CANTO DO BACURI > Mari Satake: O vice

É jovem ainda.

Herdeiro de uma tradição que remonta há mais de quatro séculos em país altamente civilizado, antes dos trinta anos de idade, veio a passeio ao país. Sua estadia por aqui foi de apenas alguns poucos dias. Havia uma extensa agenda a cumprir e como integrante de uma grande comitiva, não teve como escapar do intenso programa de atividades programadas. Assim como chegou, partiu. Aparentemente, sem quase nada experimentar do país.

Para as pessoas daqui ele era apenas um dos poucos jovens integrantes daquela grande comitiva. No entanto, dois ou três anos depois, chegou a notícia. Haveria substituição no quadro de representantes da matriz. Iria embora o atual vice da corporação e em seu lugar chegaria seu substituto. Sabia-se que o substituto era bem jovem ainda, alguém de menos de trinta anos de idade e dono de um extenso currículo. Pessoa altamente qualificada tecnicamente para ocupar o posto.

Numa bela manhã ensolarada, chegou o futuro substituto do vice. Rapaz franzino de aspecto jovial, apresentou-se. Com uma pequena cola em suas mãos fez um breve discurso durante o café da manhã.  Falou seu nome, sua idade, seu local de origem e seu desejo e expectativa de cumprir bem o papel que teria a frente. Tudo em língua portuguesa. Caiu na graça de todos. Naquela manhã mesmo, os que estavam presentes já ficaram sabendo.

Ele era um dos jovens integrantes daquela grande festa anos atrás. Viu e se encantou com as pessoas e dinâmica do local, apesar do pouco contato com as pessoas daqui. Logo ao voltar ao seu país, tratou de buscar informações sobre a possibilidade de se transferir por algum tempo. Tratou de ir coletando informações sobre o distante país tropical. Para sua sorte, não demorou muito para ser consultado se realmente queria sair de sua zona de conforto e se mudar para o outro lado do mundo. Viria para assumir o posto do vice que deveria retornar ao país com sua jovem família. Radiante com a boa nova em sua vida, começou a se preparar. Estudar a língua portuguesa foi um dos passos.

Muitos anos já se passaram desde que chegou. Hoje, se perguntarem a ele do que ele mais gosta aqui, é capaz que responda: – Caipirinha! De pinga. Se o assunto for futebol, seu time de preferência é claro, não é o Corinthians. É Palmeiras. E nem adianta perguntar por que ele prefere o Palmeiras, ele não responderá. Fora isso, o que mais se sabe dele? Pouco, muito pouco. De relevante, sabe-se que é um jovem que trabalha muito e não mede esforços para manter a sua corporação funcionando bem aqui e nos demais países do bloco que representa.

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