22º FESTIVAL DO JAPÃO: Kenren celebra público, destaca evolução na Praça de Alimentação e mira 2020

(Aldo Shiguti)

Realizado pelo Kenren (Federação das Asssociações de Províncias do Japão no Brasil) nos dias 5, 6 e 7 deste mês, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na zona Sul de São Paulo, o 22º Festival do Japão recebeu um público de 192 mil visitantes, segundo dados dos organizadores. O número é maior do que o registrado em 2017, quando passaram pelo cerca de 185 mil pessoas e menor do que o do ano passado, que registrou 215 mil visitantes. Para efeito de comparação, o Kenren leva em consideração o evento de 2017, considerado um festival “que mais se aproxima ao deste ano”.
Na visão dos organizadores, o evento de 2018 é considerado “atípico” por ter sido realizado conjuntamente com as comemorações dos 110 Anos da Imigração Japonesa, cujo ponto alto foi a visita de Sua Alteza Imperial, a princesa Mako ao Brasil. Além disso, naquele ano o Festival organizou uma tentiva de quebra de recorde como o “Maior Mostruário de Pratos da Culinária Japonesa”.

José Taniguti (centro), com alguns presidentes de kenjinkais na degustação para convidados (Aldo Shiguti)

“Estávamos preparados para receber cerca de 200 mil visitantes, mas vários fatores acabaram contribuindo para que isso não acontecesse”, explicou o presidente da Comissão Organizadora, José Taniguti. Segundo ele, entre os fatores que prejudicaram a presença de público estão a queda brusca de temperatura e as chuvas que caíram em São Paulo na quinta e na sexta-feira. “Tivemos ainda o feriado de 9 de julho que, queira ou não, fez com que muitas pessoas deixassem a Capital”, disse Taniguti, afirmando que, embora sazonal, a consequência da crise atual na economia brasileira também afetou.
O resultado, conta Taniguti, apesar de apresentar uma melhora de público em relação a 2017, foi um movimento menor na praça de alimentação, um dos carros chefes do Festival. “Chegaram até nós comentários que essa quantidade de visitantes não refletiu nos boxes dos kenjinkais. Por outro lado, também ouvimos que alguns kenjinkais estavam plenamente satisfeitos com o resultados das vendas”, observou Taniguti, acrescentando que não chegou a conversar com os pequenos expositores.

Lições – “Devemos marcar uma reunião interna nos próximos dias, mas de modo geral não temos nenhuma queixa quanto a presença de público”, assegurou Taniguti, destacando que, apesar disso, a Comissão Organizadora deve tirar algumas lições para 2020. “Primeiro, devemos ter sempre em mente que um festival nunca é exatamente igual ao anterior, ou seja, cada ano tem suas possibilidades e resultados diferentes. E a segunda lição é que temos sempre que tentar buscar inovações”, disse Taniguti, acrescentando que o tema deste ano, “Cultura sem fronteiras” foi um conceito “mais virtual do que real”.
“O mundo muda, evolui, mas muitos kenjinkais não conseguem acompanhar essa evolução. Este ano, por exemplo, tentamos algo novo através de aplicativos como o PayAqui e o Mercado Pago, uma novidade que muita gente não conhecia e não conseguiram associar isso ao tema do evento”, explicou o presidente, antecipando que, para o ano que vem, “talvez façamos algo relacionado aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, sem perder de vista a cultura que está no meio”.

Apresentadores e voluntários do Palco Vermelho (Aldo Shiguti)

23º Festival já tem data – Para 2020, José Taniguti conta que foi encarregado de continuar como presidente da Comissão Organizadora da 23ª edição, que também já tem data definida: será nos dias 10, 11 e 12 de julho. “Isto é, novamente teremos o feriado do Dia Revolução Constitucionalista, mas era a opção que nós tínhamos”, frisou Taniguti, destacando que, “o mais importante é o apoio da equipe”, que já se manifestou favoravelmente para que ele continue exercendo a função de “maestro”.
Uma novidade é certa. Para 2020 o layout deve mudar pois o Pavilhão 3, que este ano não foi possível ser incorporado, já está reservado. Segundo Taniguti, inicialmente a ideia é usar os Pavilhões de 3 a 7 e, se necessário, locar também o 8. “Este não tem problema pois fica um pouco longe e acreditamos que não teremos dificuldades em alugá-lo”, conta Taniguti, explicando que o festival mesmo já terminou, mas para a Comissão Organizadora a preocupação deve continuar nos próximos meses até que se conclua o fechamento financeiro. “E aí estamos torcendo para que termine, no mínimo, empatado. Mas é algo que só vamos ficar sabendo no final do ano com os acertos de contas”, diz Taniguti.

No sábado, praça de alimentação principal ficou lotada (Aldo Shiguti)

Evolução – Para o Conselheiro e vice-presidente do Kenren, Toshio Ichikawa, que presidiu o Festival do Japão por três anos, “analisando nossos registros de dados chegamos a conclusão que tivemos um ligeiro crescimento em relação a 2017 já que 2018 foi um ponto fora da curva com 2015 mil visitantes”. “Não foi aquele salto significativo, mas talvez um crescimento vegetativo e isso ficou dentro das nossas expectativas”, disse Ichikawa, que viu também evolução na praça de alimentação.
“No ano passado recebemos algumas críticas pela falta de espaço e desconforto na hora de comer e o tempo de espera nos estandes dos kenjinkais. Este ano, pelos comentários, notamos que tivemos progresso com a ampliação do espaço na praça de alimentação e a colocação de mais mesas e cadeiras. Isso foi bastante satisfatório e também tivemos avanços no tempo de espera para comprar e receber o prato, que diminuiu bastante”, avalia Ichikawa, afirmando que outra melhoria foi a criação de espaços em frente aos estandes para que os visitantes pudessem circular.

Filas em frente aos estandes dos kenjinkais diminuíram bastante (Aldo Shiguti)

TPS – A evolução na praça de alimentação, de acordo com o conselheiro, tem muito a ver com a participação do Sistema Toyota de Produção, “que ajudou bastante na mudança do layout e no fluixo de pessoas”.
Toshio Ichikawa acredita que, “embora a diferença não tenha sido tão significativa entre a expectativa inicial e o que foi vendido, alguns kenjinkais atingiram a meta”. Para ele, “o que talvez a maioria não tenha percebido é que, sem dinheiro, os visitantes ficaram mais seletivos”.

Para 2020 – “Isso também afetou o resultado financeiro”, afirmou Ichikawa, destacando que uma saída é a opção por pratos menores com preços mais acessíveis para se adequar à nova realidade. Segundo ele, a tendência para 2020 ainda aponta para um crescimento de público. “Mas, para que isso ocorra, devemos abrir um pouco mais os canais de comunicação”, explica Ichikawa.

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