Aprovado no vestibular aos 81 anos de idade, Antonio Tunouti quer ‘desafiar os limites do cérebro’

Antonio Tunouti, que atendeu à reportagem do Nikkey Shimbun na própria residência, em Londrina - Kohei Osawa
Antonio Tunouti, que atendeu à reportagem do Nikkey Shimbun na própria residência, em Londrina – Kohei Osawa

“Não é fácil encontrar alguém da minha idade que consiga passar na faculdade. Quero desafiar os limites do meu cérebro e descobrir quanto espaço tenho”, diz entusiasmado, Antonio Tunouti (81 anos, segunda geração de japoneses). Antonio foi aprovado no curso de Letras, Língua Portuguesa, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Depois de se aposentar, seguiu a máxima de que “nunca é tarde demais para aprender” e começou a estudar inglês. Foi o que o levou a encarar o vestibular em que foi aprovado. O jornal Nikkey foi entrevistar “o calouro mais velho a entrar na UEL” que ganhou notoriedade na localidade onde mora enquanto aguarda o início das aulas no final do mês.
Antonio Tunouti nasceu em Cornélio Procópio, região norte do estado do Paraná. Em 1959, formou-se em Farmácia pela Universidade Federal de Curitiba e foi trabalhar no departamento publicitário da empresa farmacêutica alemã, Merck. Mais tarde, em 1979, formou-se em Direito pela Universidade Estadual de Londrina. Trabalhou como advogado do sindicato dos farmacêuticos enquanto cuidava de sua própria farmácia.
Depois de aposentado, começou a frequentar o curso de inglês no SESC há um ano e meio. “Fazia mais de 50 anos que não estudava inglês, mas assim que comecei, a língua foi entrando na cabeça rapidamente. Pensei: Ainda não estou caduco”, explicou Antonio rindo. E resolveu prestar o vestibular como desafio.
Ele prestou a primeira fase de conhecimentos gerais sem se preparar e para a segunda fase fez a prova de inglês-português.
“Nesta idade, é comum as pessoas sofrerem diante de perguntas complexas porque esquecem o conteúdo que está lendo no meio da leitura. Sem contar o tamanho das letras que são minúsculas. Teve questões que tive de chutar”, respondeu com um sorrisinho. Mas aguentou as longas 4 horas da prova para ser aprovado.
Escolheu o curso de Letras Português porque almeja escrever a história da região norte do Paraná. “Acompanhei o desenvolvimento do norte paranaense desde os tempos em que tudo era mata fechada. Quero escrever a história viva, contada através de minhas próprias experiências. Quero aprimorar a gramática e meu estilo de escrita para inclusive ser capaz de fazer a correção gramatical”, justifica.

Diversão – “A vida sempre precisa ter alguma diversão. Senão, não entendo qual o sentido de estarmos vivos”, defende Antonio, cuja meta seguinte será a aprovação em medicina na mesma Universidade.
Ele justifica: ”Não quero me tornar médico, apenas gosto de quebra-cabeças”. Depois de prestar o vestibular, a mania do momento é pegar os livros de física que utilizava antigamente para resolver os problemas.
Depois de aprovado, ele foi apresentado em vários jornais da localidade como o “calouro mais velho da UEL”.
“No Brasil, dizem que os doidos têm ‘minhoca na cabeça’ e talvez existam minhocas de verdade dentro de minha cabeça. Assim que morrer, quero que estudem meu cérebro em vez de enterrarem no túmulo. Talvez façam descobertas importantes para o futuro”, diz com bom-humor. Em seguida, arrematou exibindo um brilho no olhar: “Nunca é tarde demais para começar a estudar, mesmo depois de velho. Seria muito bom poder despertar a opinião pública nesse sentido”.
(Kohei Osawa, do Nikkey Shimbun)

Passatempo é postar provérbios no Facebook

Aos 81 anos, Antonio Tunouti usa o tablet com habilidade: “Sempre brinco com meu tablet deitado no sofá”. Seu passatempo é postar provérbios no Facebook. Começou há dois anos e já possui mais de 400 publicações. “A essência é escrever deixando margem para o leitor imaginar. Ser categórico não tem graça e não deixa uma sensação boa depois da leitura”, explicando o segredo. Escritor talentoso, já ganhou um concurso de redação de um Shopping local e foi premiado com um aparelho de TV, porém, diz que deseja elaborar mais a sua escrita. Quem sabe ele não aprimore mais no curso de Letras e conquiste o prêmio Jabuti?

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