CANTO DO BACURI: As águas que rolam

As águas que rolam

Quando o novo dá início o traço do velho
Incomoda
Ainda o passado não se deu conta
Que as águas rolam em pedras redondas
Nas cascatas rebentando a luz
A penetrar pelas folhas dos coqueirais.

Passageiro foi o tempo de um passado
Que passou
Deixando apenas um rastro de pássaro
Pelas areias de uma praia abandonada.

Mas veio um dia um vento na curva
Do tempo e varreu de vez
Qualquer marca uma vez deixada
De um pássaro que morreu.

Para quê chorar um amor que ficou
Em algum lugar guardado
Apenas na mente
Que nunca o tempo passou.

Se assim for
No silêncio das noites longas
Dos dias que se repetem
Apenas neste instante
No vácuo do tempo
O tempo parou.

Deixem assim que os homens sonhem
Uma eternidade
Que possam sorrir
Também se entristecer se assim quiserem
Assistir na tela de suas retinas
Uma vida inteira de intensas emoções
Sensações diversas
Das cores mais variadas de um arco-íris
Que continua a exibir as suas cores.

Mas um dia possam acordar
De uma vida sonhada
Num sonho de estar acordado
Sem saber de que se tratava
Ser
Ser um sonho apenas.

O palhaço do ônibus

Alguém interrompe o sono
Dos sonolentos
De um ônibus da periferia
Anuncia ser um palhaço
Um palhaço que pede dinheiro
Por sua arte
Arte que pede uma ajuda
Uma arte que precisa ser ajudada.

Um palhaço que pede ajuda
De cara pintada
Um palhaço mulher
Um palhaço homem
Um palhaço que pede ajuda
Outro palhaço que dá ajuda
Um palhaço ajudando o outro.

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