Autoridades, dirigentes e atletas destacam importância do Prêmio Paulista de Esportes

(Jiro Mochizuki)

Numa cerimônia singela mas carregada de significados para a comunidade nikkei, a Câmara Municipal de São Paulo recebeu, no último dia 9, a Cerimônia de Entrega do 63° Prêmio Paulista de Esportes. Uma realização do Jornal Nippak/Nikkey Shimbun, com apoio do vereador Aurélio Nomura (PSDB), o evento tem como objetivo homenagear atletas e dirigentes que contribuiram e continuam contribuindo para o desenvolvimento do esporte amador no pais. A cerimônia – uma das mais concorridas dos últimos anos – contou com a presença do cônsul geral adjunto do Japão em São Paulo, Akira Kusunoki; do presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui; do vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Jorge Yamashita; do presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishiuo, e do presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Eduardo Yoshida, além de dirigentes de entidades nikkeis e de lideranças como o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto.
Neste ano, foram 25 homenageados no total, sendo oito na categoria Especial: Keiti Fugita (Atletismo), Valter Sassaki (Dedicação ao Esporte Amador), Chuken Matsudo (Judô), Masaru Yanagimori (Judô), Issao Kagohara (Sumô), Roberto Yoshio Akiyama (Golfe), Kunio Yoshida (Golfe) e Cesar Sampaio (Futebol do Japão).

Aurélio Nomura: “Homenagem que engrandece o esporte” (Jiro Mochizuki)

Em seu discurso, o vereador Aurélio Nomura – que abriu as portas da Câmara Municipal de São Paulo pelo oitavo ano consecutivo – lembrou que, em 1956, “portanto, quando a história dos japoneses no Brasil tinha menos de 50 anos, já se começou a pensar na valorização daquelas pessoas que se dedicavam ao esporte incentivando-as por meio de um prêmio”.
Segundo o parlamentar, a prática do esporte como forma de fortalecer o corpo e a mente “sempre foram preocupações que os imigrantes japoneses trouxeram para o nosso país e fizeram questão de transitir aos seus filhos e netos”. “Mesmo enfrentando o árduo cotidiano, trabalhando de sol a sol, os imigrantes cultivavam a educação, sempre aliada ao esporte, como se podia observar nas escolas que eles estudavam, onde o beisebol era uma prática comum entre os alunos”, destacou Nomura, acrescentando que o gosto pelas atividades esportivas é um dos mais grandes legados deixados pelos nossos pais e pelos nossos avós que muitos dos descendentes ainda contiuam a seguir.”.

Raul Takaki: “Peso e tradição de 63 anos de história” (Jiro Mochizuki)

Matar a saudade – O presidente do Jornal Nippak/Nikkey Shimbun, Raul Takaki, lembrou que a hsitória do Prêmio Paulista de Esportes teve início com o Jornal Paulista – que em 1998 se uniria ao Diario Nippak, dando origem ao Jornal Nippak/Nikkey Shimbun – “que queria incentivar os japoneses que trouxeram na bagagem o esporte como forma de matar a saudade da terra natal”. “Desde então, essa homenagem vem sendo uma pequena lembrança, mas podem ter certeza que com o peso e tradição de 63 anos de história”, explicou Takaki.

Akira Kusunoki: “O esporte pode ser praticado por todos” (Jiro Mochizuki)

Para o cônsul geral adjunto do Japão em São Paulo, Akira Kusunoki, “o esporte tem desempenhado um papel importante para o intercâmbio entre os dois países”. “Desde o início da imigração o esporte tem feito parte do cotidiano dos japoneses. Tanto que as associações nikkeis sempre mantém um espaço para a prática de atividades físicas, o chamado undokai, que a cada ano vem atraindo um grande número de praticantes não descendentes de japoneses”, observou o cônsul, acrescentando que os japoneses “vem ensinando que o esporte pode ser praticado por todos”. E citou o exemplo da 41ª Festa das Cerejeiras do Parque do Carmo realizada nos dias 2, 3 e 4 deste mês na zona Leste de São Paulo.
“Depois da apresentação de Rizumu Taisso, as praticantes convidaram o público para participar e, para minha surpresa, o palco ficou cheio. No Japão, isso não é algo comum”, revelou Kusunoki, destacando que, “depois percebi que os primeiros imigrantes promoveram a integração com a sociedade brasileira através dos esportes”.

Emissários – Falando em nome de todos os homenegados, o representante da modalidade de judô, Oswaldo Cupertino Simões Filho, fez um discurso bastante emocionado em que saudou os pioneiros, os quais chamou de “emissários” ou “missionários”. “Cada um desses missionários traziam consigo seus sonhos, suas habilidades, seus anseios de progresso, sua educação aliada a sua cultura, em síntese, seus potenciais”. E continuou: “Uma nação é formada por várias etnias e quero hoje aqui dizer em público: domo arigatô gozaimasu missionários japoneses, como foi e é importante a participação dos senhores em todos os setores e segmentos da nossa sociedade que compõem nossa nação”.

Honra – Nascido em Pernambuco, criado em Salvador (BA) e morando atualmente no Rio de Janeiro, Cupertino observou que os “missionários” trouxeram consigo o sentimento imbutido na palavra ‘gambarê’, faça o seu melhor e com honra”. E convidou o público a refletir sobre o que é a definição da palavra honra.
“Honra é manter-se fiel aos seus princiípios, aos seus valores assimilados numa boa educação. E como os valores são positivos na formação dos japoneses. Valores como: respeito, disciplina, hierarquia, obediência, higiene, persistência, obstinação e superação são marcas indeléveis do povo japonês aliadas ao alto senso de harmonia, fraternidade e trabalho em equipe, exemplo para todas as outras nações”, enfatizou Cupertino, que entre seus título foi Campeão Mundial Universitário.
Segundo ele, “cada família (japonesa) que aqui chegou semeou em diversas áreas do conhecimento humano, na agricultura, na economia, nas artes e nos esportes”. “Cada família japonesa tornou-se fonte de crescimento e desenvolvimento em suas áreas de atuação”, disse, acrescentando que, “já que a vida é feita de momentos, esse é um momento marcante na minha vida”. “Não quero falar de meus títulos nem de minhas vitórias conquistadas no judô e sim dos amigos que fiz em minha carreira internacional através do judô. Continuo buscando a máxima do Shihan Jigoro Kano: ‘Nunca te orgulhes de haver vencido a um adversário. O que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã, a única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância”, finalizou Cupertino, sendo muito aplaudido pelo público.

Jorge Yamashita, Akeo Yogui, Raul Takaki, Aurélio Nomura, Akira Kusunoki, Eduardo Yoshida e Nishio (Jiro Mochizuki)

Depoimentos – Outros homenageados ouvidos pela reportagem do Jornal Nippak também destacaram a importância do Prêmio Paulista de Esportes. Valter Sassaki, presidente do Nippon Country Club e presidente da Confraternização Esportiva Internacional Nikkei, disse que é um “grande incentivo, não só para mim como para todos os homenageados para seguir em frente e coninuar batalhando, porque o esporte amador no Brasil não tem verba e você tem que correr atrás de patrocínio”.
“No ano que vem vamos estar organizando a Confraternização Esportiva Internacional Nikkei com a participação de 12 países em 15 modalidades. Uma peculiaridade desta competição é que, para participar, você tem que ter uma ascendência nikkei. É um evento realizado a cada dois anos e que aproxima as comunidades nikkeis das Américas”, disse Sassaki, lembrando que “o esporte tem essa característica”. “Além de ser saudável, aproxima as pessoas porque não existe diferenças e acho que assim a gente consegue dissiminar um pouco dos valores japoneses através do esporte. E esse Prêmio é um grande incentivo, não só para quem pratica, mas também para nós, dirigentes. Trata-se de um reconhecimento importante para uma categoria que só ficava nos bastidores porque tem muitos dirigentes que literalmente carregam o piano ao organizar eventos”, concluiu Sassaki.

O “sempre deputado” Hatiro Shimomoto: Patrono do Prêmio (Jiro Mochizuki)

Kenjutsu – Para Cristina Satchko Hodge Bohm, da modalidade Kobudô, “o que acho maravilhoso é o fato de eu ser uma praticamente mulher num meio super masculino”. “Fiquei muito honrada de estar representando as mulheres, que ainda são poucas na nossa área e espero abrir as portas para outras praticantes”, disse ela, que conheceu o marido, Wenzel Bohm, no Instituto Niten, onde pratica Kenjutsu há 18 anos – é a mais antiga aluna de Kenjutsu no Niten. “Sempre gostei de esportes e sempre quis praticar arte marcial, então, quando encontrei o Instituto Niten e comecei a fazer kenjutsu me apaixonei”.
Para Roberto Akiyama, do Golfe, “trata-se de um reconhecimento”. “A nossa empresa, a Honda, há muitos anos, de forma ordenada vem incentivando o esporte golfe. O Prêmio nos coloca numa posição honrosa de reconhecimento e um trabalho em que não estamos apoiando somente o esporte golfe mas nós sabemos que através do esporte você viabiliza laços de amizade, uma evolução física e mental daqueles que trabalham de segunda a sexta, arduamente em suas empresas esperando o sábado e domingo para o seu lazer. E o esporte permite isso. Estamos muito honrados em contribuir para a evolução deste esporte.”, disse.
Para a paulistana Mayra Sayumi Akamine, do Softbol, o Prêmio Paulista de Esportes “é um recohecimento por todos esses anos que venho jogando”. “Sinto orgulho de mostrar para os meus pais que os treinos não foram em vão”, disse ela, que começou a treinar na Acema e hoje defende a cidade de Marilia.

Cesar Sampaio ao lado de outro homenageado, Valter Sassaki (Jiro Mochizuki)

Chikara Udon – Para o ex-jogador e hoje comentarista Cesar Sampaio, “é gratificante porque a gente tem um histórico de indentificação na profisisonalização do futebol japonês quando do início da J-League”. “E é uma relação que perdura até os dias de hoje e me sinto muito honrado pela homenagem e pelo carinho e respeito que consegui de uma outra nação”, disse Sampaio, lembrando que foram quase sete anos de Japão (atuou no Yokohama Flugels de 1995 a 99; no Kashiwa Reysol, em 2002, e no Sanfrecce Hiroshima, de 2003 a 2004 – onde ensinou mas também aprendeu muito.
“Sou muito grato ao Japão, minhas filhas foram criadas na cultura japonesa, aprendi bastante coisa e ainda tenho comportamento e princípios que a gente preserva até os dias de hoje. Sou um dos membros do Comitê Supervisor da Japan House São Paulo. São alianças que a gente construiu no decorrer da vida e a gente sabe o quanto é dificil conqustar uma nova identidade”, disse ele, lembrando que, atuando no Brasil foi eleito o melhor jogador do país em duas ocasiões, mas nunca foi convocado para defender a seleção brasileira.
“Jogando no Japão tive oportunidade de ir para a Copa do Mundo de 1998, fiz o primeiro gol da Copa e foi o melhor momento da minha carreira. Então, tudo isso devo ao futebol japonês”, disse ele, afirmando que adora Chikara Udon, chás e missoshiru. “Mas um dos principais valolres que aprendi foi o respeito aos mais velhos. É algo que tinha um pouco na educação brasileira e aprendi a valorizar no Japão”, afirmou Sampaio.

Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo ficou lotado (Jiro Mochizuki)
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