Brasileiros fazem história no Campeonato Mundial de Osaka

É emoção que não acaba nunca. Depois da luta para conseguir a vaga na seletiva e ter que correr atrás do dinheiro para representar o Brasil, os atletas brasileiros fizeram bonito no 23° Campeonato Mundial de Sumô (Adulto Masculino), 14° Campeonato Mundial de Sumô (Adulto Feminino), 14° Campeonato Mundial de Sumô (Junior Masculino) e 6° Campeonato Mundial de Sumô (Junior Feminino), realizado no último dia 13, no Sakai Ohama Sumo Studium, em Osaka, no Japão. Mas quem imaginou que o lutadores teriam vida tranquila em território japonês se enganou.
Eles desembarcaram já com a expectativa de que teriam pela frente o tufão Hagibis, um dos mais fortes a atingir o arquipélago nos últimos anos e que deixou mais de 70 mortos. O tufão trouxe ventos fortes e chuvas torrenciais levando cerca de 200 rios a transbordarem. Diques romperam em cerca de 50 rios, causando inundações em várias localidades.
A província de Fukushima, no nordeste do Japão, foi uma das regiões mais atingidas, e registrou pelo menos 25 mortes.
O tufão provocou o cancelamento de dois jogos do Mundial de Rúgbi previstos para o sábado (12) (França x Inglaterra e Nova Zelândia x Itália) e de uma partida prevista para o domingo (Namíbia x Canadá), além de adiar para a manhã de domingo os treinos classificatórios para o Grande Prêmio de Fórmula 1 no circuito de Suzuka. Apesar do adiamente dos treinos, a corrida transcorreu normalmente.
O sumô também teve sua programação alterada com lutas somente no domingo. E os brasileiros conquistaram a melhor participação em Mundiais dos últimos tempos, “principalmente na categoria Júnior”, de acordo com o presidente da Confederação Brasileira de Smô (CBS), Oscar Morio Tsuchiya. Foram uma medalha de prata na categoria adulto, com o pesado paranaense Rui Júnior; uma prata na categoria Júnior – com João Paulo Villalba – e três bronzes na categoria Júnior: Letícia Clemente (Feminino Leve), Pedro Henrique Villalba (Masculino Absoluto) e Guilherme Fukushima (Masculino Médio).

Despedida – Feliz com o bronze, Guilherme Fukushima Vaz disse ao Jornal Nippak treinou muito com o sensei Hiroyuki Iida. “Muitas pessoas me ajudaram a conseguir comprar a passagem, que estava muito cara. Minha tia me ajudou fazendo cupcakes para vender, fiz rifas e minha família ajudou demais com dinheiro para poder viajar. Sou muito grato pela ajuda de todos”, destacou Guilherme, afirmando que já está pensando no Mundial de 2020. “Sei que tenho muito para melhorar, mas vou treinar muito para conseguir a medalha de ouro”, afirmou.
Se Guilherme Fukushima Vaz, estreante em Mundiais, já pensa em 2020, Rui Aparecido de Sá Júnior, principal lutador brasileiro na atualidade, pensa justamente o oposto. “Já tenho alguns planos, e lutar não está entre eles”, explicou o paranaense, admitindo, porém, que dá vontade de rever o projeto para tentar trazer o ouro no ano que vem.
“No fundo, sei que poderia vencer”, disse, acrescentando que “foi um campeonato incrível”. “Cai numa chave muito difícil. Todos os atletas da categoria ficaram surpresos quando passei pelo russo [Ruslan Bagaev]. Acho que com um pouco mais de treino eu teria vencido a luta final contra o japonês [Atsushi Igarashi]. Foi uma boa luta, ele soube me bloquear bem, queria o ouro, mas estou feliz com a prata”, argumentou Rui, revelando que, de imediato, pretende viajar com a família. “Eles me ajudaram muito, minha mãe fez empréstimos para pagar viagens, então tenho que curtir com eles também”, disse o vice-campeão, explicando que “está cada vez mais difícil conseguir dinheiro para as viagens e também cada vez mais complicado para poder treinar”. “Isso pesou bastante na hora de querer parar”, destacou, garantindo que “o que mais gosto de fazer é lutar sumô”.
“Se precisarem de mim em treinos ou ajudando em campeonatos, vou ajudar no que for possível. Só não quero mais competir”, finalizou Rui, que pendura o mawashi com chave de ouro.

Comentários
Loading...