Associação Wakayama Kenjinkai do Brasil celebra 65 anos preocupada com o futuro

Com a presença de uma comitiva da província de Wakayama, liderada por Toru Kitayama, chefe do Departamento de Relações Internacionais de Wakayama, e Naohisa Kashihata, diretor presidente da Fundação Wixas – entidade que concede bolsas para jovens descendentes de Wakayama para estágios de curta permanência na província – e do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, a Associação Wakayama Kenjinkai do Brasil realizou, no dia 22 de setembro, no salão social da Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo, Cerimônia Comemorativa do seu 65º aniversário de fundação.
Estiveram presentes também a presidente da Wakayama Kenjinkai do Peru, Nedda Bonelli Sato e a presidente da Wakayama Kenjinkai da Argentina, Vivian Satonobu de Miyashiro, além do vereador George Hato, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), Roberto Yoshihiro Nishio; o presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo (Enkyo), Akeo Yogui; e o presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren), Yasuo Yamada , entre outros.

Convidados estrangeiros e autoridades cantam o tradicional “Parabéns pra você!” (Aldo Shiguti)

O evento teve como ponto alto o lançamento do livro comemorativo do Centenário da Imigração de Wakayama. Bilíngue (português e japonês), a publicação tem 400 páginas e reúne mensagens das autoridades japonesas e brasileiras e 51 histórias de famílias de imigrantes que contam “quem foram, o que fizeram e como persistiram nesta nova terra que escolheram para viver”.

Capa do livro (reprodução)

Na oportunidade, o Governo de Wakayama procedeu a entrega de Certificados de Reconhecimento e Gratidão aos associados Emiko Kihara, Toyozo Teramoto e Keisuke Taira pelos relevantes serviços prestados à associação, e Certificados de Agradecimento aos Idosos Acima de 80 anos de idade (Emiko Kihara, Toyozo Teramoto, Mayumi Oyamada e Takuo Sakagami), além de contribuir com donativos a três entidades nikkeis: Bunkyo, Enkyo e Kenren.
O vereador George Hato também entregou placas comemorativas a Toru Kitayama e Naohisa Kashihata.
Encarregados da parte artística, o mestre em shakuhachi, Shen Kiyomi Ribeiro, e o grupo de minyo Min, fizeram belíssimas apresentações. Shen Ribeiro, aliás, fez um arranjo extraordinário para “Garota de Ipanema”.
Após Jun Suzaki declarar aberta a cerimônia e a execução dos hinos nacionais do Japão e do Brasil, foi prestado um minuto de silêncio em memória aos antepassados falecidos. Coube ao presidente do Wakayama Kenjinkai, José Taniguti, abrir a série de discursos. E o presidente falou, entre outras coisas, que a associação foi fundada em 8 de abril de 1954 por Gisuke Takenaka juntamente com cerca de outros 30 membros fundadores.

Troca de presentes entre a província de Wakayama e o presidente José Taniguti (Aldo Shiguti)

Transformações – “Naquela época os associados eram, em grande maioria, compostos por japoneses, e a língua corrente era o japonês. A partir disso, sucedeu-se a campanha para arregimentar os associados e na fase inicial, chegou a ultrapassar 500 famílias de associados. No entanto, no decorrer dos 65 anos de existência, tivemos grandes transformações. Os nascidos no Brasil, que somos nós, nisseis, para poder se desenvolver e se destacar na sociedade brasileira, teve que dar prioridadade ao estudo da língua portuguesa e o uso da língua japonesa ficou restrito dentro do círculo familiar”, explicou Taniguti, acrescentando que, “a língua que aprendemos dos nossos antepassados foi sendo esquecida paulatinamente por falta de uso”.
“Contudo, o Japão teve um notável desenvolvimento e ao mesmo tempo passou a ser admirado pelos nossos filhos e netos que sentiam orgulho de serem descendentes de japoneses. Mesmo os brasileiros nativos mudaram de opinião passando a respeitar o Japão como país do primeiro mundo”, comentou.
Em contrapartida, argumentou Taniguti, a Associação Wakayama Kenjinkai do Brasil foi sofrendo redução e hoje conta com 219 associados, “sendo a maoria na fase madura”.
“Para enfrentar esta crise devemos nos esforçar com muito empenho para manter a condição saudável. E a coisa mais importante é criar líderes para as futuras gerações”, afirmou Taniguti, observando que a ideia é intensificar o intercâmbio com a província de Wakayama.

José Taniguti (Aldo Shiguti)

Livro – Sobre o livro comemorativo, José Taniguti lembrou que o processo teve início em 2017, acatando a sugestão do ex-presidente da Associação “Wakayamaken Chunanbei Kouryu Kyokai” (Associação de Intercâmbio entre a província de Wakayama e os países das Américas Central e do Sul), Osamu Hazama”. Queríamos deixar registrado para a posteridade o que os nossos antepassados que imigraram de Wakayama para o Brasil deixaram para nós como exemplo de vida, apesar das inúmeras dificuldades que tiveram que suplantar”, disse Taniguti, destacando que, “inicialmente enviamos carta a todos os associados para que escrevessem algo que sabiam de suas famílias”.
“Entretanto, decorridos três meses, ninguém enviou qualquer material que servisse de subsídio para o livro. Depois disso tentamos em outras oportunidades como Bonenkai e Shinnenkai solicitar aos presentes o envio de matérias. E seis meses depois, enviamos mais uma vez carta a todos os associados. Assim, insistindo repetidas vezes, finalmente começaram a chegar os primeiros históricos familiares. E depois de aproximadamente um ano, conseguimos reunir quando muito, cerca de 20 históricos familiares. E, dessa forma tivemos que adiar por um ano o prazo para recebimento de matérias enviadas pelos associados”, explicou, destacando que, “nessa época, tivemos a aprovação do subsídio da Fundação Kunito Miyasaka e Auxílio Cultural do Departamento de Relações Exteriores do Governo de Wakayama”

“E, após esses fatos alvissareiros, o número de envio de históricos familiares dobrou de quantidade. E assim conseguimos nos acalmar. Até que, em julho deste ano, conseguimos concluir o conteúdo do livro. E depois disso, foi entregue à gráfica para a diagramação e composição artística do livro tendo sido concluído na semana passada”, comentou, acrescentando que “não foi um trabalho nada fácil chegar até aqui”.
“Nesta oportunidade queremos renovar os nossos agradecimentos a todos que colaboraram na confecção deste livro, especialmente à Fundação Kunito Miyasaka e o Governo de Wakayama.Queremos também fazer uma menção especial ao Sr. Nozomu Miyashita que colaborou de forma incansável para o êxito deste lançamento. A ele o nosso muito obrigado. Por fim, desejamos a todos que ao ler este livro comemorativo, lembrem-se dos nossos antepassados. Isso será motivo de grande honra para todos nós que escrevemos a nossa história familiar”, finalizou Taniguti.

Yasushi Noguchi (Aldo Shiguti)

Okonomiyaki e base espacial – Já o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, disse que Wakayama tem “muitas pessoas que ocupam papel de destaque na sociedade brasileira”. E citou o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto e o próprio presidente da associação, que presidiu o 22º Festival do Japão – o maior evento ligado à cultura japonesa do mundo – e estará à frente também em 2020. O cônsul, aliás, afirmou que ficou surpreso com, a quantidade de okonomiyaki vendido no Festival do Japão – cerca de 5 mil unidades.
Yasushi Noguichi explicou também que Wakayama tem muitas atividades econômicas e que o número de turistas vem crescendo “consideravelmente” a cada ano que passa. Informou também que Wakayama está construindo uma base aeroespacial para lançar foguetes do setor privado e que deve entrar em operação em 2021. “E com isso deve consolidar de vez seu crescimento”, reiterou.
Tanto Nedda Bonelli como Vivian Satonobu expressaram respeito e admiração pelos pioneiros que fundaram a associação enquanto George Hato lembrou que são 65 anos de muito trabalho e determinação de um contingente que soma cerca de 40 mil imigrantes de Wakayama e que hoje vivem em países como o Brasil, Peru e a Argentina.

(Reprodução)
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