Com ampliação, 23º Festival do Japão espera aumento de público entre 20 e 30 mil visitantes

Maior evento de cultura japonesa fora do Japão, Festival do Japão terá muitas mudanças em 2020 (Aldo Shiguti)

A 22ª edição do Festival do Japão, realizada nos dias 5, 6 e 7 de julho deste ano no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5), em São Paulo, nem bem chegou ao seu final – o fechamento, positivo, segundo antecipou o presidente do evento, José Taniguti, deve ser anunciado nos próximos dias – e o Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil – já deu um importante passo visando o evento do ano que vem. A 240 dias da 23ª edição – cujo tema é “Do sonho à realidade” e que será realizada de 10 a 12 de julho, a diretoria do Kenren – entidade que reúne as 47 associações de províncias do Japão no Brasil – convidou patrocinadores, expositores e imprensa para o Coquetel de Lançamento onde foram apresentados os conceitos dos projetos da próxima edição.
Estiveram presentes o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, o vice-cônsul Kenji Iwashima, o vereador George Hato, representantes de patrocinadores e de kenjinkais.
E pelo que deu para constatar, os desafios são muitos e a certeza uma só: fazer do evento do ano que vem o melhor já realizado. Tanto que uma das palavras mais usadas durante a apresentação foi “grandioso”. “Unidos, conseguiremos fazer um grande evento, com um grande resultado”, disse o conselheiro da Comissão Executiva, Toshio Ichikawa, que já presidiu o Festival por três ocasiões.
Segundo ele, “o resultado não é somente financeiro”. “É a possibilidade de apresentarmos toda a cultura japonesa. O Festival do Japão tornou-se um megaevento da cidade de São Paulo. Realmente é um evento bastante grandioso e que gera bastante orgulho para todos, independente de ser nikkei ou não, e a população paulistana fica muito feliz com isso”, explicou Ichikawa, lembrando que o Festival do Japão é considerado “o maior evento de cultura japonesa fora do Japão”.
“Importante destacar que este evento é realizado todo ele praticamente por voluntários das associações, das entidades e universitários que se cadastram. E por nós também, que somos presidentes de associações, pois dedicamos nosso tempo para realizar este grandioso evento”, disse ele, acrescentando que, no total, o Festival do Japão costuma mobilizar cerca de 15 mil voluntários.

Participação do governo japonês tem sido fundamental (Aldo Shiguti)

Ampliação – Para 2020, conforme já antecipou o Jornal Nippak, o Festival do Japão anexará também o Pavilhão 3, totalizando 65 mil m² – contando também a área externa, que ocupará um espaço significativo com estandes de assados (peixes e carnes) – que poderão ser vendidos ao público – com tendas cobertas, mesas, palco de taiko e área de descanso.
Na parte interna, dos Pavilhões 3 ao 7 são cerca de 48 mil m², o que representa aproximadamente 1 km de ponta a ponta. Para se ter uma ideia da distância, Toshio Ichikawa disse que os organizadores chegam a andar 13 km por dia.

Como o Salão do Automóvel – A infraestrura conta ainda com estacionamento para 5 mil vagas, sendo 4.500 cobertas. “É uma infraestrutura onde se realizava o Salão do Automóvel. Nós nunca poderíamos imaginar que um dia estaríamos realizando o Festival do Japão num local tão grandioso”, conta Ichikawa.
Com isso, o público poderá notar muitas mudanças. Uma delas será na Área Cultural, que terá 6.900 m², ganhando mais destaque, incluuindo um pequeno palco com capacidade para 300 pessoas onde serão realizados workshops.
De acordo com o diretor de Infraestrura, Koji Maruayama, “até hoje, nesses 22 anos de história, a parte cultural vem caminhando meio à margem do Festival e está na hora de mostrar que a cultura é algo fundamental e por isso merece um espaço bem destacado”. Outra novidade deve ser a volta da exposição de bonsai e um destaque especial para as artes marciais.

Praça de alimentação será ampliada… (Aldo Shiguti)

Gastronomia – Considerado o carro-chefe do Festival do Japão, a Praça de Alimentação também terá um tratamento especial, passando dos 11 mil m² para 15 mil m², o que quer dizer mais espaço e conforto para as pessoas circularem.
A expectativa é que a ampliação da área resulte em um crescimento de 20 a 30 mil visitantes, superando o público registrado de 215 mil pessoas de 2018 – ano considerado atípico pelo fato de a edição daquele ano ter sido realizada como palco das comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil e que teve como ponto alto a visita da princesa Mako.

… bem como a Área Cultural (Aldo Shiguti)

Estratégias – Como conseguir esse crescimento ainda é alvo de estudo. Ichikawa antecipa, no entanto, que uma das ideias é reformular a estratégia de divulgação do evento, que não será como no ano passado. Isso implica, segundo ele, em algo “mais impactante, que possa atingir um número maior de visitantes, abrangendo uma região geograficamente maior”. “Até hoje nós fizemos uma divulgação muito mais trabalhando no eixo Jabaquara-Liberdade e hoje isso é insuficiente . Temos que trabalhar um pouco mais. E pelo registro das nossas pequisas, nós temos visitantes em torno de 150 km da São Paulo Expo, o que engloba cidades como Campinas, São Vicente e toda região do ABC. Temos que nelhorar a nossa comunicação junto a essas regiões”, revelou Ichikawa, acrescentando que, em relação à etnia dos visitantes, 57% são de não descendentes de japoneses.
“É um festival que não é mais nipo-brasileiro, é um evento forte da cidade de São Paulo”, conta Ichikawa, que aposta numa melhor utilização das redes sociais – Youtube, Facebook e sites (inclusive de patrocinadores) – para atrair novos visitantes.
“Baseada nas opiniões dos visitantes temos feito diversas pesquisas e uma das coisas que é importante para a organização do Festival é o registro de quantas vezes as pessoas já visitaram o evento.

Kaizen – “Ointenta por cento das pessoas já visitaram o Festival pelo menos uma vez, sendo que 34% já estiveram em quatro ou mais oportunidades. Então, qual a nossa responsabilidade em termos de organização? A gente tem criar novidades, algo novo. Se essa pessoa voltar e estiver igual ao ano passado, nós certamente vamos perder esse visitante”, diz Ichikawa, explicando que o Festival do Japão tem como base a divulgação da cultura japonesa e das indústrias japonesas.
“Nos três dias nós apresentamos shows, muitas atrações e aspectos bastante tradicionais da cultura como ikebana e cerimônia do chá. E os patrocinadores, com certeza, estarão apresentando suas novidades em termos de produtos”, observa Ichikawa, lembrando que o o Brasil é o único país do mundo que tem todas as 47 provícias do Japão representadas por seus kenjinkais, além de sete entidades beneficentes que também participam do evento.
“Estamos sempre em constante evolução”, diz ele, afirmando que uma das principais preocupações do Kenren é quanto a aplicação da filosofia japonesa do kaizen, que significa “melhoria contínua”.

Patrocínio – Para isso, explica, o apoio do governo japonês tem sido fundamental. Seja através de órgãos como a Jica (Japan International Cooperation Agency), Jetro, Embaixada e Consulado seja através da participação direta de alguns Ministérios, como o da Agricultura, Floresta e Pesca e o de Turismo. “Podem ter certeza que o governo japonês não participa mais que dois anos no mesmo local. E já há quatro ou cinco anos que eles nos apoiam. Para nós é motivo de muita honra”, destacou Ichikawa, acrescentando que o Festival do Japão está totalmente alinhada às políticas governamentais através da Lei de Incentivo Fiscal (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura – que possibilita às empresas o abatimento de 100% do valor investido no patrocínio ao Festival do Japão, até o limite de 4% do Imposto de Renda devido pela Pessoa Jurídica – do Programa de Ação Cultural (Proac) da Seretaria de Estado da Cultura; e do Programa de Ação Cultural (Promac) da Secretaria Municipal de Cultura.
Ele lembrou que , devido a sua importância cultural e repercussão social, em 2002, o Festival do Japão foi incluído no Calendário Turístico do Estado de São Paulo, e em 2004 no Calednário Oficial de Eventos da Cidade de São Paulo.
Por isso, finalizou Ichikawa, são muito os motivos para apoiar o Festival do Japão: por oferecer um alto valor de mercado para as empresas patrocinadoras – com repercussão de mídia e visibilidade em mídias sociais, e por ser o principal evento da comunidade nipo-brasileira, com opções de lazer para toda a família.
E aproveitando o tema para o próximo ano, apresentou as cotas de patrocínio, divididas em Diamante – com patrocínio de R$ 600 mil – Ouro (R$ 350 mil); Prata (R$ 250 mil) e Bronze (R$ 90 mil).

Apresentação foi feita a 240 dias do evento (Aldo Shiguti)

Simpósio – “Esperamos contar com pelo menos uma empresa na cota Diamante”, disse Ichikawa, que destacou ainda a importância da realização do 2º Simpósio de Organizadores de Festivais do Japão, marcado para os dias 14 e 15 de março de 2020, no próprio São Paulo Expo. O objetivo é apresentar novas ferramentas, buscar soluções e promover networking entre lideranças. A ideia é discutir temas como Sociedade 5.0 e o futuro das relações Brasil-Japão. Este ano, por conta da limitação do espaço da Japan House São Paulo, que recebeu a primeira edição, participaram cerca de 120 lideranças de 60 entidades. No ano que vem a meta é convidar também lideranças regionais e organizadores de festivais de outros países, como Argentina, Peru e México.

Omotenashi e mottainai – Já a presidente da Associação Kagoshima, Mônica Uezono, ressaltou a importância da participação dos kenjinkais na gastronomia, “elaborando pratos exóticos”. “Alguns são baseados nas lendas, outros nas histórias dos samurais, alguns exploram pratos que surgiram devido a sua localização geográfica ou climática, como pratos feitos utilizando as cinzas dos vulcões, outros usam vinagre de maçã ou raiz de lótus rechedados”, explicou, afirmando que “assumir a responsabilidade de valorizar o folclore, a dança, a lenda, as músicas, as crenças, dialetos e a gastronomia de cada província é uma missão que exige sabedoria e muita destreza”.
Mônica, que agradeceu ao apoio de colaboradors e patrocinadores – sem os quais não seria possível realizar o evento – destacou que, através do Festival do Japão, “com a ajuda da comunidade nikkei e simpatizantes, cumprimos nossa parte contribuindo para uma sociedade mais humana, praticando o omotenashi à sociedade brasileira”. Somos exemplo de boa conduta, de respeito aos idosos e às crianças, de respeito à natureza e a atmofesra e a biosfera praticando o mottainai, evitando desperdício e reciclando materiais descartáveis. Trabalhamos com resíduos e nunca utilizamos a palavra lixo”, disse ela, que exaltou ainda a preocupação social do evento. E finalizou sua fala explicando que, “em uma fogueira, cada madeira que constitui um feixe não é igual nem queima da mesma forma, porém, o conjunto todo, quando colocado numa lareira, acende uma chama intensa, emite luiz, aquece a todos e esquenta o ambiente. É uma combustão única e intensa. Nenhum de nós é melhor que todos nós juntos”. E foi aplaudida.

Cônsul geral do Japão em São Paulo (Aldo Shiguti)

Sonhos – Falando em sonhos, o presidente da Comissão Executiva, José Taniguti destacou que o sonho dos organizadores é realizar um festival cada vez melhor. “Vamos nos esforçar para isso. Trabalhando com seriedade, firmeza e determinação vamos conseguir atingir este objetivo. Com certeza o festival de 2020 será mais grandioso e mais bonito porque estamos evoluindo ano a ano para oferecer o que há de melhor para o público”, afirmou Taniguti.
Já o cônsul Yasushi Noguchi destacou os esforços do Kenren não só em organizar o Festival do Japão mas também em ajudar a expandir o conceito em São Paulo e em outros Estados. “Este ano, tivemos pela primeira vez o Festival do Japão em Americana e no final desta semana a Associação Esportiva e Cultural Nipo-Brasileira de Campo Grande também estará realizando o seu 1º Festival do Japão – MS. Para nós é muito importante essa tendência e o Consulado Geral do Japão e o governo japonês querem continuarão apoiando estas atividades e desejamos que o Festival do Japão de 2020 tenha muito sucesso”, concluiu Yasushi Noguchi.
Que venha, então, 2020.

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