Com livro, AOVC preserva história e deixa importante legado para as próximas gerações

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Fundada em 20 de agosto de 1956 por Komei Ueda e Seikichi Uehara, a Associação Okinawa de Vila Carrão, com sede na Vila Nova Manchester (zona Leste de São Paulo), realizou uma grande festa no dia 20 de novembro de 2016 para celebrar seu 60º aniversário de fundação. Com direito a homenagens a associados, políticos e autoridades, a festa contou com a presença do então cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae.
No último dia 17, passados pouco mais de dois anos daquele memorável evento, a AOVC realizou um outro acontecimento para coroar as seis décadas de sua existência. Em uma cerimônia marcada por um clima de gratidão e respeito aos seus idosos, a Associação Okinawa de Vila Carrão, uma das mais ativas entre as subsedes espalhadas pelo território brasileiro, lançou o Livro Comemorativo dos 60 Anos de sua fundação.

Eiki Shimabukuro, presidente da AOKB (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Eiki Shimabukuro, presidente da AOKB (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Estiveram presentes o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Yoshihiro Nishio, o presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo) e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Okinawa Kenjin do Brasil (AOKB), Akeo Yogui, o deputado estadual Hélio Nishimoto e os vereadores Ota e Aurélio Nomura, além do presidente da AOKB, Eiki Shimabukuro, e Keiko Ota.
Edição bilíngue, a obra conta em suas 440 páginas permeadas por fotos, os desafios e dificuldades das 27 famílias pioneiras até o 60º aniversário, além de eventos e atividades desenvolvidos pelos departamentos. Entre as atividades, destaque para o Okinawa Festival, considerado um dos maiores eventos ligados à preservação e divulgação da cultura uchinanchu no mundo.
Quanto à capa, roxa, uma explicação à parte. Presidente da gestão 2015-2016 da AOVC, Tério Uehara, conta que a opção pela cor, ao contrário do que pode parecer, não foi mera escolha estética.
“Utilizamos a cor roxa (murasaki) porque é a cor que mais representa Okinawa. Era a cor da nobreza, utilizada nas vestimentas das danças clássicas que eram apresentadas aos nobres, no reino de Ryukyu”, justifica Tério, acrescentando que, “atualmente, a cor ‘beni imo’ – ou batata roxa – está presente por toda a ilha, seja em acessórios de roupa, souvenirs, sorvetes ou doces”. “O beni imo é o alimento que está no coração dos uchinanchus, pois com seu alto valor nutritivo, sustentou a população durante as crises de fome que castigaram a província”, conta.
Para Tério, “o registro da história e atividades da AOVC será um importante legado para todos os associados e amigos da nossa associação, principalmente para os jovens que nos sucederão”.

Teruya e Takayasu entregam homenagem a Akira Miyagui (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Teruya e Takayasu entregam homenagem a Akira Miyagui (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Atual presidente, Takeyo­shi Teruya agradeceu, em especial, os membros do Conselho Editorial – formado pelo editor-chefe Hiroharu Takayasu e pelos coordenadores Terio Uehara, Mario Shinzaki, Vanessa Tinen, Mario Tadashi Uehara, Sérgio Tawata, Takeo Uehara, Akira Miyagi e Eiko Oshiro – “que nos últimos dois anos participaram de incontáveis reuniões, muitas vezes até tarde da noite”. Teruya lembrou que, se a associação chegou aos 60 anos, só foi possível graças ao esforço de muitos” e estendeu seus agradecimentos a cada um dos Departamentos da AOVC “e todos os associados que contribuíram para o crescimento e fortalecimento da associação”.

Roberto Nishio, da Fundação Kunito Miyasaka, recebe homenagem (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Roberto Nishio, da Fundação Kunito Miyasaka, recebe homenagem (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Hiroharu Takayasu (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Hiroharu Takayasu (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Dupla alegria – Hiroharu Takayasu agradeceu a Fundação Kunito Miyasaka, na ocasião representada pelo presidente Roberto Yoshihiro Nishio, e lembrou que, em 1956, vinte e sete pessoas se uniram para inaugurar a Associação Okinawa de Vila Carrão e hoje, esses veteranos que deram o pontapé inicial, contam com netos e bisnetos que frequentam e levam adiante os trabalhos da associação. E destacou que, em relação ao livro, espera ser de grande utilidade, “pois conta toda a nossa história” e que possa servir para futuras pesquisas quanto à parte cultural, social e esportiva.
Roberto Nishio falou sobre sua “dupla alegria de fazer parte do evento”: “por estar representando a Fundação Kunito Miyasaka e também a pessoa física do fundador, uma pessoa muito importante na história da imigração japonesa no Brasil”, disse Nishio, que brincou ao lembrar que foi chamado de “Kunito”, por Leda Shimabukuro e de “Miyasaka”, pelo mestre de cerimônia.

Nishio, presidente da Fundação Kunito Miyasaka (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Nishio, presidente da Fundação Kunito Miyasaka (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Empatia – Nishio parabenizou a Diretoria pelo lançamento do livro “porque trata-se de um resgate de uma magnífica história permeada de sofrimentos, alegrias e felicidades”. “Mas, acima de tudo, é um resgate importante para que todos nós e os associados tenhamos conhecimento do valor, do empenho e da dedicação dos veteranos desta associação”, disse Nishio, acrescentando que “quando foi procurado por diretores da associação para falar sobre o livro, senti uma empatia desde o início”. “Vou lê-lo com muito carinho pois tenho uma admiração muito grande pelos japoneses que vieram da ilha de Okinawa”, explicou.

Membros da Comissão Editorial, Diretoria da AOVC, autoridades e convidados durante a cerimônia (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Membros da Comissão Editorial, Diretoria da AOVC, autoridades e convidados durante a cerimônia (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Casa sólida – Já o vereador Aurélio Nomura comparou a associação a uma casa “cujo tijolo foi sedimentado com cimento, com trabalho, com dedicação, com perseverança, com coragem e com grandes realizações”. “Esta é casa da Associação Okinawa Vila Carrão. Se dermos uma olhada na galeria de presidentes que passaram por esta associação, verificamos que são pioneiros que ajudaram a materializar esta obra, que ajudaram a marcar uma fase na nossa história, uma fase de trabalho, de dedicação, uma fase de sangue, suor e lágrimas e hoje, estas novas gerações, os netos e bisnetos, vem usufruir desta confiança, do trabalho e desta dedicação. Tenho certeza que esta história irá perpetuar na memória de todos nós para que possamos manter acesa a chama dos ideiais destes pioneiros”, discurou Aurélio Nomura.
Para o deputado estadual Hélio Nishimoto, o lançamento do livro marca um momento muito importante desta história de mais de 60 anos registrada no livro. “É um registro importante para todos nós, da comunidade, como também é importante para o Brasil, para o Estado de São Paulo e para a cidade de São Paulo. Afinal é uma história de mais de 60 anos de contribuição. E nós temos que agradecer toda a contribuição que a Associação Okinawa Vila Carrão vem dando ao longo de sua existência porque, entre todas as atividades que mantém, a do Okinawa Festival realmente é algo marcante para São Paulo e para o Brasil. Além disso, no dia a dia sabemos que a associação mantém uma intensa rotina cultural, social e de troca de informações para que a vida profissional de cada um que faz parte desta ssociação, seja ele diretor ou associado, se desevolva”, concluiu Nishimoto.

Takeyoshi Teruya, atual presidente da AOVC (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Takeyoshi Teruya, atual presidente da AOVC (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)

Pasagem de bastão – Durante a cerimônia, todos os membros do Conselho Editorial receberam um Diploma de Gratidão, incluindo o presidente Teruya que no dia 1º de março passa o bastão para seu sucessor, Sergio Antonio Kohatsu, eleito presidente para o biênio 2019-2021. Em seguida, foi servido um coquetel a todos os presentes e, como é de praxe nas reuniões okinawanas, o encontro terminou em um animado kachashi.

Hiroharu e Takeyoshi Teruya (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Hiroharu e Takeyoshi Teruya (Jiro Mochizuki e Aldo Shiguti)
Comentários
Loading...