Autoridades brasileiras e japonesas destacam importância do Festival do Japão

Cerimônia de abertura do 22º Festival do Japão reuniu autoridades brasileiras e japonesas, entre elas o embaixador do Japão no Brasil, Akira Yamada (Aldo Shiguti)

No sábado, 6, a cerimônia de abertura do 22º Festival do Japão, realizado pelo Kenren (Federação das Associações de Porvíncias do Japão no Brasil), no São Paulo Expo, reuniu autoridades brasileiras e japonesas, entre elas o embaixador Akira Yamada, o vice-ministro do Meio Ambiente Takaaki Katsumata – representando o governo japonês – e o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi. Do lado brasileiro, destaque para a presença do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), dos deputados estaduais Márcio Nakashima (PDT) e Paulo Nishikawa (PSL) e dos vereadores George Hato (MDB), Aurélio Nomura (PSDB), Rodrigo Goulart (PSD) e Ota (PSB), além do presidente do Kenren, Yasuo Yamada, do presidente do Fundo Social do Estado de São Paulo, Filipe Sabará (representando o governador João Doria), e o assessor especial da Secretaria de Relações Internacionais da Cidade de São Paulo, Rodrigo Massi (representando o prefeito Bruno Covas), entre outros.

José Taniguti e Yasuo Yamada com o deputado federal Kim Kataguiri (Aldo Shiguti)
Yasuo Yamada (Jiro Mochizuki)

Abrindo a série de discursos, Yasuo Yamada lembrou que a primeira edição do festival do Japão foi realizado em 1998, em comemoração aos 90 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. “O evento começou pequeno, ainda na Marquise do Parque do Ibirapuera, através da difusão da comida e das artes típicas de cada província e hoje, passados 22 anos, crescemos e fazemos parte do Calendário Turístico do Estado de São Paulo e do Município graças aos visitantes e aos recursos provenientes dos governos do Japão e do Brasil, além de empresas e também da ajuda dos políticos, que muito tem nos apoiado”, explicou Yamada.

Takaaki Katsumata (Jiro Mochizuki)

Takaaki Katsumata lembrou que, em 2018, o turismo movimentou 1,4 bilhão de pessoas no mundo todo e o mercado está em constante expansão. Disse ainda que, no ano passado, cerca de 30 milhões de estrangeiros visitaram o Japão. “E a tendência é que esse mercado continue crescendo”, disse Katsumata, explicando que o Japão é um dos poucos países no mundo que reúne as quatro condições essenciais que compõem o mercado de turismo: natureza, cultura, clima e gastronomia. Além disso, conta com uma política do governo japonês voltada para o setor cujo um dos pilares são os parques nacionais.
Ele ressaltou ainda que em 2020 Tóquio sediará os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e em 2025 Osaka receberá novamente a Exposição Universal. “O interesse mundial pelo Japão está aumentando e seria motivo de muita alegria se as pessoas que frequentam o Festival do Japão pudessem sentir o Japão de verdade”, disse.

Embaixador Akira Yamada (Jiro Mochizuki)

Já o embaixador Akira Yamada destacou que o Festival do Japão chega a reunir 200 mil pessoas e se constitui uma oportunidade de conhecer a cultura japonesa. O embaixador lembrou que, no ano passado, a cerimômia comemorativa dos 110 Anos da Imigração Japonesa contou com a presença da princesa Mako e as pessoas tiveram oportunidade de apreciar inúmeras atrações. Yamada disse que, por estar acompanhando Sua Alteza Imperial não teve oportunidade de conferir a programação toda, mas que este ano pretendia aproveitar “o máximo possível”.
Akira Yamada frisou que, passados 111 anos desde a chegada do navio Kasato Maru, os imigrantes e seus descendentes enfrentaram inúmeras dificuldades mas graças aos seus esforços conseguiram superar as adversidades e contribuíram para consolidar uma base sólida.

Palpite – O embaixador destacou que hoje os nikkeis ocupam cargos importantes em diversas áreas e que os valores por eles disseminados conquistaram a confiança da sociedade brasileira. Yamada revelou que, em 2020, o Consulado vai estar presente na 23ª edição do Festival do Japão com um estande para divulgar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que serão realizados em Tóquio. E encerrou com um palpite para a decisão da Copa América entre Brasil e Peru – vencida pela equipe comandada por Tite por 3 a 1: 4 a 2 para o Brasil.

Milton Matsumoto, do Bradesco (Jiro Mochizuki)

Discursando em nome dos patrocinadores, o conselheiro do Bradesco, Milton Matsumoto disse que uma das razões do sucesso do Festival do Japão e porque o banco o apoia é a integração entre as duas culturas. “No ano passado, cerca de 215 mil pessoas visitaram o Festival do Japão, mas, mais importante que isso é que cerca de 60% desse público era de não descendentes de japoneses”, afirmou.

Rodrigo Massi (Jiro Mochizuki)

Representando o prefeito Bruno Covas (PSDB), o Assessor Especial da Secretaria de Relações Internacionais destacou o “apreço” da cidade pela imigração japonesa. “Trata-se do maior evento celebrativo da cultura japonesa fora do Japão, e já plenamente consolidado no calendário de nossa cidade. São Paulo se orgulha em reunir a maior comunidade de ascendência japonesa no mundo”, destacou Massi, assinalando que no próximo mês de agosto será celebrado 50 Anos do Acordo de Cidades-Irmãs entre São Paulo e Osaka, evento que contará com a visita de importante delegação daquela cidade-irmã, “contribuindo para aprofundar ainda mais os laços de amizade e cooperação – e também de negócios – entre as nossas cidades, e entre o Brasil e o Japão”.

Reiwa – E lembrou que, nesses 111 anos, os descendentes de japoneses ocupam papel de destaque em várias áreas de atuação, como na gastronomia, com a chef Telma Shiraishi, nomeada recentemente Embaixadora da Boa Vontade da Difusão da Culinária Japonesa. “Se na edição passada foi celebrado os 110 anos de imigração japonesa, esta edição reveste-se de especial significado por ser o primeiro da era Reiwa”, disse Massi, lembrando que o imperador que ascendeu ao trono, Naruhito, esteve em São Paulo pela última vez em 2008, por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Vereadores Aurélio Nomura, Ota, George Hato e Rodrigo Goulart (Jiro Mochizuki)

Sangue, suor e lágrimas – Anunciados pelo Mestre de Cerimônia Carlos Takahashi como importantes apoiadores do evento, os quatro vereadores que compõem a bancada nikkei na Câmara Municipal destacaram a importância do Festival do Japão. Aurélio Nomura disse que o Festival do Japão “iiradiou” para diversas cidades do país e hoje é sinônimo de sucesso. “Mas não devemos nos esquecer que está atrelado a uma coisa fundamental, o orgulho de sermos descendentes de uma raça que veio ao Brasil e com sangue, suor e lágrimas, ajudaram a construir este país”.
Ota destacou que o Brasil recebeu a imigração japonesa de “braços abertos” enquanto a maioria dos países “faziam cara feia” e George Hato explicou que os quatro vereadores não medem esforços para fortalecer não só o Festival do Japão bem como outros eventos “por serem muito importantes para o Brasil”.
Já para Rodrigo Goulart o importância do Festival do Japão pode ser traduzida pela quantidade de público presente. “No ano passado foram mais de 200 mil e a maioria de não descendentes de japoneses”, afirmou.
Ouvido pela reportagem do Jornal Nippak, o deputado estadual Márcio Nakashima disse que acompanha o Festival do Japão desde a décima edição e de lá para cá o evento tomou proporções cada vez maiores. “É um evento que valoriza demais a cultura e expõe a importância da cultura japonesa dentro do Brasil, sobretudo no Estado de São Paulo”, afirmou. Já o também deputado estadual Nishikawa destacou que, “é com muito orgulho que representamos a comunidade japonesa, “sendo nikkei e como parlamentar”.

Kim Kataguiri (Jiro Mochizuki)

Voluntários – Para o deputado federal Kim Kataguiri, que até o ano passado era mais um entre os milhares de visitantes que tentavam dar “tchauzinho” para a princesa Mako, voltar ao Festival do Japão, desta vez no palco, como autoridade, “é algo muito gratificante”. “Foram quatro anos como voluntário do Nara Kenjinkai e nunca imaginava voltar como autoridade. Nós, que temos ascendência japonesa, temos muito a mostrar para o Brasil, temos muito a ensinar ao Brasil, temos muito a compartilhar com o Brasil e é importantissimo a gente ter eventos como esse para isso, disse o parlamentar, afirmando que, nesse período como voluntário o que mais gostou foi “o sistema de voluntários. “Ninguém se conhece mas no final todo mundo acaba trabalhando de maneira coordenada e virando amigo. Acho que isso, aliada à difusão da cultura japonesa em si, que é uma cultura de cooperação, são os pontos fortes do festival, sem falar na comida”, observou Kim, afirmando que aprecia não só pratos como okonomiyaki, takoyaki e yakisoba mas também é fã de anime e mangá.

Filipe Sabará (Jiro Mochizuki)

Último a discursar, Filipe Sabará falou sobre a contribuição da imigração japonesa para o desenvolviemento do Estado de São Paulo.
Antes de declarar oficialmente aberto o Festival, o presidente da Comissão Organizadora, José Taniguti agradeceu o apoio dos cerca de 15 mil voluntários que trabalham antes, durante e depois do evento. “Devo conhecersomente umas 100 pessoas, mas graças a estes voluntários é que o Festival do Japão acontece e com essa magnitude. E é com eles que compartilho minha alegria”, discursou Taniguti.

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