CENB disponibiliza mapa das entidades nikkeis no Brasil

O presidente do Festival do Japão, José Taniguti durante apresentação do resultado da pesquisa
O presidente do Festival do Japão, José Taniguti durante apresentação do resultado da pesquisa

Você sabia que existe uma associação nipo-brasileira em Roraima (RR), a Anir ( Associação Nipo-Brasileira de Roraima) e que ela foi fundada no ano das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil? E que em Natal (RN) a Associação Cultural Nipo-Brasileira do Rio Grande do Norte tem como atividades o beisebol e o softbol? Ou ainda, que Associação Cultural Nipo-Brasileira de Colônia de Una, na Bahia (BA) foi fundada em 1957? A partir de agora é possível conferir essas e outras informações de 436 associações nikkeis pesquisadas pelo Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (CENB) em todo território brasileiro.

Fruto da pesquisa “A situação atual das comunidades japonesas no Brasil – Um país de sociedade multicultural”, o mapa traz informações báscias como nome, localidade, ano de fundação, número de associados, atividades e eventos, além de foto do kaikan.

Os dados estão disponíveis nos sites do CENB e da Nikkeyweb. Futuramente, segundo a pesquisadora do Cenb, Tamiko Hosokawa, a ideia é disponibilizar também um relatório mais detalhado em formato de PDF.

O resultado da pesquisa em campo nas associações foi apresentado pela segunda vez – a primeira foi em novembro do ano passado, na Japan House São Paulo – no dia 14 deste mês, na sede do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), no bairro da Liberdade, em São Paulo, para voluntários dos kenjinkais (associações de províncias) – possivelmente o próximo alvo da pesquisa.

A pesquisa, que envolveu 18 pesquisadores, teve início em 2016 e teve duração de dois anos e meio. Segundo a pesquisadora Sueli Utsunomiya, o estudo teve como objetivo pesquisar a fundo a comunidade nipo-brasileira com o intuito de colher informações como a influência das associações nikkeis em suas regiões e como elas se relacionam com a comunidade local. Tamiko Hosokawa completa: “A ideia também é valorizar a comunidade nikkei e contribuir para que ela ache uma nova identidade e também para que, a partir de agora, as pessoas tenham um novo olhar sobre esta nova sociedade”.

Nesta etapa, não foram pesquisados kenjinkais, nem clubes e associações religiosas. “Muitas pessoas acham que a comunidade nikkei está acabando ou se extinguindo, mas a cultura japonesa continua sendo preservada”, diz Sueli, lembrando que uma pesquisa como essa não era feita desde o censo realizado durante as comemorações dos 80 anos de imigração japonesa no Brasil, portanto, há 30 anos.

 

Metodologia – “O mundo mudou e as associações nikkeis estão acompanhando essa evolução, mas não acabando”,  conta a pesquisadora, revelando que surgiram algumas críticas pela metodologia aplicada. “Se utilizássemos qualquer outro meio, como o telefone, por exemplo, não teríamos essa riqueza de informações”, explicou, destacando que para todas as localidades foram enviados dois pesquisadores, um com fluência em japonês e outro em português. “Somente no local definíamos como seria a pesquisa”, observa, acrescentando que o questionário apresentava 142 questões e, para repondê-las, as  visitas, que demoravam em média entre 2 e 4 horas, reuniam desde o presidente, passando por diretores e membros do Fujinkai até tesoureiros, “ou ainda alguém que conhecesse a fundo a história do kaikan”. “Fomos muito bem recebidos em todos os lugares”, destaca Sueli, afirmando que também foram feitas entrevistas com moradores das cidades – não necessariamente descendentes de japoneses.

Dados – A  pesquisa revelou que, das 436 associações nikkeis existentes no país, 58%  – ou 242 delas – se concentram no Estado de São Paulo, sendo que a Capital conta com 45 (10%) desse total.  Em segundo lugar fica o Paraná, com 77 (18%), em terceiro,  Rio de Janeiro com 19, seguido por Minas, com 17 e Mato Grosso do Sul, com 16.

“Kaikan” também é a denominação como boa parte (43%) dos entrevistados conhecem a associação, seguida por “Nipo” (11%), “Bunkyo” (3%) e “Bunka” (2%). Mas a maioria (41%) citou outras formas, como “clube japonês”. A pesquisa também revelou que, apesar de muitas entidades já estarem passando o bastão para as novas gerações – em 80% dos kaikans as reunião são feitas no idioma português – ainda não existe nenhum kaikan cujo presidente seja yonsei. A maioria, 61%, são nisseis, com sanseis na segunda posição com 22%. Em 104 delas os presidentes têm entre 70 e 79 anos, em cinco tem entre 90 e 99 anos e apenas 1 tem entre 20 e 29 anos.

Vinte e sete das associações cobram anuidade acima de R$ 600,00 e em 203 os associados pagam entre R$ 121,00 e R$ 600,00. Para 81% o tradicional bonenkai é a principal comemoração do ano seguida pelo Shinnenkai, com 76%. Em 11 associações o tanabata é o principal evento do ano e 30% disseram que o evento faz parte do calendário do município. Outro fato interessante é que 74% das associações disseram que tem a presença de pelo menos uma categoria de políticos (deputado federal, deputado estadual, verador ou prefeito) em suas festas e 22% responderam que contam com todos os representantes.

Em 264 associações o yakissoba é o prato mais vendido, seguido por sushi e sashimi (222) e dos doces (2011). Cerca de 90% tem sede própria e praticamente todas apresentam em comum um salão com um palco, além de uma espaçosa cozinha.

 

Orgulho – Sobre os objetivos e funções da associação, 96% disseram que tem a confraternização como principal objetivo. Outro dado interessante é que muitos kaikans começaram com o Nihongakko (Departamento de Língua Japonesa) e 139 ainda mantém a escola ativa nos dias de hoje.

Já em 70% deles existe um Fujinkai – sendo que em muitos são os Departamentos Femininos que sustentam os Kaikans – e em, contrapartida, 78% não tem um Departamento Jovem.

 

Orgulho – Um fato interessante revelado pela pesquisa é que a honestidade ainda é vista como a principal característica dos nikkeis, seguido pelo respeito e pela educação.

Para a pergunta “Você tem orgulho de ter sangue japonês?”, a porcentagem de pessoas que responderam “sim” foi de 97% entre os isseis, 96% entre os nisseis, 98% entre os sanseis e 98% entre os yonseis, com uma média de 97%, mostrando que “a maioria tem orgulho, independentemente da geração”.

Mais informações nos sites do CENB (www.cenb.org.br/) e do Nikkeyweb (www.nikkeyweb.org.br)

(Aldo Shiguti)

 

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