Assume o novo presidente do Banco MUFG, que comemora cem anos de presença no Brasil

À esquerda, o novo presidente Nobuyoshi Fukumoto com Kinoshita, que deixou o cargo após 5 anos (Masayuki Fukasawa)

Em julho, para marcar os 100 anos de presença no Brasil, o Banco MUFG anunciou uma doação para a cátedra Fujita-Ninomiya, uma parceria entre a Jica (Japan International Cooperation Agency) e o Departamento de Direito Internacional da USP. Após cinco anos de trabalho no Brasil, Makoto Kinoshita (54 anos e natural da província de Kumamoto) retornará ao Japão e deu lugar em 2 de agosto ao novo presidente e gerente de vendas corporativas, Nobuyoshi Fukumoto (49 anos e natural de Tóquio).
“Estive a trabalho na Argentina, Venezuela, Reino Unido e Estados Unidos, mas eu gostei mais do Brasil”, reforçou Kinoshita. Perguntado sobre o motivo, ele sorriu: “Foi muito marcante. Embora tenha tido bastante trabalho no lado profissional, o clima, a comida e a interação com as pessoas, ou seja, o lado pessoal foi muito bom, a ponto de compensar todo o trabalho. Esse contraste foi bastante marcante. Aqui, os moradores da cidade perguntam para mim onde ficam os lugares. Muitas pessoas com os mesmos traços [orientais] andam pelas ruas. Eu não me sinto deslocado neste país. Não existe outro lugar assim”.

Fusão – Por falar em MUFG, muitos lembram do Banco Mitsubishi UFJ ou de um dos três megabancos do Japão, uma imagem um pouco distante do Brasil. Mas se buscar pelas origens, o banco teve início com o Yokohama Specie Bank, que realizava o envio de remessas dos imigrantes japoneses e financiamento para empresas antes da Segunda Guerra Mundial, sendo uma empresa indispensável para os japoneses no exterior. Após a guerra, tornou-se Bank of Tokyo. Dois acontecimentos marcantes aumentam a proximidade da empresa com o Brasil: a mudança de nome do Banco Tozan para Mitsubishi Bank, com o início da Fazenda Tozan, comprada pela família Iwasaki, fundadora da Mitsubishi, e a fusão do Sanwa Bank, que tinha relações estreitas com o Bradesco, com o Tokai Bank.
Kinoshita explicou: “Ano passado comemoramos 100 anos de fundação na Argentina e este ano é no Brasil, por isso nossa atuação na América Latina tem mais de cem anos. Considerando este o primeiro ano para nossos próximos 100 anos, estamos fazendo uma comemoração de verdade este ano”.

Cátedra Fujita-Ninomiya na Japan House São Paulo (Masayuki Fukasawa)

Novo presidente – O currículo do novo presidente Fukumoto é singular. Seu pai já trabalhou como representante do antigo Bank of Tokyo em São Paulo e no Rio de Janeiro, por isso ele passou a infância entre 1985 a 1989 nas duas cidades. Antes disso, ele também morou quatro anos no Panamá. Após trabalhar no México e em Nova York, ele retornou a São Paulo em dezembro do ano passado. Além disso, é a segunda vez que trabalha na capital paulista. Por ter estudado em uma escola internacional, é fluente em inglês e espanhol, que aprendeu nos locais onde trabalhou. Atualmente, está aperfeiçoando a língua portuguesa, que aprendeu durante a infância e estadia anterior.
Fukumoto começou a trabalhar no Mitsubishi Bank e logo em seguida ocorreu a fusão. Por coincidência, passou a trabalhar no mesmo prédio que o pai. Ele disse com entusiasmo: “Quero colher os frutos que meus colegas tiveram o trabalho de preparar o terreno e semear”.

Embaixador do Japão esteve presente na Cátedra Fujita-Ninomiya (Masayuki Fukasawa)

Início – Antes da Segunda Guerra, muitos imigrantes utilizaram os serviços do Yokohama Specie Bank, que abriu uma agência no Rio de Janeiro em 1919. Durante a guerra, os fundos foram congelados e, finalmente liberados na época do primeiro embaixador japonês vindo após a guerra, Shin Kimizuka.
Superando os tempos difíceis juntamente com os imigrantes, agora como Bank of Tokyo, a empresa abriu agências em Curitiba, Belo Horizonte e até mesmo em Campinas. Em 1996 houve a fusão do Bank of Tokyo e do Mitsubishi Bank.
Durante esse período, além dos negócios com empresas japonesas, houve o aumento de negociações com empresas brasileiras e de vários países. Empresas brasileiras como Grupo Votorantim, Petrobrás e Vale são algumas delas, além de empresas coreanas e chinesas recentes. Como instituição financeira especializada em empréstimos corporativos, o banco assegurou seu lugar no desenvolvimento econômico brasileiro trabalhando discretamente.
Atualmente, a empresa conta com cerca de 270 funcionários. Dentre eles, 17 são japoneses e dez falam japonês, apoiando a entrada de empresas japonesas com dedicação.

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