MUNDO VIRTUAL: Fake news: como ficamos nós?

Tenho feito várias reflexões ao longo destes quase 04 anos, a respeito dos benefícios que podemos retirar da tecnologia, como usuários; mas às vezes é necessário falar de prejuízos que podemos sofrer com ela, como é o caso das fake news.
Literalmente, a expressão fake news, proveniente da língua inglesa, tem o significado de “notícias falsas”, que contextualizando, têm o foco de disseminar informações falsas, com o propósito puro e simples de prejudicar a imagem de alguma pessoa ou empresa, ou mesmo de induzir os leitores a erro e tirar vantagem da falsa conclusão criada.
O assunto adquire grande relevância na época em que estamos vivendo, especialmente porque as redes sociais amplificam o alcance de quaisquer notícias, que quando tratam de falsidade, provocam prejuízo difícil de ser mensurado.
Vejo que existe a preocupação com as fake news não só no Brasil como no mundo, diante da criação do “dia internacional da checagem de fatos”, por iniciativa do instituto americano Poynter, ou mesmo diante do debate sobre o grau de influência que as notícias falsas tiveram na eleição do atual presidente dos Estados Unidos.
No Brasil, um pronunciamento recente, proferido pelo atual Presidente do TSE, foi no sentido de que “notícias falsas, fake news, derretem candidaturas legítimas. Uma campanha limpa se faz com a divulgação de virtudes de um candidato sobre o outro, e não com a difusão de atributos negativos pessoais que atingem irresponsavelmente uma candidatura”.
A meu ver, pelo fato de o leitor ter a tendência de preferir notícias que tratem de assuntos essenciais à vida humana, exaltando emoções e provocando debates acalorados, acredito que as notícias falsas gerem mais impacto que notícias verdadeiras, e isto é mais acentuado em áreas como a política e a empresarial, onde as disputas tendem a ser sempre acirradas.
Preferências, medos e paixões são áreas propícias para as fake news, e nestas áreas o leitor não se preocupa em verificar se o assunto da notícia é coerente e verdadeiro, e nem em fazer a checagem prévia antes de compartilhar, o que acaba contribuindo para incendiar a opinião pública, fazendo um boato parecer realidade, e indiretamente, ajudando o autor da noticia falsa a obter os benefícios visados.
Diante desta facilidade de disseminação de notícias sensacionalistas, apelativas e manipuladoras, está nascendo nas redes sociais uma consciência de que é preciso tomar cuidado com determinados perfis, que ou são puramente falsos e operados por pessoas mal intencionadas, ou são operados por robôs programados para espalhá-las.
Hoje, o perfil atual do público que lê notícias nos veículos de comunicação é diferente do que era a 10 anos atrás, pois trata-se de pessoas que acompanham em tempo real os acontecimentos relacionados a seu político, artista ou marca preferidos, e por isto, a checagem da notícia, para saber se é uma fake news, representa uma cautela fundamental para não ser induzido a erro ao ler, e nem para induzir outros ao mesmo erro ao compartilhar.
Embora se trate de um assunto novo, trazido pela evolução dos recursos tecnológicos, processar alguém por fake news é algo possível na atualidade, pois o Código Penal prevê crimes como calúnia, difamação ou injúria, e o Código Civil prevê a responsabilidade por danos materiais ou morais de quem pratica um ato ilícito, onde se enquadra tanto a publicação como o compartilhamento da falsidade.
É necessário achar o equilíbrio entre o direito à “liberdade de expressão”, que se baseia em princípio da Constituição Federal, e a necessidade de reprimir uma notícia fake, pois de maneira direta ela afeta a uma pessoa determinada, ou indiretamente, afeta ao grupo indeterminado de leitores, que tem direito ao conhecimento verdadeiro dos fatos.
Pensando nisto, está tramitando no Senado o Projeto de Lei 473/2017, visando alterar o Código Penal, com acréscimo do artigo 287-A, que prevê o crime denominado “divulgação de notícia falsa” para quem divulgue notícia que saiba ser falsa e que possa distorcer, alterar ou corromper a verdade sobre informações relacionadas à saúde, à segurança pública, à economia nacional, ao processo eleitoral ou que afetem interesse público relevante.
Por fim, diante do grande terreno que ainda precisamos percorrer nesta área, acredito que nós todos, como leitores, quando nos defrontarmos com uma notícia apelativa, sensacionalista, ilógica ou que provoque polêmica, devemos fazer uma análise prévia antes de acreditar naquele conteúdo, e mesmo, devemos verificar nos próprios mecanismos de busca para saber se aquele conteúdo está sendo reproduzido em outros veículos jornalísticos, pois o intuito da matéria pode ser apenas desinformar os leitores, caso em que não podemos compartilhá-la.

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