Câmara dos Deputados homenageia os 111 Anos da Imigração Japonesa

Embaixador Akira Yamada com os deputados nikkeis Luiz Nishimori e Kim Kataguiri (Michel Jesus - Camara dos Deputados)
Embaixador Akira Yamada com os deputados nikkeis Luiz Nishimori e Kim Kataguiri (Michel Jesus – Camara dos Deputados)

Em homenagem aos 111 anos da imigração japonesa no Brasil, comemorado no dia 18 de junho, a Câmara dos Deputados realizou, no dia 11 de junho, no Plenário Ulysses Guimarães, sessão solene presidida pelo deputado Luiz Nishimori (PR-PR) e requerida em conjunto com o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) e deputada distrital Júlia Lucy (NOVO). Estiveram presentes o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada, o presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikawa, o representante chefe da Jica, Hiroshi Sato, o chefe da Divisão do Japão e da Península Coreana do Ministério das Relações Exteriores, Maurício Candeloro, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Toshifumi Murata, o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, Eduardo Suzuki e o presidente do 22º Festival do Japão, José Taniguti, além dos deputados Kim Kataguiri, Evair Vieira de Melo (PP-ES), Luizão Goulart (PRB-PR), Vitor Lippi (PSDB-SP) e Marcel Van Hattem (NOVO-RS), entre outros.
O embaixador Akira Yamada falou sobre a importância da dedicação dos primeiros imigrantes. “Apesar de terem enfrentado inúmeras dificuldades, os imigrantes dedicaram-se com afinco e os seus descendentes deram grandes contribuições ao desenvolvimento do Brasil e tornaram-se hoje membros indispensáveis da sociedade brasileira”.

Renato Ishikawa (Michel Jesus - Camara dos Deputados)
Renato Ishikawa (Michel Jesus – Camara dos Deputados)

Em discurso lido no Plenário, o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa contou a história da entidade e destacou a contribuição dos japoneses para o desenvolvimento do país, em especial, na agricultura. “Nossos pioneiros chegaram para trabalhar na terra, mas não eram somente produtores rurais. Havia nos navios diversos outros profissionais que escolheram o Brasil em busca de melhores condições. De qualquer forma, a agricultura foi uma das áreas mais favorecidas pelo intercâmbio Brasil-Japão. Entre inúmeras contribuições ao longo dos 111 anos, participamos das frentes de expansão desbravando regiões, aplicamos novas formas de plantio, recebemos técnicos japoneses para aprimoramento de cultivares, tivemos o financiamento do Japão para o Prodecer – Programa de Desenvolvimento dos Cerrados e desenvolvemos na Amazônia o Sistema Agroflorestal buscando a preservação da floresta nativa em harmonia com as áreas cultivadas”, explicou Ishikawa, acrescentando que “entre as famílias, aqueles escolhidos para não cultivar a terra tiveram que se empenhar duro nos estudos para conquistar qualificação em outras profissões, valorizando o sacrifício dos pais, além de buscar por um futuro ainda mais promissor para seus filhos. Hoje temos representantes em todos os segmentos sociais, inclusive entre os deputados nesta Casa”.

Kim Kataguiri (Michel Jesus - Camara dos Deputados)
Kim Kataguiri (Michel Jesus – Camara dos Deputados)

Parceria – O presidente do Bunkyo destacou ainda a participação das empresas japonesas e de organizações da comunidade nipo-brasileira no desenvolvimento econômico, notadamente na área rural do Brasil e citou alguns projetos concretizados, entre eles o Prodecer (Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados) e destacou alguns frutos desta parceria, como a Cenibra, a Albras, Ishibras, Usiminas e Grupo Jacto.
Sobre a comunidade nipo-brasileira, Renato Ishikawa explicou que “sempre tem o reconhecimento especial do Japão” e lembrou as visitas realizadas pelos membros da família imperial, desde 1958, no primeiro grande evento da imigração japonesa, que celebrou 50 anos, com a presença do Príncipe Mikasa, irmão do então Imperador Showa, e de sua esposa Princesa Yuriko, até mais recentemente, no ano passado, com a Princesa Mako.

Luiz Nishimori (Michel Jesus - Camara dos Deputados)
Luiz Nishimori (Michel Jesus – Camara dos Deputados)

Desafios – Disse que “como nossos pioneiros, inúmeros desafios, entre eles a necessidade de certificações que favoreçam a realização de nossas atividades, como a Cebas – Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social, que tem nos conferido desde 1967, ano da primeira certificação, a imunidade tributária que é convertida para atividades voltadas principalmente em favor dos idosos”. “São projetos voltados ao envelhecimento saudável. Mas que, na renovação de 2018, tivemos indeferimento, e estamos no aguardo do resultado do pedido de reavaliação. Gostaríamos de contar com o apoio dos senhores parlamentares no sentido de termos condições de dar continuidade ao nosso trabalho em prol dos desfavorecidos”, solicitou Ishikawa, acrescentando que, “ilustrar o que significa a Comemoração da Imigração Japonesa no Brasil implica em relembrar, agradecer, desenvolver e disseminar aquilo que herdamos e aprendemos com nossos pioneiros imigrantes”.
Já Luiz Nishimori comentou sobre a recente viagem ao Japão em missão oficial com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abstecimento e revelou a importância da relação bilateral entre os dois países.

Apresentação do Coral Nipo-Brasileiro do Distrito Federal (Michel Jesus - Camara dos Deputados)
Apresentação do Coral Nipo-Brasileiro do Distrito Federal (Michel Jesus – Camara dos Deputados)

Linha do Tempo

A Linha do Tempo da Imigração Japonesa

Desde o início da imigração japonesa no Brasil, que tem como marco a chegada do navio Kasato Maru, em Santos, no dia 18 de junho de 1908, os imigrantes japoneses obtiveram muitas conquistas e vitórias, superando inúmeras dificuldades. Confira abaixo a Linha do Tempo da Imigração Japonesa, desde 1908 aos dias atuais.
18 de junho, 1908 – Chegada do navio Kasato Maru, em Santos. Do porto de Kobe a embarcação trouxe, numa viagem de 52 dias, os 781 primeiros imigrantes vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão, além de 12 passageiros independentes.
Fevereiro, 1911 – Os primeiros lotes adquiridos por imigrantes japoneses, a partir do projeto de colonização Monções, localizavam-se na vizinhança da Estrada de Ferro Sorocabana, junto à estação Cerqueira César.
Março, 1912 – O Estado de São Paulo doa terras, na região de Iguape, onde famílias de imigrantes são assentadas, a partir do contrato de colonização firmado entre uma empresa japonesa e o governo paulista.

Agosto, 1913 – Chegam ao Brasil 107 imigrantes para trabalhar no garimpo, em Minas Gerais. Foram os únicos imigrantes japoneses da história a trabalharem com mineração.
Março, 1914 – O governo estadual avisou à Companhia da Imigração que não mais subsidiaria a viagem de japoneses para o Brasil, já que a situação do Estado era desfavorável. Na época, o contingente de trabalhadores japoneses no Estado de São Paulo já estava por volta de 10 mil pessoas.

ADAPTAÇÃO CULTURAL

1918 – As irmãs Kumabe, alunas da Escola Normal do Rio de Janeiro, são as primeiras duas professoras oficiais saídas da comunidade.
1923 – O primeiro dentista de origem japonesa forma-se na Escola de Odontologia de Pindamonhangaba. Surgem polêmicas sobre os imigrantes, povo exótico no país. Tanto no âmbito executivo como no legislativo surgem opiniões a favor e contra a entrada de novos imigrantes japoneses
1932 – Segundo dados do Consulado Geral do Japão em São Paulo mostram que a comunidade nikkei, na época, era composta por 132.689 pessoas. A maior concentração de pessoas nas colônias situava-se ao longo da linha Noroeste da Companhia Paulista de Ferrovias. Desse total, 90% dedicava-se à agricultura.
1938 – No ano antecedente ao início da II Guerra Mundial, o Governo Federal começou a restringir as atividades culturais e educacionais dos imigrantes. As comunidades oriundas dos países integrantes do Eixo Roma-Berlim-Tóquio começaram a sentir os sintomas do conflito.
1940 – A circulação de todas as publicações em japonês é proibida. No ano seguinte, chegaram às últimas correspondências do Japão. Até o fim da guerra, os japoneses viveram um período de rigorosas restrições, inclusive com o confisco de seus bens.
1948 – O primeiro nikkei a ocupar um cargo eletivo em uma capital é Yukishige Tamura, eleito vereador em São Paulo. O clima de paz e harmonia volta a reinar, aos poucos, nas relações entre descendentes japoneses e a sociedade brasileira.
1949 – O comércio entre Brasil e Japão é promovido por meio de um acordo bilateral. O Governo Federal anunciou, um ano depois, a liberação dos bens confiscados dos imigrantes dos países do Eixo.
1951 – As empresas japonesas, encorajadas, começam a planejar investimentos no Brasil. Cinco mil famílias imigrantes são autorizadas, pelo governo brasileiro, a entrar no país.
1958 – O príncipe Mikasa, irmão do imperador Hirohito, visita o Brasil para participar das festividades do cinqüentenário da imigração japonesa. O número de japoneses e descendentes no país somavam 404.630 pessoas.
1962 – A integração social e política dos brasileiros descendentes de japoneses é cada vez mais acentuada. Seis nisseis são escolhidos nas urnas: três para a Câmara Federal – Minoru Miyamoto, do Paraná; João Sussumu Hirata e Yukishige Tamura, de São Paulo – e três para a Assembléia Legislativa de São Paulo – Ioshifumi Utiyama, Antônio Morimoto e Diogo Nomura).
1964 – A sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa – Bunkyo é inaugurada na Rua São Joaquim, em São Paulo.
1967 – O casal imperial visita o Brasil pela primeira vez. Na recepção ao príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko, a comunidade nikkei lota o estádio do Pacaembu, em São Paulo.
1973 – Chega em Santos, São Paulo, o navio Nippon Maru, último a transportar imigrantes japoneses.
1978 – A imigração japonesa no Brasil festeja 70 anos. O casal imperial Akihito e Michiko participou das festividades e, novamente, a comunidade lota o Pacaembu. No mesmo ano, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa – Bunkyo – inaugura, em São Paulo, o Museu da Imigração Japonesa no Brasil.
1978~1987 – A integração consolida a nova identidade dos nikkeis.
Tendo como tema o Japão e seus imigrantes, surgem a partir da década de 70, as primeiras obras literárias de vulto escritas por nikkeis, entre elas: Japão Passado e Presente, de José Yamashiro (1978); História dos Samurais, também de Yamashiro (1982); O Imigrante Japonês, de Tomoo Handa (1987).
1988 – Com a presença do príncipe Aya, filho de Akihito, é comemorado o 80º aniversário da imigração japonesa no Brasil.
Década de 90 – Em meados de 1988 surge o fenômeno dekassegui. A ida de milhares de japoneses e descendentes do Brasil para o Japão atinge o auge no início dos anos 90.
1991 – A Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa – Bunkyo promove, naquele ano, o “Simpósio sobre o fenômeno dekassegui”. No ano seguinte, foi criado o CIATE – Centro de Informações e Apoio aos Trabalhadores no Exterior – com a colaboração do Ministério do Trabalho do Japão. Esse serviço funciona até hoje, e tem sua sede no prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.
1992 – Com personagens descendentes de japoneses e abordando o fenômeno dekassegui, é lançado Sonhos Bloqueados, da professora Laura Hasegawa. é a primeira obra literária de ficção escrita por uma nikkei.
1995 – Comemorou-se, neste ano, o centenário do tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão. A princesa Norinomiya, filha de Akihito, já então imperador do Japão, veio prestigiar as festividades.
1997 – A comunidade nikkei emociona-se mais uma vez com a visita do casal imperial japonês, que permaneceu no país por dez dias.
2008 – Ano do Centenário da imigração japonesa. Visita do Príncipe-Herdeiro Naruhito
2014 – Visita do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe
2015 – Visita do príncipe e princesa Akishino na comemoração dos 120 anos Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão
2018 – Comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Visita da Sua Alteza Imperial, prinsa Mako

Fonte: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

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