Cerimônia em Cafelândia reverencia os 100 Anos do Falecimento de Humpei Hirano

Humpei Hirano faleceu precocemente, aos 34 anos de idade - REPRODUÇÃO
Humpei Hirano faleceu precocemente, aos 34 anos de idade – REPRODUÇÃO

Como acontece todos os anos, neste domingo (10), os membros da Associação Cultural Agrícola e Esportiva Hirano, no município de Cafelândia (distante cerca de 410 km da Capital), vão se reunir para reverenciar o falecimento do fundador da Colônia Hirano, Humpei Hirano, que faleceu em 6 de fevereiro de 1919, com apenas 34 anos de idade.
No entanto, o ritual, que costuma ser realizado na primeira semana de fevereiro, este ano ganhará uma importância ainda maior. É que em 2019 comemora-se o Centenário de seu falecimento e está prevista uma grande homenagem, com a realização da “Cerimônia em Reverência aos 100 Anos do Falecimento do Fundador da Colônia”.
O evento deve contar com a presença de diversas autoridades brasileiras e japonesas, entre elas o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, do prefeito de Cafelândia, Luiz Zampiere Ribeiro Pauliquevis e do presidente da Câmara Municipal local, Adilson Cirilo de Paula, além do presidente da Associação dos Shizuoka Kenjin do Brasil, Nagato Hara, e do presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Shinichi Yassunaga, entre outras.
Segundo o presidente da Associação Cultural Agrícola e Esportiva Hirano, Fábio Yamashita, os preparativos tiveram início em dezembro do ano passado, praticamente cinco meses depois da visita da princesa Mako, que esteve no Brasil por ocasião das comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil.
“Queríamos fazer algo maior pois trata-se de uma data significativa e de suma importância para nós”, explica Fábio Yamashita, descendente de uma das mais antigas famílias locais – seu avô, Sadaichi Yamashita entrou na Colônia Hirano com apenas 14 anos de idade, com o próprio Humpei Hirano, no grupo precursor formado por 20 pioneiros. Hoje, 9 famílias ainda moram no loocal. No auge, de 1904 a 1950 chegou a ter 300 famílias.

Princesa Mako acena para crianças durante visita a Cafelândia - NIKKEY SHIMBUN
Princesa Mako acena para crianças durante visita a Cafelândia – NIKKEY SHIMBUN

Homenagem – “O Humpei Hirano foi nosso líder e o fundador da Colônia Hirano. Então, devemos respeito à sua memória”, conta Fábio, que atualmente mora cerca de 1 km do Templo Heianzan Komyoji (Templo budista da Seita Jodo Shinshu Hompa Hongwanji), um dos primeiros templos budidtas construídos no Brasil.
A programação terá início às 9 horas, no cemitério local, com uma visita ao túmulo de Humpei Hirano. Em seguida está programada uma visita ao monumento em homenagem à fundação da Colônia Hirano, onde serão depositadas flores. No local também encontra-se o busto do fundador.
A cerimônia, propriamente dita, acontece dentro do oterá e será regida por Mario Kajiwara, seguida por uma apresentação da história da Colônia Hirano. “Será um resumo do relato que o então embaixador do Japão no Brasil, Akira Ariyoshi, fez em 1927”, conta Fábio Yamashita. Logo após os convidados e autoridades participarão de uma cerimônia de descerramento de uma placa alusiva à data.
Também está prevista uma homenagem singela ao presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Shinichi Yassunaga, por todo empenho e contribuição da federação por ocasião da visita da princesa Mako ao local.

(Arquivo Kohei Osawa)
(Arquivo Kohei Osawa)

Princesa Mako – Sobre a visita, aliás, Fábio Yamashita só tem boas recordações. Ele foi um dos poucos privilegiados que teve a honra de falar com Sua Aletza Imperial, a princesa Mako, durante sua passagem pelo Brasil. Na primeira visita de um membro da família imperial à Cafelândia, a princesa Mako depositou flores no monumento erigido aos pioneiros colonizadores. Fábio ainda se lembra como se fosse hoje aquela visita realizada em 23 de julho de 2018. “Ela disse que leu o livro ‘A Mata das Ilusões’, de Masao Daigo, que conta a vida de Humpei Hirano, e ficou comovida com a história. Expliquei para a princesa que o autor ficou hospedado duas semanas aqui e durante esse tempo conversou com o meu avô”, lembra ele, acrescentando que, para a cerimônia comemorativa, são esperadas entre 350 e 400 pessoas, sendo 150 delas de ex-moradores, que atualmente encontram-se espalhados pela Capital, Mato Grosso e Paraná.
A cerimônia será encerrada com um almoço.

Colônia Hirano conta hoje com 9 famílias

A Colônia Hirano, que em 2015 comemorou seu Centenário, atualmente, está reduzida a apenas 9 famílias. Mas nem sempre foi assim. No auge, nos anos de 1904/50, chegou a somar próximo de 300 famílias.
Hirano, natural da província de Shizuoka, foi um dos cinco interpretes contratados para acompanhar a primeira leva de imigrantes japoneses que chegou no porto de Santos, em 18 de junho de 1908. Hirano seguiu para a Fazenda Guatapará, na Linha Mogiana, acompanhando 23 famílias (88 pessoas) e marcou definitivamente seu nome na história da imigração japonesa no Brasil, como fundador da primeira colônia de japoneses ao longo da Estrada de Ferro Noroeste, região que a partir disso se destacaria pela maior concentração de pequenos proprietários.
No entanto, a Colônia Hirano foi um capítulo trágico da história da formação das colônias de japoneses no Brasil – uma invasão de gafanhotos, seguida por uma grande seca, destruiu as lavouras, e entre 70 e 80 imigrantes faleceram vítimas de malária.
Talvez, ao tomar conhecimento da história, a princesa Mako tenha se emocionado ao depositar flores no Memorial dos Pioneiros da Colônia Hirano. “Quando depositei flores no Memorial dos Imigrantes Pioneiros em São Paulo, no ‘Komyo Kannondo’ de Promissão, no Memorial dos Pioneiros da Colônia Hirano de Cafelândia, no Memorial dos Imigrantes em Manaus, e no Memorial dos Pioneiros em Tomé-Açu, pensei sobre as aspirações e as dificuldades dos pioneiros, além do longo caminho percorrido pelas comunidades nipo-brasileiras”, descreveu Sua Alteza Imperial sobre sua visita ao Brasil

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