17º Japan Fest recebe cerca de 65 mil visitantes e reforça laços de amizade com Izumisano

 

(Divulgação)
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Considerado um dos maiores eventos da cultura japonesa do país, o Japan Fest – que este ano atingiu a sua 17ª edição – teve início na quinta-feira (4), aniversário da cidade de Marília, com um dos mais queridos e respeitados grupos de samba de São Paulo, o “Demônios da Garoa”. Foi um show para todas as idades e que fez todo mundo cantar ao som de “Trem das Onze” e “Saudosa Maloca”, entre tantos sucessos que imortalizaram o grupo.

Sergio Rosa recebe homenagem em nome do “Demônios da Garoa” (Aldo Shiguti)

Segundo o coordenador geral da festa, Carlos Mitio Nakamura, o grupo “Demônios da Garoa” foi escolhido para fazer o show de abertura do Japan Fest por sua história, afinal, são 75 anos de carreira. Aliás, Sergio Rosa, filho de Arnaldo Rosa – um dos fundadores do grupo – recebeu a homenagem em nome dos integrantes da banda. Além do Demônios da Garoa, os organizadores homenagearam também Sadaco Kito, de 93 anos, e a banda japonesa Izumisano – da cidade de mesmo nome e co-irmã de Marília.

Sadaco Kito, de 93 anos, foi homenageada pelos organizadores (Aldo Shiguti)
Sadaco Kito, de 93 anos, foi homenageada pelos organizadores (Aldo Shiguti)

A festa prosseguiu na sexta, sábado e domingo com muitas atrações para o público, que aprovitou até o último dia para conferir as apresentações artísticas e saborear as delícias da culinária japonesa, além de se encatarem com a a 35ª Exposição de Ikebana Kado Ikenobo Tatibana da América Latina e com as belas candidatas do Concurso Miss Nikkey Marília e Região, comandando pelo apresentador Kendi Yamai.
Apesar da chuva que caiu no sábado à noite e boa parte do domingo, os organizadores calculam que cerca de 65 mil pessoas passaram pelo Nikkey Clube durante os quatro dias de festa.
O presidente do Nikkey de Marília, Keniti Mizuno, destacou que “neste ano que comemoramos os 111 anos da imigração japonesa no Brasil, os 90 anos de emancipação da cidade de Marilia e os 89 anos da fundação do Nikkey de Marilia, relembramos o importante trabalho dos imigrantes japoneses na lavoura de café que contribuiu para o desenvolvimento econômico e agrícola do nosso país”.

Princesa Mako – Keniti Mizuno lembrou, ainda, a visita de Sua Alteza Imperial, princesa Mako à região. “No dia 22 de julho de 2018, tivemos a honra de receber em Marilia a representante da família imperial, a princesa Mako de Akishino, um marco histórico para a nossa cidade e para todos os descendentes de japoneses do Brasil”, observou Mizuno, que agradeceu os membros da Comissão Organizadora, diretores, imprensa, Shopping Marilia, expositores, patrocinadores, a PM e os 700 voluntários que trabalharam neste evento. Todos são importantes para o sucesso”.

Logo na abertura, evento recebeu um grande público (Aldo Shiguti)
Logo na abertura, evento recebeu um grande público (Aldo Shiguti)

ProAC – Ele explicou que o Japan Fest, uma iniciativa da TV Tem e realização do Nikkey Clube de Marilia, teve início no Colégio Bezerra de Menezes, há 17 anos, e desde então vem crescendo a cada ano. “Este evento faz parte do calendário turístico e cultural do Estado de São Paulo, temos o ProAC, apoio das indústrias e comércio de Marilia e região e também está inserido no calendário de festividades do municipio, com apoio da Câmara Muncipal e da Prefeitura Municipal de Marilia”, comentou Mizuno, que aproveitou a oportunidade para agradecer a Prefeitura de Izumisano, cidade-irmã de Marília, representada por Michihiro Mase, por “facilitar a vinda da banda musical” e a comitiva de Izumisano neste evento, “que só faz engrandecer ainda mais este evento”.

Representante da Prefeitura de Izumisano recebe homenagem (Aldo Shiguti)
Representante da Prefeitura de Izumisano recebe homenagem (Aldo Shiguti)

Keniti Mizuno agradeceu também o convite feito ao atleta de Marilia para participar da maratona de inverno em Izumisano em fevereiro de 2019, fortalecendo o intercâmbio entre as cidades co-irmãs. “Não poderia deixar de agradecer também o material esportivo, os materiais doados e a recepção calorosa da nossa comitiva no Japão em novembro do ano passado”, disse Mizuno, que mencionou ainda uma preocupação externada pelo cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi. “Em conversa com o cônsul, ele me disse da sua preocupação com a cultura e a tradição japonesa daqui a dez anos. Muitos dos nossos costumes e tradições, como os valores étnicos, morais, respeito e o conceito de mottainai (esperdício zero) podem estar deixando de ser praticado ao longo dos anos”, observou. E reafirmou o objetivo do Japan Fest, que é o de preservar e divulgar a cultura japonesa no Brasil.

O presidente do Nikkey de Marilia, Keniti Mizuno (Aldo Shiguti)
O presidente do Nikkey de Marilia, Keniti Mizuno (Aldo Shiguti)

Filantropia – Ao Jornal Nippak, Keniti Mizuno fez questão de compartilhar o sucesso da festa com todos os envolvidos. “Todos têm seu mérito. Ninguém faz um evento desse sozinho. Nós temos o apoio do público e dos poderes municipal, estadual e federal, mas também de várias outras entidades porque nosso objetivo maior é preservar e divulgar a cultura japonesa, mas também promover a confraternização entre as várias culturas”, disse Mizuno, explicando que “hoje, 60% do público que frequenta o Japan Fest são brasileiros”.
“Isso é muito importante pois promove uma integração entre os povos”, disse Mizuno, que destacou também o caráter filantrópico da festa. “Nós trabalhamos com mais de 15 entidades. É uma oportunidade para elas não só divulgarem seu trabalho como também arrecadarem recursos para se manterem”. E ressaltou que, mais uma vez, a Comissão Organizadora fechou parceria com o Fundo Social de Solidariedade e, no primeiro e último dia da festa (quinta e domingo), o público pôde entrar contribuindo com um quilo de alimento não perecível (exceto sal). A campanha arrecadou duas tonelas de alimento que foram doados ao Fundo Social de Solidariedade.
“Muitas pessoas nos perguntam como conseguimos manter um evento deste porte trocando a entrada por alimento. Temos outras maneiras de pagar as despesas e é a nossa maneira de apoiarmos a sociedade, dando oportunidade para que todos possam participar da festa”, afirmou Keniti Mizuno, acrescentando que “o Japan Fest cresceu tanto que se tornou um evento da região e não só de Marília, “graças à credibilidade que conquistamos, tanto na colônia japonesa coimo também na sociedade brasileira”. “O nosso maior patrimônio são os nossos voluntários”, destacou.

Leonardo Sasazaki “Sonho que virou realidade” (Aldo Shiguti)
Leonardo Sasazaki “Sonho que virou realidade” (Aldo Shiguti)

Sonho – Presidente da 17ª Japan Fest, o empresário Leonardo Sasazaki também exaltou a união. “Os obstáculos e dificuldades fazem parte da nossa vida, mas quando existe união de esforços, esses desafios são vencidos de forma mais fácil”, disse Leonardo, ele próprio um dos idealizadores do Japan Fest ao lado de Carlos Nakamura e de Keniti Mizuno.
“Foi um sonho de três pessoas, jovens, ainda, que se tornou realidade. O sonho começou pequeno, lá no Colégio Bezerra de Menezes, e cresceu graças ao apoio da sociedade, dos patrocinadores e do poder público que acreditaram nesse sonho. Todos aderiram à ideia de podermos passar um final de semana com a família onde todos os amigos pudessem se reunir e saborear comida típica japonesa. Assim começou a brincadeira”, contou Leonardo ao Jornal Nippak, lembrando que, na primeira edição do evento já no endereço atual, “o Paca, eu e o Keniti sentamos lá pelas 22 horas de sábado e choramos”. “Não é que deu certo?”, recorda.
Para ele, o mais importante foi o evento ter permanecido fiel às suas origens. “A gente queria poder reunir a família e divulgar a cultura japonesa. E isso não mudou”, disse Leonardo, afirmando que, justamente por ser uma festa voltada para a família, uma das preocupações sempre foi quanto à segurança e o respeito.
Segundo ele, mesmo com o sucesso, “nada é tão bom que não possa ser melhorado”. “Sempre temos o que melhorar. O estacionamento é um exemplo. E também podemos abrir a praça de alimentação para que outras culturas participem”, explica Leonardo, acrescentando que o Japan Fest “extrapolou fronteitas e hoje até o Japão está vendo a gente com outros olhos”. “Conseguimos preservar aqui uma cultura tradicional que nem mesmo os próprios japoneses conseguem mais”, garantiu.

Walter Ihoshi, presidente de honra da 17ª Japan Fest “Uma honra” (Aldo Shiguti)
Walter Ihoshi, presidente de honra da 17ª Japan Fest “Uma honra” (Aldo Shiguti)

Presidente de honra da 17ª edição do Japan Fest ao lado de Yoshimi Shintaku –, o presidente da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo), Walter Ihoshi agradeceu o carinho e lembrou que mantém laços de amizade com Marília e região há 12 anos.
“Agradeço o apoio que recebi da comunidade ao longo dos meus três mandatos. Finalizei, e agora recebi uma nova missão do governador João Doria, de ajudar o empreendedorismo, diminuindo o tempo de abertura de empresas para 24 horas. Vou coninuar com vocês, podem contar com meu trabalho”, disse Ihoshi.

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