Alesp homenageia personalidades da comunidade nikkei por serviços prestados à sociedade

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

A Assembleia Legislativa paulista realizou sessão solene, no último dia 8, para homenagear cinco personalidades da comunidade nipo-brasileira com a entrega do Colar de Honra ao Mérito do Legislativo – a mais alta honraria concedida pela Casa. Pelos relevantes serviços prestados em prol da paz, foram homenageados o produtor, ator, ativista e empresário Rogério Nagai, e os sobreviventes da bomba de Hiroshima – Takashi Morita, Kunihiko Bonkohara e Junko Watanabe – todos integrantes do espetáculo “Os Três Sobreviventes de Hiroshima” do projeto Sobreviventes pela Paz – além do empresário e dirigente Pedro Yano por sua contribuição em prol do desenvolvimento social, cultural e esportivo do Estado de São Paulo.
Idealizada pelo deputado estadual Pedro Kaká (Pode), a solenidade foi realizada no plenário Juscelino Kubistchek e teve à Mesa, além do proponente, o presidente do Comitê Executivo da Comissão para Comemoração dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, Yoshiharu Kikuchi e o cônsul Satoshi Morita.
A cerimônia contou com a participação de seis grupos de taiko que integram a Parada Taiko: Mika Taiko, Tenryuu Wadaiko, Acal Taiko, Sakura Fubuki Wadaiko, Arujá Taiko e Ikkon.

Takashi Morita recebe seu Colar (Jiro Mochizuki)
Takashi Morita recebe seu Colar (Jiro Mochizuki)

Rogério Nagai disse que a homenagem representa “uma vitória e uma conquista não só minhas, mas de todos os sobreviventes que lutam pela paz mundial e que tem lutado ao redor do mundo”. Pessoas, segundo ele, “muitas vezes desconhecidas”. Não são os casos, necessariamente, dos três sobreviventes em questão. Takashi Morita, de 94 anos, Junko Watanabe, de 76 anos, e Kunihiko Bonkohara, de 78 anos.
Os três são conhecidos pela comunidade por percorrem associações e eventos para darem palestras sobre os horrores da guerra e suas consequências. “Minha vida se transformou muito quando conheci os três sobreviventes da bomba, em 2012. Foi a partir daí que surgiu esse projeto. Então, quero demonstrar minha gratidão ao três, que estão sempre comigo propagando essa mensagem de paz”, explicou Rogério Nagai, referindo-se ao projeto iniciado em 2016 com o espetáculo cujos protagonistas são os próprios sobreviventes da bomba residentes no Brasil.

Rogério Nagai discursa observdo por Pedro Kaká (Jiro Mochizuki)
Rogério Nagai discursa observdo por Pedro Kaká (Jiro Mochizuki)

“Eles foram homenageados na noite de hoje não por serem sobreviventes, mas pelo trabalho que desenvolvem em prol da paz. Eles poderiam estar em casa, mas ao ivés disso e apesar das idades avançadas, percorreream mais de 40 países dando palestras contando suas histórias para que isso nunca mais se repita, ou seja, através de suas próprias tragédias pessoais eles deram a volta por cima para, sem qualquer margem de remorso, transmitirem uma mensagem de paz”, disse Nagai, destacando que “trata-se de uma luta contra a correnteza”. “Ou pelo menos é essa a impressão que passa nesse mundo caótico que a gente vive”.
Segundo o produtor, o projeto terá desdobramento. “Hoje são os sobreviventes da bomba de Hiroshima. Amanhã quem estará em cena serão os sobreviventes do holocausto judaico. O projeto tem essa premissa, essa envergadura de trabalhar com esses sobreviventes e hoje o reconhecimento é para esses sobreviventes da bomba”.

Nunca mais – Fundador da Associação dos Sobreviventes da Bomba Atômica no Brasil – que depois passaria a se chamar Associação Hibakusha do Brasil pela Paz – Takashi Morita disse que, apesar de passados 73 anos da tragédia, “ainda me lembro dos acontecimentos como se fosse ontem”.
Conta que tinha 21 anos quando os Estados Unidos lançaram a bomba sobre a cidade de Hiroshima e que, no dia da explosão, marchava pelas ruas com um pelotão – era do pelotão especial do Exército Imperial japonês – a cerca de 1200 metros da explosão. “Vi a cidade inteira sendo destruida e muitas pessoas machucadas. Aquele tempo eu pensava: guerra nunca mais”, disse Morita, que no Brasil – que ele considera “um paraíso” – vem sendo um importante porta-voz dos sobreviventes junto ao governo japonês.

Kunihiko Bonkohara é cumprimentado por Kaká (Jiro Mochizuki)
Kunihiko Bonkohara é cumprimentado por Kaká (Jiro Mochizuki)

Vice-presidente desta mesma associação, Kunihiko Bonkohara dividiu a homenagem “com todas as vítimas da bomba atômica que faleceram em Hiroshima e Nagasaki no tempo da 2ª Guerra”. Ele destacou os horrores da guerra e o perigo da contaminação. “Temos que parar agora mesmo com as bombas atômica se com as usinas nucleares”, discursou.

Junko Watanabe (Jiro Mochizuki)
Junko Watanabe (Jiro Mochizuki)

Já Junko Watanabe tinha apenas 2 anos em 6 de agosto de 1945. “Não me lembro de nada, mas depois de 38 anos meus pais falaram que eu tinha sido vítima da bomba atômica e com 60 anos de idade, o presidente da Associação Hibakusha, Takashi Morita, me convidou para fazer parte da associação”, lembra, afirmando que tem um missão pela frente. “Tenho que transmitir o que aconteceu. Hoje em dia o mundo está muito perigoso, com usinas nucleares, armas nucleares e risco de contaminação. Nós sabemos as consequências. Tenho que transmitir essa realidade, o que aconteceu. Nós sentimos isso. Isso não pode se repetir. O mundo não pode esquecer o que aconteceu”, disse Junko, afirmando que carregará para sempre esse “sentimento pela paz”.

Pedro Yano é homenageado com o Colar (Jiro Mochizuki)
Pedro Yano é homenageado com o Colar (Jiro Mochizuki)

Taiko – Principal responsável pela introdução do ensino de taiko no Brasil, Pedro Yano também se solidarizou aos sobreviventes da bomba. “Hoje, com tantas bombas e usinas é um perigo mesmo. Precisamos refletir para que nunca aconteça a contaminação do planeta, caso contrário, acaba tudo mesmo”, disse, explicando que quanto a ele, homenageado por sua contribuição em prol do desenvolvimento social, cultural e esportivo do Estado de São Paulo, o “mérito não é só meu”.
Com ajuda da Associação Fukuoka do Brasil e do Governo da Província de Fukuoka, Pedro Yano obteve a doação de 6 taikos, talvez, os primeiros do Brasil. Essa mesma parceria proporcionou a vinda, do Japão, de um professor/instrutor de taiko. Esse trabalho culminou com a participação de 1.200 percussionistas no Sambódromo do Anhembi nas Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, em 2008.

Cerca de 40 tocadores de taiko participaram da cerimônia (Jiro Mochizuki)
Cerca de 40 tocadores de taiko participaram da cerimônia (Jiro Mochizuki)

“Foi um trabalho de equipe e que envolveu pessoas aqui no Brasil e no Japão. Aqui no Brasil, citaria inicialmente a Associação Fukuoka do Brasil e todos os organizadores que ajudaram a divulgar e fazer os times. Foi um grande trabalho de todos. Na Japão, até hoje a Nippon Taiko Renmei, entidade presidida poe Kazuko Shiomi, que tem colaborado e apoiado para podermos crescer com a cultura esta milenar cultura japonesa, além da Jica, que patrocina nosso trabalho”, destacou.

Todos os homenageados com autoridades e convidados (Jiro Mochizuki)
Todos os homenageados com autoridades e convidados (Jiro Mochizuki)

Esperança – Proponente da homenagem, o deputado Pedro Kaká explicou a importância da homenagem. “São Paulo é a cidade que concentra o maior número de japoneses e seus descendentes fora do Japão. Aqui é o centro. É onde recebemos e onde continua a grande parcela da população descendente. Por isso esse evento de hoje é um evento não só para a comunidade nipônica, mas sobretudo para o povo paulista e porque não dizer, para o Brasil, pois trata-se de uma homenagem em que o tema é a paz. Lembrar o holocausto de Hiroshima não é apenas sofrer duas vezes, mas esperançar para uma sociedade melhor, uma sociedade de paz, porque isso é que o planeta Terra precisa hoje e esse foi o marco do evento, um evento da paz”.

(Jiro Mochizuki)
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(Jiro Mochizuki)
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