POLÍTICA: Junji Abe assume mandato e promete ‘dinamismo’ e ‘experiência’ para compensar tempo ‘exíguo’

No ano que comemora os 110 anos de imigração, a comunidade japonesa acaba de “ganhar” mais um representante nikkei na Câmara dos Deputados. Junji Abe (PSD-SP) assumiu nesta quarta-feira, 21, na vaga do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, desde dezembro último. Junji Abe recebeu convocação oficial da Câmara Federal para assumir mandato na Casa na segunda-feira (19), à noite, conforme apurou o Jornal Nippak. Na terça-feira à noite ele viajou para Brasília.

Depois de cumprir quatro anos no cargo de deputado federal, entre fevereiro de 2011 e janeiro de 2015 – nas eleições de 2014 recebeu 79.909 votos e ficou na suplência da coligação PMDB-PROS-PP-PSD – Junji retorna ao Congresso Nacional num cenário político conturbado e com pouco tempo para mostrar serviço.

Junji Abe assume mandato e promete ‘dinamismo’ para compensar tempo ‘exíguo’.
Foto: Facebook/JunjiAbe

Produtores rurais – “O tempo é exíguo num Brasil complicadíssimo com um calendário é atípico por ser ano eleitoral e Copa do Mundo. Por ser ano eleitoral, tudo se complica, mas como sou uma pessoa dinâmica e experiente, não me falta vontade para trabalhar”, disse o parlamentar na tarde desta terça-feira ao Jornal Nippak.

Segundo ele, a ordem é correr contra o tempo. “Tenho mais de 40 projetos que, com minha saída, foram arquivados. Pretendo analisá-los e ver quais podem ser retomados”, explicou Junji, acrescentando que, “no meu caso, não posso esquecer nunca os mini, pequenos e médios produtores rurais, em especial os do Alto Tietê, que são fundamentais para o agronegócio”, disse, destacando ainda que qualidade de vida, saúde, educação e segurança também estão entre suas prioridades.

“Tenho propostas que abrangem todas as áreas, diversidade que, aliás, foi um dos diferenciais do meu mandato e que me fez figurar no 13º lugar do ‘Ranking do Progresso’ elaborado pela Revista Veja entre os 513 parlamentares brasileiros, e como o terceiro melhor colocado entre os 70 representantes do Estado de São Paulo”, explicou Junji, acrescentando que “isso me trouxe muita valorização”.

Na vida pública desde 1972 – foi vereador (1973-1976), três vezes deputado estadual (1991-2000), prefeito de Mogi das Cruzes por oito anos seguidos (2001-2008) e deputado federal (2011-2015) – Junji Abe disse que, “por conhecer um pouquinho esse setor [política], principalmente em função de um governo desgastado, que enfrenta os parlamentares em ano eleitoral”, sempre manteve a serenidade.

Junji assina o termo de aceite como suplente na Secretaria Geral da Mesa Diretora antes da posse.
Foto: Facebook/JunjiAbe

110 anos da imigração – Para ele, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afastou Paulo Maluf de suas funções, deve concluir o processo de cassação do mandato do ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Junji, no entanto, afirmou que não está preocupado com uma possível reviravolta na situação.

“O quadro é irreversível”, afirmou Junji, que se mostrou particularmente feliz em poder voltar no ano em que a comunidade nipo-brasileira comemora os 110 anos de imigração. “Em 2008, como prefeito de Mogi das Cruzes pude participar das comemorações do Centenário e espero ajudar agora”, observou, acrescentando que, aos 77 anos, “me sinto punjante e com boa saúde”.

A resposta veio depois de indagado pelo Nippak se seu retorno o motivaria a enfrentar uma nova eleição ao lado do filho, o atual vice-prefeito de Mogi, Juliano Abe, que deve sair candidato a deputado estadual.

Reeleição – Na coletiva concedida a jornalistas de Mogi e da região do Alto Tietê nesta terça-feira no Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Junji Abe, de acordo com o Jornal Oi, “deixou bem claro que a oportunidade de atuar como deputado federal até o final deste ano poderá criar as condições políticas de que ele e seu filho, Juliano Abe (PSD), precisam para disputarem a eleição deste ano – apesar de o PSD de Mogi (comandado pelo ex-prefeito e pré-candidato a deputado federal Marco Bertaiolli) sustentar nos bastidores que Junji e nem Juliano terão legenda para concorrer e que, no caso de ambos insistirem em serem candidatos, terão de procurar outros partidos”.

Questionado pelo Jornal Oi, Junji afirmou que pretende ‘tirar a limpo’ junto à direção do PSD no Congresso Nacional, os eventuais impedimentos à sua eventual candidatura e a participação de Juliano Abe na campanha para deputado estadual.

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