AGRICULTURA: Produção de cacau do Município de Tomé-Açu recebe reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) pelo INPI

Registro beneficiará um grande número de produtores (divulgação)

No dia 18 de junho deste ano, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), no Rio de Janeiro, concedeu a entrega do certificado da Indicação Geográfica (IG) à Associação Cultural e Fomento Agrícola de Tomé-Açu (Acta) representado pelo presidente da associação, Silvio Kazuhiro Shibata.
O reconhecimento havia sido publicado na Revista da Propriedade Industrial de 29 de janeiro e beneficiará um grande número de produtores que solicitaram a IG, na espécie Indicação de Procedência (IP).
Desde a introdução da produção de cacau, em 1929, pela Companhia Nipônica de Plantação do Brasil S.A., no município de Tomé-Açu (então um bairro do município de Acará), se passaram 90 anos para o seu reconhecimento como região tradicional de produção da cultura. Seguido ao reconhecimento do Sul da Bahia no ano passado, é a segunda região que recebe o reconhecimento do cacau na categoria de Indicação de Procedência.
O trabalho para solicitação dessa indicação foi iniciado em 2011, dentro do projeto de cooperação internacional (projeto para reabilitação e conservação ambiental, e melhoramento da renda rural através da disseminação e certificação de Sistema Agroflorestal Sucessional, desenvolvido pelos descendentes nikkeis) financiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), promovido pela Universidade de Tóquio de Agricultura e Tecnologia (TUAT), representado pelo Prof. Dr. Nobuaki Hattori (professor emérito desde 2014), com parceria da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta). A entrada da solicitação foi realizada em 2014 através da Acta, organização sem fins lucrativos, com apoio da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Secretaria de Estado de Agricultura (SAGRI) e Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT).

(Divulgação)

Segundo Alberto Ke Iti Oppata, diretor presidente da Camta, “na visita técnica à província de Shizuoka pelo projeto da Jica constatei que o reconhecimento da Indicação Geográfica será a primeira etapa para obtenção de outros selos como certificação GlobalGAP”. “Nós gostaríamos de dar continuidade a esse trabalho, e ao mesmo tempo dar entrada a solicitação de IG na categoria de Denominação de Origem (DO) para cultura do pimenta-do-reino”, explicou.

Aumento – Grande parte dos produtores de cacau no município de Tomé-Açu realiza a produção pelo sistema agroflorestal que consorcia o cacau com árvores da família de leguminosa de grande porte, que propicia a condição de meia sombra, ideal ao seu desenvolvimento. Em 2016 a produção de amêndoas de cacau no munícipio foi de 2.600 toneladas onde 400 toneladas foram produzidas por 130 famílias cooperados da Camta, que sua grande parte foi exportado a empresa Meiji do Japão. A empresa utiliza essas amêndoas para a produção de chocolates finos da série “Chocolate Agroflorestal ” e “THE Chocolate”.
Com o recente tratado comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, a expectativa é o aumento de demanda de produtos com selos de indicação geográfica no mercado internacional.

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