Com novo formato, 41ª edição do Tanabata Matsuri recebe mais de 200 mil visitantes

(Aldo Shiguti)

Realizado pela Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade) no último final de semana (13 e 14), no bairro da Liberdade – um dos principais cartões postais da cidade de São Paulo – o Tanabata Matsuri – que este ano chegou a sua 41ª edição, registrou um público recorde. Embora extraoficialmente, os organizadores calculam que o evento atraiu mais de 220 mil pessoas nos dois dias. Presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki, atribuiu o sucesso principalmente à divulgação e ao novo formato do evento, com mais espaço para as pessoas circularem, pois os expositores da Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Liberdade – exceto as barracas de alimentação – ficaram ao longo da Av. Liberdade.
E foi justamente por conta da divulgação – este ano foi a primeira vez que o Festival das Estrelas foi contemplado pelo ProAc (Programa de Ação Cultural) e contou com uma assessoria de imprensa – que a montagem da festa teve início ainda na quinta-feira, 18, e não na véspera, como de costume. O que se viu nos dois dias, foi “mar de gente”. No domingo, até a escada que dá acesso à estação Japão-Liberdade do metrô ficou abarrotada, bem como os bambus ficaram carregados de tanzakus com pedidos dos visitantes e que devem ser queimados em uma cerimônia xintoísta a ser realizada no próximo mês.
A programação do festival contou com apresentações musicais – entre elas as cantoras japonesa MIC e Mariko Nakahira – e gastronomia, entre outras atrações culturais, como danças folclóricas orientais, com participação de mais de 700 dançarinas, além de apresentação de grupos de taikô e nomes bastante conhecidos do público nikkei, como os cantores Joe Hirata, Ricardo Nakase, Diogo Miyahara, Takeshi Nishimura e Angelaisa Toyota.

Autoridades e convidados cortam a fita (Masayuki Fukasawa)

Abertura – No sábado, a cerimônia de abertura contou com a presença do cônsul geral adjunto, Akira Kusunoki; do secretário chefe da Casa Civil, João Jorge (representando o prefeito Bruno Covas); o vereador George Hato (MDB); o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, Yasuo Yamada; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami; o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto, e o anfitrião, Hirofumi Ikesaki.
Em seu discurso, o vereador George Hato destacou que, “nós, que carregamos o sangue nipônico, temos o dever de transmitir uma mensagem ao povo brasileiro que são os princípios básicos que norteiam o sucesso do Japão”. “Ou seja, honrar a bandeira, honrar a família, honrar seu país, respeitar os mais velhos, respeitar os professores, respeitar o colega de trabalho e os vizinhos”, disse George, acrescentando que “nenhum país prospera se não respeitar os professores”.
“E devemos sempre agradecer. Agradecer nossos pais e nossos mestres. Tanto que a palavra mais usada no Japão é ‘arigatô’”, observou o vereador, afirmando que “festas como o Tanabata Matsuri são uma ótima oportunidade para que os brasileiros, em especial os paulistas e paulistanos tenham mais contato com a cultura japonesa”.

O presidente da Acal, Hirofumi Ikesaki durante cerimônia xintoísta (Masayuki Fukasawa)

O maior e melhor – Ikesaki lembrou que “o grandioso” e “tradicional” Tanabata Matsuri, “símbolo de prestígio nacional a e da comunidade nipo-brasileira, é um dos mais destacados eventos do Calendário Oficial da Prefeitura de São Paulo”.
Segundo ele, a Acal vem mantendo este festival desde 1978 na agora Praça da Liberdade-Japão, e, “sem dúvida, com nossos esforços, este evento é considerado o maior e melhor do mundo desse gênero entra tantas outras festas da comunidade nipo-brasileira”.
“No Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas, todos observam lindos enfeites pendurados nos gigantes bambus, que simbolizam nossos sentimentos”, disse Ikesaki, afirmando que “trabalhamos muito para organizar este evento”. E agradeceu aos vereadores Aurélio Nomura, Rodrigo Goulart e Massataka Ota, “que nos dão grande apoio e forças”, e fez um agradecimento especial ao vereador George Hato, “por seu empenho básico para a realização deste festival”.

O Grupo Jya Odori da Associação Nagasaki levou a Dança do Dragão para o Tanabata Matsuri (Masayuki Fukasawa)

Agradecimentos – O presidente da Acal agradeceu também as associações e entidades que “ajudam a abrilhantar o festival com suas belíssimas apresentações, como o Awaodori, Dança do Dragão e os grupos de taikô, danças e artistas”. “Agradeço a Comissão Organizadora do Tanabata Matsuri, o esforço incansável da professora Ichida e de suas alunas que confeccionaram mais de 300 lindos enfeites de tanabata, trabalhando durante o ano todo; a Diretoria da Acal bem como todos os demais departamentos da nossa associação”, destacou Ikesaki, que citou a secretária Massumi, o ministro supremo Kazuo Osaka, o mestre do Cerimonial, Carlos Takahashi, aos apresentadores Angelaisa Toyota e Takeshi Nishimura, o coordenador Hisaji Akimura, e aos colaboradores Massayoshi Furuno, Roberto, Orita, Yuko, Kiyoshi, Yamana, Marina, Reiko, Marta, Ichida e Selva Mara, entre outros, além de estender seus agradecimentos aos órgãos governamentais e a Prefeitura e ao Governo de São Paulo pela “renomeação da Praça da Liberdade para Praça da Liberdade-Japão e da estação Liberdade do metrô para estação Japão-Liberdade”.,

Vereador George, João Jorge, Ikesaki, cônsul Kusunoki e Minami (Jiro Mochizuki)

Lenda – O Tanabata Matsuri originou de uma lenda criada há mais de quatro mil anos e inspirada nas estrelas Vega e Altair. Conta a história de uma certa princesa Orihime e seu amado Kengyu. A princesa Orihime era uma excelente tecelã e confeccionava a mais perfeita seda de que se tinha notícia. Preocupado com sua excessiva dedicação, o rei ordenou que ela se distraísse, dando passeios diários pelo reino.
Em uma dessas ocasiões, Orihime conheceu o pastor Kengyu e os dois se apaixonaram. Esquecendo-se completamente de suas obrigações, a princesa tecelã e o pastor dedicaram todo o tempo a esta paixão e por este motivo foram castigadas, sendo transformados em estrelas e separados pela Via Láctea. Comovido com a tristeza do casal, o Senhor Celestial permite um único encontro anual entre eles, num dia de julho.
Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos feitos em papéis coloridos (irogami/tanzaku) e pendurados em bambus (sassadake).
A festa foi introduzida no Japão pela Família Imperial no início do século IX com o nome de Tanabata Matsuri enquanto n o Brasil é celebrado desde 1978.

O secretário Chefe da Casa Civil, João Jorge (Masayuki Fukasawa)
Público presente na Praça da Liberdade-Japão no domingo (Aldo Shiguti)
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