SILVIO SANO > NIPÔNICA: Radicar-se num país… pelos filhos

Por esses dias, em minha rede social, recebi notificação do aniversário de um amigo brasileiro que mora no Japão. Conheci-o, e à esposa, quando também lá estive e quando já fazia a intermediação entre uma agência japonesa e seus decasséguis brasileiros.
Eles faziam parte dos casais que tinham ido para realmente faze o pé-de-meia e, depois, retornarem ao Brasil. Afirmo isso porque tinham também os poucos preparados que nunca conseguiram juntar o suficiente… às vezes, o contrário até. Mas isto é outra história.
Na minha posição, e nessa condição, pude lidar com cerca de mil brasileiros em três anos e meio… e colher depoimentos que, no fim, gerou “Sonhos Que De Cá Segui”. Mas isto também é outra história… rs.
A razão desta é que esses amigos me remeteram à minha nunca vontade de me radicar no Japão, coisa que já se determinaram a fazer a partir do momento que, recentemente, adquiriram uma casa naquele país.
E eu teria tudo para fazer o mesmo, visto que fui para lá por quatro vezes e por quatro óticas diferentes: bolsista (1975), lua-de-mel (1980), pesquisador universitário (1985/87) e decasségui (1989/92), sendo esta, por culpa da violência urbana que vige no país. Mas não! Mesmo assim nunca qui-lo. O irônico é que é devido a todas essas idas e mais… um dia explico, por achar violência intelectual pior do que física.
Voltando ao casal amigo, também chegaram a retornar uma vez ao Brasil e a tentar permanecer, mas apesar do pé-de-meia trazido, não conseguiram se firmar por aqui. Como já estavam com filhos preferiram ir novamente àquele país. Mas daí os filhos cresceram! Foram criando raízes. Não voltam mais!
Um primo também está lá. Com esposa e filhos grandes. Também compraram uma casa. Igualmente, não mais retornam ao Brasil.
Ou seja, estão se tornando imigrantes no Japão da mesma forma como nossos ancestrais no Brasil: não por amor ao novo país, mas por apenas criarem raízes (filhos) nele. Se bem que outros brasileiros também, só que… por ainda não confiarem no próprio país em que nasceram. Né, não?!

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