CANTO DO BACURI > Mari Satake: 2019

O calendário marca. O ano é novo.
Aqueles dias iniciais de nada fazer, agora são lembranças recentes. As contas novamente batem à porta, as datas dos compromissos habituais se aproximam, os amigos começam a dar sinal de vida.
Só agora ela se lembra de procurar pela programação nas salas de cinema. Ah! O cinema. Desta vez, nenhuma de suas habituais companhias de cinema do início do ano se lembraram de sugerir algum filme para verem juntas. Ela se pergunta. Por que será? Pensa. Também elas não devem ter se lembrado ainda de ver como anda a programação na cidade.
Se lembra do cronista que descobriu há uns dois, três anos, procura por seus textos. Nada recente. Que pena! Qualquer dia desses ele volta a escrever alguma coisa legal, ela espera. Agora, deve estar às voltas apenas das palavras de seu ofício.
Apesar de tudo, a vida deve seguir. A vida anda. A vida cobra que façamos o melhor que pudermos.
Sorri.
Lembra-se da mãe dizendo: – Gambate, né!?
Ela se pergunta o que diria a mãe nestes dias tristes, de tristes ocorrências e desmandos. Ela não diria nada diferente. Apenas talvez mudasse a expressão final e a entonação de suas palavras: – Gambate, kudassai!
Estamos vivos, a vida prossegue. Façamos de nossos dias e nossas vidas, o melhor. Enquanto possível: – Gambate, kudassai!

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