finalizou sua apresentação dizendo que a ideia é “construirmos juntos essa nossa sociedade nipo-brsileira, sempre ancorados nos valores derradeiros do passado. Não vamos esquecer o passado, mas vamos olhar sem medo esse novo mundo que está nascendo”, afirmou.

Jovens – Ao final da reunião, em que os conselheiros puderam assisitr, em primeira mão, o novo vídeo institucional do Bunkyo para captação de novos associados – com apresentação do jornalista Márcio Gomes, da TV Globo – Renato Ishikawa disse ao Jornal Nippak que ficou feliz pela participação dos conselheiros – 40 presentes e 19 por procuração. “Isto signfica que os conselheiros realmente estão prestigiando e trazendo esta colaboração para criarmos juntos um novo Bunkyo”, afirmou Ishikawa que elogiou as apresentações de Gioji Okuhara e Herberto Yamamuro.
“Eles têm experiência e o Bunkyo precisa dessa experiência. São CEOs de grandes empresas e acho que pessoas que chegaram a essa posição de destaque é porque tem conhecimento, tem discernimento e tem uma uma forma muito clara ao apresentarem suas ideias. É esse foco que nós queremos. Outro aspecto importante e que vamos continuar trabalhando muito é em relação aos jovens. No ano que vem vamos continuar dando prioridade aos jovens para que eles possam ser os protagonistas principais”, destacou Renato Ishikawa.

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