CANTO DO BACURI > Mari Satake: Manbiki Kazoku

Em português, ganhou o título: “Assunto de Família”. Passou pela primeira vez no Brasil durante a programação da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Atualmente, está em cartaz desde a primeira quinzena do mês em circuito comercial normal.
Um homem e uma criança. Pai e filho? Dentro de um pequeno supermercado fazem pequenos furtos que garantem a sobrevivência deles e da família. Com a compra do dia garantida, tranquilamente, voltam para casa. Antes, o pai sugere uma paradinha no quiosque da rua para comprarem o melhor croquete da cidade. No caminho, um pequeno barulho lhes chama a atenção. Aproximam-se. Por uma fresta, uma garotinha, faminta, apenas os olha. O homem lhe oferece um croquete. É noite e está frio. O homem acha que a garotinha ficaria melhor abrigada se ele a levasse para casa. A criança não lhe oferece a menor resistência.
A chegada da garota causa estranheza nos outros membros da família, mas nada os impede de bem receber a garota. Inicialmente, a esposa quer que o marido a devolva assim que todos comerem. O marido argumenta que está muito frio para saírem de noite. Assim, a garota fica ali com a família e vai se integrando a nova rotina familiar.
A família vive numa pequena casa de único cômodo num local rodeado de altos prédios. Naquele apertado cômodo convivem a matriarca, a neta, o neto com a esposa e o quase adolescente, parceiro constante do pai. A chegada da garota causa um certo alvoroço na família, alguém diz que podem ser acusados de terem sequestrado a garota. A esposa diz que não, não pediram resgate algum, então não podem ser acusados de algo que não cometeram. Assim, a ideia é assimilada e a família passa a ter a mais nova integrante, a pequena Yuri. A essa altura, a matriarca, a avó da família já percebeu que a pequena era vítima de maus tratos na sua família de origem. Com muito cuidado cuida das feridas da menina cobrindo-a de afetos e carinhos.
Não demora muito e o noticiário na tv mostra a reportagem da pequena garota que sumiu de casa e seus pais não deram queixas à polícia. A nova família age rápido. Compram novas roupas para a garota, mudam o corte de seu cabelo e lhe dão um novo nome para usar a partir daquele dia. De bom grado, a garota adere à ideia e repete seu novo nome. Com o garoto, o pai usa bons argumentos para fazê-lo aceitar a menina como sua irmã a quem ele deve proteger e ensinar o que sabe. Um pouco relutante no início, o garoto acaba obedecendo ao pai.
A pequena logo se mostra uma boa aprendiz e como o irmão repete os mesmos gestos com as mãos antes de entrar em ação. Fato este que não passa despercebido pelo comerciante vítima costumeira dos pequenos delitos do garoto. Sutilmente, oferece balas ao garoto para que ele dê a sua irmãzinha e pare de ensiná-la a cometer os mesmos delitos que seu pai lhe ensinou.
Não demora muito e o inesperado atinge a família. Em grande final, a matriarca abandona a família e silenciosamente deixa todos e a vida após a prazerosa tarde de brincadeiras na praia com a família reunida. O que vemos em seguida é o desespero do neto e sua esposa. Eles agem rápido, afinal, a vida deles prossegue, farão de tudo para se sustentarem como família, apesar da ausência da avó.
Mas, dali para frente, pequenos acontecimentos farão com que as coisas tomem um rumo inesperado para todos.
Belo filme de Hirokazu Kore-eda, ganhou a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cannes de 2018. Vale muito a pena ver.

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