CHIBARIYOO UCHINÁ: Clima de emoção e solidariedade marcam espetáculo em prol da reconstrução do Castelo de Shuri

Dirigido por Satoru Saito, segunda parte do espetáculo foi totalmente dedicada ao Castelo de Shuri (Jiro Mochizuki)

Em clima de emoção e solidariedade, a Associação Okinawa Kenjin do Brasil e Centro Cultural Okinawa do Brasil realizaram no último dia 8, na sede da AOKB, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o espetáculo Chibariyoo Uchiná – Show Beneficente em prol da reconstrução do Castelo de Shuri, símbolo de Okinawa e patrimônio mundial da Unesco. Com diversas apresentações realizadas pelos artistas da comunidade okinawana do Brasil e uma apresentação especial com o tema “Castelo de Shuri”, o evento contou com casa cheia e a renda obtida com a venda de ingressos e produtos, incluindo camisetas e bótons, será integralmente destinada ao Governo de Okinawa (Japão).
Numa demonstração de grandeza de espírito, cada um a sua maneira, todos fizeram questão de contribuir com o evento. Os cerca de 300 artistas, além de se apresentarem gratuitamente, também colaboraram financeiramente. A equipe de som e iluminação e outros membros da Comissão Organizadora também não cobraram nada pelos serviços prestados.
Dividido em dois blocos, o show teve duração de quase cinco horas. Na primeira parte foram apresentados números variados com diversos grupos, como a Associação Kenko Taissô do Brasil, alunos da academia Okinawa Shorinyu Karatê-Do Jyureikan Kobudo Jinbukai – Filial do Brasil, Requios Gueinou Doukoukai, Ryukuyu Kokum Matsuri Daiko, Okinawa Social Dance, Tamaguskuryu Gyokusenkai Shiroma Kazue Ryubu Dojo, Tamaguskuryu Teda Hakuyonokai Gushiken Yoko Ryubu Dojo, Ryukyu Minyo Kyokai. Tamaguskuryu Hananokai Tengan Sueko Ryubu Renjo, Tamaguskuryu Tedanokai Gushiken Shigeko Ryubu Dojo, Tamaguskuryu Kotarokai Omine Hatsue Ryubu Dojo, Ryukyu Minyo Hozonkai, Takaryu Hananokaui Izu Juliana Ryubu Renjo e Tamaguskuryu Kotarokai Senbu Chibana Chieko Ryubu Dojo.
O segundo bloco foi inteiramente dedicado em homenagem ao Castelo de Shuri. Dirigido pelo coreógrafo e dançarino Satoru Saito, a dança teatral Shurijo no Utage transmitiu toda a crença, a alma e a força dos uchinanchus para a reconstrução do castelo de Shuri.
O grand finale ficou por conta dos dançarinos dos Seinens de Santa Clara e Santo André.

Sadao Uehara, presidente da AOKB, discursa durante a abertura (Aldo Shiguti)

Pouco antes, na breve abertura, os dirigentes fizeram questão de destacar a força dos uchinanchus. O presidente da AOKB, Milton Sadao Uehara, lembrou o trágico incêndio ocorrido na madrugada do dia 31 de outubro – por volta das 14h30 do dia 30 no Brasil – e que fez ruir uma história de 500 anos. “Ficamos todos chocados com essa notícia pois aqui no Brasil ainda estávamos celebrando o Dia Mundial do Uchinchu”, conta Sadao Uehara acrescentando que, no dia seguinte, os diretores da AOKB se reuniram e decidiram abrir uma conta bancária e com a ajuda de todos os grupos artísticos, organizaram o espetáculo Chibariyoo Uchiná.

(Facebook/Terio Uehara)

Mobilização – Presidente da Comissão Organizadora – ao lado de Eiki Shimabukuro – , Tério Uehara também lembrou que naquele 30 de outubro “acordamos felizes pensando em como celebrar o Dia Mundial do Uchinanchu com os amigos e por volta das 14h30 veio a notícia que nos deixou atônitos, paralisados mesmo”.
“Abrimos a conta bancária e pensamos em outra forma de arrecadação de recursos. Perguntamos para as senseis e todos os representantes de grupos que imediatamente deram o seu ok”, disse Tério, explicando que ficou sensibilizado pois “muitas subsedes, como Santo André e Vila Carrão, já tinham marcado seus bonenkais para esse dia, mas adiaram em prol de uma causa maior”.
“O Castelo de Shuri era o maior símbolo da comunidade okinawana, mas acredito que nada acontece por acaso. Esta tragédia está mobilizando os uchinanchus do mundo inteiro e tenho certeza que, com a colaboração de todos, quando o castelo for novamente reconstruído, passará a ser não só o símbolo mas passará a representar também todo o espírito de de união, de luta e solidariedade dos uchinanchus”, disse Tério, lembrando que a campanha prossegue até 10 de fevereiro de 2020.

Solidariedade – Em mensagem enviada ao Jornal Nippak, o vereador Aurélio Nomura se soldarizou com a comunidade okinawana. “Quero me solidarizar com todo povo japonês e, em especial, de Okinawa, pelo incêndio no Castelo de Shuri, que destruiu um dos mais belos Patrimônios da Humanidade pela Unesco, construído há 500 anos pela Dinastia Ryukyu. Também quero estender esta solidariedade à comunidade okinawana que vive aqui no Brasil que, mais uma vez, mostrou sua união e sua força e, acima de tudo, o verdadeiro espírito Uchinanchu, com a realização da campanha de arrecadação de fundos, pela Associação Okinawa do Brasil, destinada à reconstrução do Castelo de Shuri. Essa campanha, essa ação solidária em prol de um bem característico de Okinawa, prova o respeito que a comunidade okinawana aqui do Brasil tem com seus antepassados e o compromisso em preservar as tradições que marcam a milenar cultura de Okinawa”, concluiu Nomura.

Campanha – Quem quiser participar pode fazer uma transferência e/ou depósito bancário na conta da Associação Okinawa Kenjin do Brasil do Banco do Brasil (Agência 1196-7 – CC: 46.457-0 – CNPJ: 62.270.434/0001-69).

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