‘A reconstrução do Castelo de Shuri vai fortalecer ainda mais os uchinanchus’, diz Tério Uehara

O Castelo de Shuri, construído há 500 anos pela Dinastia Ryukyu e que foi destruído pelo fogo (arquivo pessoal)

A notícia caiu como uma bomba na comunidade okinawana, que naquele dia 30 de outubro amanheceu alegre pela comemoração do Sekai Uchinanchu no Hi (Dia Mundial do Uchinanchu), data idealizada em 2016 pelo nipo-argentino Andres Higas e pelo nipo-peruano Andres Tadashi Ysa e instituído pelo então governador de Okinawa, Takeshi Onaga (falecido em 2018), no dia 30 de outubro daquele meso ano, último dia do 6º Festival Mundial Uchinanchu – evento realizado a cada 5 anos na província de Okinawa – como forma de valorizar os costumes, a cultura e histórias dos descendentes de Okinawa que vivem não somente no Japão, mas em todo o mundo.
Na madrugada do 31, por volta das 2h40 (horário do Japão) – tarde do dia 30 no Brasil – o fogo consumia a estrutura do Castelo de Shuri, Patrimônio Mundial da Unesco. Ou melhor, destruía parte de uma história. “Começamos o dia feliz e à tarde foi aquele balde de água fria que deixou todo mundo paralisado”, lembra o vice-presidente da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, Tério Uehara, que vai além. “A estrutura será reconstruída, mas o acervo e história que se perderam são irrecuperáveis”, lamenta.

Espetáculo – Sensibilizados, mas certos de que mais uma vez conseguirão superar mais este obstáculo, okinawanos do mundo inteiro se mobilizaram. Por aqui não foi diferente. Tão logo soube da tragédia, a Diretoria da AOKB se reuniu para ver de que forma poderia ajudar. “Pensamos em várias ideias, mas as que mais ganharam força foi uma campanha para arrecadar doações e um show beneficente”, conta o presidente da associação, Milton Sadao Uehara, acrescentando que foi criada uma Comissão encabeçada pelo próprio Tério Uehara e pelo ex-presidente e atual diretor de Relações Internacionais da AOKB, Eiki Shimabukuro.
O espetáculo Chibariyoo Uchinachá – ou Força Okinawa na língua okinawana – Show beneficente em prol da reconstrução do Castelo de Shuri acontece no próximo dia 8, na sede da AOKB, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Os portões serão abertos ao meio-dia para que o público possa saborear o famoso Okinawa Sobá preparado pelas senhoras do Rengo Fujinkai.
A programação artística terá início a partir das 14 horas. De acordo com Tério Uehara, o espetáculo terá dois blocos. O primeiro será dedicado a grupos de várias associações que estarão apresentando diferentes números como minyo, danças, taiko, músicas, sanshin e bunomai, entre outros estilos. Haverá espaço também para o Okinawa Social Dance e uma coreografia especial das participantes do Kenko Taisso sob orientação da professora e presidente da Associação Kenko Taisso do Brasil, Toshie Kawazoe.

Eiki Shimabukuro, Sadao Uehara e Terio Uehara (arquivo pessoal)

Voluntários – Depois do intervalo, tem início o segundo bloco, que será totalmente dedicado ao Castelo de Shuri. Com o tema “Kabugeki – Shurijo Utage”, a produção está a cargo do professor, coreógrafo e dançarino Satoru Saito.
No total, explica Tério, passarão pelo palco da AOKB cerca de 250 artistas em mais de três horas de evento. Vale destacar, conta Eiki, que todos os artistas, além de participarem de forma voluntária do espetáculo, também fizeram questão de contribuir. Paralelamente, a Comissão também estará vendendo produtos como camisetas, pins e botons criados e desenvolvidos pelos jovens.
Todo o dinheiro arrecadado, bem como o da campanha, será enviado diretamente ao governo de Okinawa. “Foi uma tristeza enorme, mas que este fato sirva para todos se unirem para a reconstrução do Castelo de Shuri, que para os okinawanos é considerado um símbolo”, destaca Eiki, que já morou em Okinawa e esteve visitando o local “mais de 20 vezes”.
“Para se ter uma ideia, Okinawa recebe cerca de 7 milhões de turistas por ano e deve chegar na casa dos 10 milhões, ultrapassando o Havaí como destino mais procurado. E dentre as atrações, o Castelo de Shuri é uma espécie de visita obrigatória”, conta Eiki, lembrando que o castelo foi construído há 500 anos pela dinastia Ryukyu e foi totalmente destruído na Segunda Guerra Mundial. Restaurado em 1992, o local abrigava réplica do reino Ryukyu, maquete e fotos. “É um símbolo e orgulho para os okinawanos do mundo todo”, diz, afirmando que a meta do governo é reconstruir o castelo até 2022, quando se comemora os 50 anos da devolução de Okinawa ao Japão.
Solidariedade como a demonstrada pela AOKB não faltam. “Fazemos parte da mobilização que está acontecendo no mundo todo entre os okinawanos”, explica Sadao, que visitou Okinawa pela primeira vez este ano mas lamenta não ter conseguido conhecer o Castelo. “Mesmo as empresas que não são de Okinawa também se prontificaram a contribuir, observa Eiki, explicando que a meta do governo de Okinawa, de arrecadar 100 milhões de ienes, foi superada em 4 vezes em apenas três dias.

(Arquivo pessoal)

Orgulho – Para Tério Uehara, que sempre que vai a Okinawa faz questão de dar uma “passadinha” para ver o Castelo de Shuri – “fisicamente não muda, mas passa uma energia muito positiva” – a reconstrução vai ter um significado especial. “Da mesma forma que foi depois da Segunda Guerra Mundial, esta mobilização que está ocorrendo no mundo inteiro vai servir para unir ainda mais os uchinanchus do mundo inteiro. Será um orgulho para todos”, afirma Tério, lembrando que, em relação à campanha, as doações podem ser feitas até 10 de fevereiro de 2020 através de transferência e/ou depósito bancário na conta da Associação Okinawa Kenjin do Brasil do Banco do Brasil (Agência 1196-7 – CC: 46.457-0 – CNPJ: 62.270.434/0001-69).

Chibariyoo Uchiná – Show beneficente em prol da reconstrução do Castelo de Shuri
Quando: Dia 8 de dezembro,
a partir do meio-dia.
Início do show: às 14 horas
Contribuição:
R$ 50,00 (valor único)
Local do show e venda de convites antecipados:
Associação Okinawa Kenjin do Brasil (Rua Dr. Tomaz de Lima, 72 – Liberdade)
Informações pelo telefone: 11/3106-8823

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