Aurélio Nomura agenda reunião com secretário em busca de solução definitiva para o Gigante

(Divulgação)
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Após quase dez anos vivendo “sob pressão”, o Gigante Beisebol e Softbol Clube, um dos mais tradicionais do país, pode, enfim, ter sua situação regularizada. Um primeiro passo nesse sentido foi dado na última segunda-feira, 15, durante reunião no Gabinete do Secretário Municipal de Esportes e Lazer, Carlos Bezerra Júnior, e que contou com a presença do vereador Aurélio Nomura (PSDB), do chefe de gabinete da Seme, Décio Fernando Moreira de Matos, e de representantes do Gigante, entre eles a presidente licenciada, Cláudia Seguchi, Alex Endo e Raquel Wainer.
Em pauta, uma antiga reivindicação para que o clube continue treinando no Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi, como acontece desde 2009, mas que, a cada mudança de secretário, gera momentos de insegurança e intranquilidade para o clube.
Na conversa, o vereador expôs a história e a importância do Gigante para o desenvolvimento do beisebol e softbol brasileiros. “O Gigante é um dos mais tardicionais clubes de beisebol do Brasil, com uma história de 60 anos, e é importante sua permanência naquele espaço para que siga com seu projeto de ensinar e difundir a prática dessa modalidade no país”, disse Nomura.

Impasse – Um dos impasses para que o Gigante possa permanecer no Bom Retiro é conciliar os interesses de ambas as partes, como explica o chefe de Gabinete da Seme. “Faz parte da nossa agenda uma ampliação e divulgação do esporte. Nesse sentido temos até uma carteira de projetos estratégicos com outras Secretarias como fomentar o beisebol para alunos de escolas municipais e num segundo momento, levar também para a rede destadual. O problema é que, para que essa política pública dê certo, a gente precisa viabilizar um mínimo de condições para que esses potenciais novos atletas tenham onde treinar. Se você for pensar muitas vezes em estudantes de Etecs e daqueles que estudam em período integral, eles também não podem fazer esse treinamento nos dias de semana e aí nos resta a questão chave, que é a escassez de espaço para treino. Como nós vamos chamar a atenção para o público de escola pública se não temos onde apresentar um mínimo de treino porque já existe um time, que é píoneiro na área, que tira leite de pedra para o esporte acontecer na cidade, mas que, ao mesmo tempo, na medida que a gente entrar nessa briga de fomentar o beisebol e o softbol na cidade, a gente também vai precisar do espaço nos fins de semana para viabilizar a sua ampliação e divulgação”.
Para ele, a preocupação é “como viabilizar, sem problemas com o Minitério Público e a Controladoria [Geral do Município] o uso semanal regular periodico de 80% do espaço de treino todo sábado por uma entidade privada sem chamamento público e sem o pagamento de uma taxa que está regulamentada no decreto”.
Alex Endo explicou que o Gigante não utiliza o campo principal, exceto em ocasiões especiais, como a realização daquele que é consideado o mais importante para o clube, o Festival Zenki Sato de Beisebol e Softbol – Categoria T-Ball e que de há cerca de cinco anos passou a ser chamado Festival Zenki Sato de Beisebol e Softbol – Cidade de São Paulo. “Justamente para permitir a participação de todos os atletas”, disse Endo, explicando que o não uso do campo principal é por opção, justamente para não dar a conotação que o clube uitliza todo o espaço do Mie Nishi.

CDC – Aurélio Nomura sugeriu a criação de novas áreas de treinamento, como no Parque do Carmo (zona Leste) e a retomada do modelo de CDC (Clube da Comunidade).
Alex Endo lembrou que, em seu “antigo endereço” – onde hoje é a Fábrica do Samba –, na Barra Funda (zona Oeste de São Paulo), o Gigante era um CDM (Clube Desportivo Municipal) e que, nessa fase de transição, foi cogitado ocupar a área onde atualmente fica o CDC Arena Radical (enconstado ao Ginásio de Sumô do Bom Retiro). E a ideia do CDC acabou não sendo levada adiante.
Para o chefe de Gabinete da Seme, a Prefeitura conta atualmente com cerca de 260 CDCs espalhados pela cidade, muitos, dos quais, a Prefeitura precisará intervir ou por irregularidades de negociacão ou por dívidas. “Ao mesmo tempo a gente tem por obrigação fazer um novo processo de chamamento para que novas entidades possam dar novas vocações para esses espaços”, disse Décio, explicando que “o que define se um CDC dá certo ou não é a capacidade das entidades locais verem a administração do clube como uma fonte de recursos ou de prejuízos”.

Agendada por Aurélio Nomura, reunião contou com a presença do secretário e de dirigentes do Gigante (Aldo Shiguti)
Agendada por Aurélio Nomura, reunião contou com a presença do secretário e de dirigentes do Gigante (Aldo Shiguti)

Respeito à história – Para o secretário, a ideia é “tentar buscar pontos de convergências entre diretrizes públicas que são necessárias, ou seja, o princípío da transparência, o principio da utillização pública de um espaço público de forma a ser aberto à toda a comudade e junto com isso, respeitar aquilo que o Gigante construiu ao longo do tempo”. Segundo Carlos Bezerra, “tem história, tem caminhada, tem luta, tem uma série de coisas” envolvidas.
Ele lembra que esteve no estádio fazendo uma visita e “ouvi demandas legitimas”. “O nosso interesse é encontrar um caminho claro”, disse o secretário, que propôs um diálogo entre representantes do clube e o novo adminstrador do Bom Retiro, Bruno Estevão. Nós orientamos que o coordenador que está lá buscasse uma comissão do Gigante e iniciasse um diálologo supervisionado pela Secretaria para que a gente pudesse formalmente colocar as demandas na mesa. E que isso fosse tratado de maneira transparente e pública. E da nossa parte, observaríamos e estudaríamos o que cabe ou não para ampliar ainda mais a divulgação, o estíumulo e a prática do beisebol na cidade”, comentou o secretário, destacando que, da maneira como está hoje, o clube encontra-se numa situação “extremamente frágil porque não tem sustenção jurídica nenhuma”.

Cabo de guerra – Segundo ele, “não podemos achar em momento algum que nós estamos num cabo de guerra”. “Existe um respeito pela história que vocês construíram, pelo que vocês fizeram pelo beisebol do país”, afirmou, acrescentando que “nosso trabalho incessante é de buscar a melhoria do clube, o incentivo à prártica do beisebol e a abertura dos espaços públicos para a comunidade”. A pergunta é : “Como fazer isso juntos?”
“A questão é, precisamos avançar e toda mudança demanda, de ambas a partes, de esforços. Ninguém aqui vai agir de forma intempestiva. Nossa política aqui é de escutar, de respeito e de trato transparente”, disse, explicando que “esse impasse me parece muito mais uma questão de comunicação que propriamente um impasse”, observou.
Uma nova conversa ficou agendada para esta quarta-feira, 17, com a participação do chefe de Gabinete da Seme (representando o secretário); de Décio Oda (coordenador de governo local – Subprefeitura do Ipiranga, reperesentando o vereador Aurélio Nomura) e Raquel Wainer (representando o Gigante).

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