Para Helton Yomura, assumir Ministério do Trabalho é ‘uma responsabilidade’ e ‘um desafio’

Yomura durante transmissão de cargo: “A rotina no Ministério absorve nossa capacidade intelectual” (Edu Andrade/Ministério do Trabalho/Ascom)
Yomura durante transmissão de cargo: “A rotina no Ministério absorve nossa capacidade intelectual” (Edu Andrade/Ministério do Trabalho/Ascom)

Se a primeira impressão é a que fica, o novo ministro do Trabalho, Helton Yomura (PTB), tem tudo para marcar sua passagem como titular da pasta com um atributo comumente associado ao legado deixado pelos pioneiros nesses 110 anos de imigração japonesa no Brasil: a vocação para o trabalho. Empossado pelo presidente Michel Temer (PMDB) no último dia 10 de abril, em solenidade no Palácio do Planalto, Yomura disse, em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, que sua rotina tem sido “intensa” desde que assumiu – estava interinamente no cargo desde o fim do ano passado, quando Ronaldo Nogueira (PTB-RS) deixou a pasta. “Mantenho uma carga de trabalho bastante alta e, a cada dia, surge uma situação nova. Sempre há algum novo desafio e isso me motiva: sou movido a desafios”, disse Yomura, que admite ser um wokholic.
“Mas não vejo absolutamente o termo como algo pejorativo. Amo o que faço”, justifica o ministro, que era superintendente regional do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro e foi secretário-executivo da pasta.
A paixão do nikkei pelo trabalho também foi destacada pela deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ) durante a cerimônia de transmissão de cargo realizada no último dia 17, na sede do Ministério, em Brasília. “O ministro Helton Yomura vai deixar um legado de muito trabalho, para uma mudança cada vez maior do cenário no país, em defesa do emprego e do trabalhador”, disse a filha do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson.

Desafios – E trabalho e desafios parecem não faltar nesta sua nova empreitada. Segundo ele, a ideia é manter as ações que já vinham sendo desenvolvidas, com ênfase para os serviços efetuados por meio de aplicativos, como Sine Fácil, Carteira de Trabalho Digital e Seguro Desemprego Web.
Para Yomura, assumir o cargo em um momento conturbado como o que o país está atravessando é “desafiador”. “É um prazer e uma honra [assumir o Ministério do Trabalho], além de uma grande responsabilidade, responder às demandas do nosso povo no momento em que a eficiência e organização se fazem mais necessária para que o Brasil retome o caminho da prosperidade”, explicou Yomura, afirmando que herdou de seus avós paternos – a avó é de Kobe e o avô de Kyoto – a capacidade de concentração e o foco no trabalho.

Ministro acha cultura dos mangás “impressionantemente criativo” (Albino Oliveira/Ministério do Trabalho/Ascom)
Ministro acha cultura dos mangás “impressionantemente criativo” (Albino Oliveira/Ministério do Trabalho/Ascom)

“A rotina no Ministério absorve a nossa capacidade intelectual e muitas vezes as demandas se sucedem de tal forma que só com foco podemos estabelecer prioridades e avançar”, destaca ele, acrescentando que também aprecia a culinária japonesa e “gosta muito da cultura dos mangás”, que ele considera “impressionantemente criativo”.

Decasséguis – A gastronomia e o mangá são foram as únicas influências japonesas. Natural do Rio de Janeiro, Helton Yomura conta que durante sua infância chegou a praticar karatê. “Na juventude tive contato com os demais esportes por intermédio da comunidade do Rio de Janeiro”, disse o ministro, lembrando que jogou beisebol, especialmente. Quanto aos eventos, Yomura explica que participou ativamente de atividades realizadas pela comunidade nikkei do Rio. “São eventos memoráveis”, observa Yomura, explicando que já esteve no Japão. Para o ministro, a realidade dos trabalhadores brasileiros no Japão, os chamados decasséguis, “é muito próxima”. “Três pessoas da minha família, primos e tios, já tiveram a experiência de trabalhar no Japão. Eles, porém, já retornaram ao Brasil”, ressalta o ministro, que nesta terça-feira (24) participou de sessão solene na Câmara dos Deputados para lembrar o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho.
“Tenho a expectativa de que, com o aquecimento do mercado brasileiro, todos os brasileiros que estão no Exterior retornem ao nosso país. Muitos executam trabalho brilhante no Japão, por exemplo, mas seria excelente que essa massa trabalhadora voltasse ao nosso país enriquecida com sua experiência internacional”, conclui Helton Yomura.

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