Câmara Municipal de São Paulo homenageia empresário e líder Pedro Yano

(Jiro Mochizuki)

Por iniciativa do vereador George Hato (MDB), a Câmara Municipal de São Paulo realizou, no último dia 11, sessão solene em que concedeu o título de Cidadão Paulistano ao empresário e atuante dirigente da comunidade nikkei, Pedro Yano. Realizada no Plenário 1º de Maio, a homenagem contou com a presença do cônsul geral adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Akira Kusunoki; do vice-presidente da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, Sérgio Oda; do Tesoureiro do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenji Kiyohara; do presidente da Comissão Organizadora do 23º Festival do Japão e da Associação Wakayama Kenjinkai do Brasil, José Taniguti; do diretor da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Toshio Yamao; do presidente da Associaçao Fukuoka do Brasil, Inácio Hirayama; e do diretor da Confederação Brasileira de Sumô, Masatoshi Akagi.
Filho de Kiyoji Yano, natural da Província de Fukuoka (Japão), que imigrou para o Brasil em 1914, com apenas 14 anos, e de Sadako Yano, também natural da Província de Fukuoka (Japão), Pedro Yano nasceu em 10 de agosto de 1933, na Fazenda Santa Tereza, município de Araçatuba (SP).
Passou a infância em Valparaíso, colônia Santa América, no município de Getulina, na época comarca de Lins. Na juventude, de 1948 a 1965, trabalhou com a família no cultivo de café no sítio São Pedro, comarca de Flora Rica, município de Pacaembu. De 1951 a 1954, cursou a Escola Prática de Agricultura em Piraçununga.
Em 25 de fevereiro de 1966, atendendo ao desejo dos pais, deixou o sítio aos cuidados do irmão Massao e veio com a família para São Paulo para estabelecer-se na Estrada Velha São Paulo – Rio, 1.290 – Bairro de São Miguel Paulista, nesta Capital.
Em 1978, Yano concluiu o curso de bacharelado em Direito e em 1979 é inscrito na OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, Sessão São Paulo.
Na comunidade nipo-brasileira, Pedro Yano ocupou diversos cargos nas associações e entidades. Foi duas vezes presidente da Associação Cultural e Desportiva Nikkei de São Miguel Paulista e duas vezes presidente da Associação Fukuoka do Brasil.
Com ajuda da Associação Fukuoka do Brasil, da Província de Fukuoka e da Jica (Japan International Cooperation Agency) – a Ag~encia de Cooperação Internacional do Japão – obteve a doação de um conjunto de “taikos” (tambores japoneses), talvez, os primeiros do Brasil. Essa mesma parceria proporcionou a vinda, do Japão, de um professor/instrutor de taiko. Esse trabalho culminou com a participação de 1.200 percussionistas no Sambódromo do Anhembi nas Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, em 2008.
Em 2004, Pedro Yano sucedeu o senhor Hiroshi Nishitani, o idealizador do Bosque das Cerejeiras e assim assumiu a presidência da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, entidade organizadora da tradicional Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo, que neste ano realizou sua 41ª edição.

O homenageado e sua esposa com o vereador George Hato e demais autoridades e convidados presentes na sessão solene (Jiro Mochizuki)

Precursor – Amigo de longa data do homenageado, Masatoshi Akagi foi sucinto em sua fala. “O que ele faz não está escrito”, resumiu. Já Inácio Hirayama, discursando em nome da Associação Fukuoka, destacou os benefícios do homenageado em prol da sociedade brasileira e em especial o seu trabalho frente ao Kenjinkai de Fukuoka, contribuindo para o fortalecimento das relações Brasil-Japão. “Sua gestão na Associação Fukuoka ficará marcada por ter sido o precursor na divulgação da arte de tocar taikô, no estilo wadaiko”, disse Hirayama, lembrando que hoje o estilo wadaiko é praticado em qualquer canto do país. “Por certo, mérito do senhor Pedro Yano”, afirmou.
José Taniguti também deu seu “testemunho” explicando que conhece Pedro Yano há cerca de dez anos, “quando eu era diretor e depois presidente de uma entidade chamada Kodomo-no-Sono”. “Nessa época, ele ajudou a vender nossos famosos talões de rifas na Associação das Cerejeiras”, disse Taniguti, acrescentando que, posteriormente, como presidente da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, ele tem ajudado muito a animar o Festival do Japão com a Parada Taiko, ,“que atrai muita gente”.

Visionário – Coube ao vice-presidente da Federação de Sakura e Ipê do Brasil, Sergio Oda, falar sobre a atuação de Pedro Yano “junto a nossa Federação, que originalmente era conhecida como Associação das Cerejeiras do Parque do Carmo”. “A associação, de existência informal, foi formada por 22 entidades que em 1977 realizou o primeiro plantio de cerejeiras (sakuras), no Parque do Carmo, recém-inaugurado pelo então prefeito Olavo Setubal. O envolvimento do senhor Yano com a Cerejeiras decorre de sua participação na Diretoria das Associação Cultural e Desportiva de São Miguel Paulista. Além desta entidade local, o senhor Yano atuou na Presidência do Fukuoka Kenjinkai e fundou a Associação Brasileira de Taikô, sendo o responsável pela vinda do mestre Yukihisa Oda com apoio da Jica. E este fato foi essencial para a disseminar a prática do taikô no Brasil”, recordou Oda, destacando que Pedro Yano assumiu a presidência da Associação das Cejeiras em 2004, em substituição ao saudoso senhor Hiroshi Nishitani, “que nos liderou por muitos anos”.
“Antevendo os novos tempos, em que a formalização das associações seria indispensável, o senhor Yano trabalhou pela consituição formal do grupo, o que acabou se concretizando em 2005 com o registro da Federação de Sakura e Ipê do Brasil”, disse, acrescentando que este ano a festa das Cerejeiras do Parque do Carmo atingiu a sua 41ª edição e nos últmos anos, “tanto o evento quanto o bosque das cerejeiras sofreram grandes transformações”.

Hanami – “O bosque original, com 1500 plantas, ganhou a companhia de uma nova área, com 2500 mudas e talvez seja o maior do mundo fora do Japão. Percebendo que o público da festa aumentava ano a ano e que a Federação não conseguiria oferecer estrutura, segurança e conforto a esse público, [Pedro Yano] foi atrás de recursos para ampliação do evento, que passou de um para dois dias e depois para três dias”, disse Oda, lembrando que desde 2015 a festa começa na sexta-feira e termina no domingo.

Patrimônio – Segundo ele, a Festa das Cerejeiras ou Sakura Matsuri, que começou recatadamente como encontro da comunidade nipo-brasileira para celebrar a florada, cantando e dançando enquanto saboreiam o obentô – a tradicinal marmita japonesa – cresceu e atraiu pessoas de todas as origens para a prática do hanami, a contemplação das flores das cerejeiras (sakura) e reverência à natureza. A festa, agora, é um grande evento da cidade de São Paulo. O bosque é um patrimônio adorado pela população da cidade, recebendo visitantes durante todo o período da florada. Uma vitória para a Fedreação e em especial para o senhor Pedro Yano, sempre preocupado em passar um pouquinho da cultura japonesa para a sociedade brasileira . Assim foi com o taikô, assim está sendo com o sakura”, finalizou Sergio Oda.

Outro a citar o costume tradicional japonês de contemplar a beleza das flores, foi o cônsul adjunto, Akira Kusunoki. “A flor de cerejeira é considerado um símbolo muto importante da cultura japonesa, sendo muito apreciada na época da primavera nos tradicionais hanamis. Fico muito feliz em ver o cultivo desta bela flor e a forma como passou a ser apreciada no Brasil”, disse Kusunoki, lembrando que este ano teve oportunidade de asisstir a Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo e ficou impressionado com o que viu. “Lembrei que em 2008 tivemosa a honra de receber a visita do principe herdeiro, hoje imperador do Japão, Naruhito, que ascendeu ao trono este ano. O senhor Pedro Yano tem desempenhado um papel importante na relação e no estreitamento da amizade entre o Brasil e o Japão”, destacou Akira Kusunoki.

Pedro Yano com o proponente da homenagem, George Hato (Jiro Mochizuki)

Singular – Proponente da homenagem, George Hato disse que o título de Cidadão Paulistano “é a mais alta honraria que a Câmara Mucipal de São Paulo pode outorgar”. “É uma grande honra para São Paulo recebê-lo como filho. Uma homenagem que enriquecerá ainda mais a nossa cidade ao torná-la mãe de um homem honrado, inteligente, sensível, sagaz e de uma modéstia que só encontramos em seres humanos muito singulares”, justificou o parlamentar, que destacando ainda sua alegria “em saber que o homenageado foi um grande amigo do meu pai, o deputado estadual Jooji Hato, que tinha pelo Pedro Yano uma grande admiração e respeito”. A amizade, conta, que início durante sua rápida passagem pela cidade de Pacaembu, cidade natal do saudoso deputado.
Ao Jornal Nippak, o vereador disse que Pedro Yano é, também, “uma grande liderança da comunidade nipo-brasileira. “Então, fico muito honrado em poder homenageá-lo. Tenho uma gratidão enorme por ele, que faz um trabalho maravilhoso na zona Leste de São Paulo e é um grande exemplo a ser seguido. O Pedro Yano é um grande orgulho para todos nós”, ressaltou o vereador.
Antes do discurso do homenageado, a filha Nair falou em nome da família e agradeceu aos associados, voluntários, funcionários e diretores. “Graças a eles é que nós conseguimos realizar um pouco do sonho que meu pai sempre desejou”.

Pedro Yano e a esposa, dona Katuki, com familiares (Jiro Mochizuki)

Retribuição – Humilde ao extremo, Pedro Yano também agradeceu e compartihou a homenagem porque “tudo que a gente consegue é através do esforço, do apoio, da colaboração e da compreensão dos nossos associados e dos voluntários, bem como o poder público municipal, estadual e federal que também tem nos apoiado em nossos eventos”.
Ao Jornal Nippak, Pedro Yano brincou afirmando que “agora preciso trabalhar ainda mais porque a responsabilidade dobrou”. “Enquanto Deus me der saúde vou trabalhar”, disse ele explicando que aprendeu o sentido da palavra “retribuir”. “Depois que entendi o significado, fiquei mais leve. É uma mudança onde temos que nos educar a nós mesmos. Tudo que a gente faz é uma retribuição. Estou retribuindo porque já ganhei, porque tudo que tem aqui não foi feito por mim. Foi feito pelos nossos antepessados e pelos pioneiros, não só japoneses, mas de outras nacionalidades que vieram para o Brasil. Então, agradeço os antepassados de todas as etnias porque na minha infância trabalhei também com italianos”, disse o mais novo Cidadão Paulistano.

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