Nos 60 anos, kaikan de Fernandópolis recebe fundadores e descendentes

Cerimônia oficial de abertura da solenidade dos 60 anos de fundação da Acef (Silvio Sano)

A data real de fundação da Associação Cultural e Esportiva de Fernandópolis (Acef) – também conhecida como Clube Tóquio – é 2 de abril de 1957, ou seja, os 60 anos teriam sido completados no ano passado, mas a cerimônia só foi realizada agora, no dia 24 de março.“É que devido à enorme vontade de realizar essa homenagem aos fundadores, mas tendo de, democraticamente, ter a concordância de todos os associados para gasto de despesas, porque a intenção era contemplar a todos, estando ou não frequentando o kaikan. Como foi aprovada apenas dois meses atrás, tivemos de correr para que a festa ocorresse antes de completar 61”, justificou Katsuyuki Okuma, presidente do kaikan, aliviado e feliz por tê-la concretizada.

Katsuyuki Okuma, presidente (Silvio Sano)

“Foi um trabalho de formiguinha, envolvendo todo mundo, entregando convites em mãos, pelas redes sociais e contando com a ajuda de quem tinham contatos além de nosso alcance”, prosseguiu Rosa Eiko Ota Sano, presidente do Fujinbu. “Felizmente atingimos nosso objetivo conseguindo trazer toda a comunidade japonesa local e até famílias que vivem distantes de nós. Fiquei emocionada porque sou de fora, casada com filho de fundador, Oswaldo Haruo Sano, e acabei conhecendo pessoas que não sabia terem sido tão importantes ao kaikan. Agora, estou preocupada com seu futuro porque, no momento, só nossa geração tem trabalhado efetivamente para a realização de atividades à comunidade”, completou, esperando que os jovens se conscientizem, passem a frequentar mais o clube e a assumir essas funções.
Rui Ikeda, vice-presidente da Acef e mestre de cerimônia, estava extremamente feliz. “De onde estava, no palco, a impressão ainda era das melhores. Casa cheia, todo mundo em harmonia, muito acima de nossa expectativa. E o pessoal que ficou fora do salão principal compreendeu a situação, não ficando chateado por isso. Acho que 95% atenderam ao nosso chamamento. Foi maravilhoso e ainda fechamos a festa com a cantora Karen Ito. Agradeço a todos pelo apoio”, concluiu.

Primeira Placa (Midori Sano)

Gratidão – Titosi Uehara, orador oficial, que discorreu sobre a história desses 60 anos ao público, revelando situações e conquistas desconhecidas, teve de pesquisar a fundo. “Foi muito gratificante para nós, organizadores, porque jamais esperávamos uma adesão desse vulto. Deu gosto ver o clube lotado, nem cabendo mais gente. A festa foi linda. Satisfez a todos e só tenho a agradecer por terem atendido ao nosso convite. Muito obrigado!”, afirmou ele que, com a família, fez questão de ficar no anexo, fora do salão principal.
“Esse tipo de evento, de gratidão, é o que vale mais. Onde não há gratidão tudo está perdido. Hoje foi um de gratidão com ‘G’ maiúsculo. Um momento que possibilitou reencontrarmos amigos de mais 60 anos atrás, como há pouco, na saída, ao me reencontrar com a família Gusukuma. Família bonita! Gosto de encontrar pessoas bonitas…””, feliz, expressou Jorge Tsuneharu, primogênito de Tsuneshi Sano, um dos idealizadores da construção do kaikan. “Como já fazem muitos anos, algumas informações acabam mesmo vindo incompletas. Por isso, no discurso, fiz questão de fazer referência a quem acho deu muito sangue para a construção do kaikan. Então, deixando a modéstia de lado, ressaltei o trabalho incansável de meu pai, até para justificar a foto dele como primeiro da fila na galeria de ex-presidentes, mesmo sem nunca o ter sido”, completou.

Emoção – A satisfação foi geral, inclusive com pessoas se emocionando a ponto de chorarem nos reencontros depois de longo tempo e trazendo fotos da época, as quais também as faziam rir pelas recordações, matando saudades mútuas. E o evento se encerrou com uma apresentação surpresa da cantora Karen Ito, guardada em segredo até o momento de sua aparição no salão, para a alegria de todos.
“Sinceramente, esperávamos de 150 a 200 pessoas e vieram mais de 300. Nosso kaikan, hoje, foi pequeno para homenagear nossos fundadores, mas foi grandioso pela presença da maioria deles, alguns vindos de longe, atendendo ao nosso convite. Estamos muito agradecidos e, agora, só esperamos que os jovens se espelhem no que fizemos para darem sequência ao nosso trabalho em prol do futuro do kaikan que passará a ser deles”, concluiu Okuma, com o espírito do dever cumprido.

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