JORGE NAGAO: O livro da minha vida

O livro que mudou a minha vida Adolescente eu era quando descobri o livro ” O Homem Medíocre”,

do filósofo José Ingenieros, que descreve o tipo humano mais comum. Depois de ler, decidi que jamais seria um cara medíocre.

A originalidade passou a ser minha meta tanto em minhas filosofias mais baratas que tubaína quanto em meus versos de pés quebrados que jamais foram ao pronto-socorro da poesia.

Até hoje, para parecer menos medíocre, uso apenas pequenas chaves para fugirdos chavões. Percorro caminhos alternativos para evitar o lugar comum. E prefiro me calar a proferir frases feitas.

Quando eu não for criativo e ficar quase mudo, então mudo, pra não ficar mudo, tome meus blá-blá-blá. Imprevisível e distante da obviedade, já tive os meus quinze minutos e quinze segundos de fama e até hoje os meus escritos ainda me proporcionam um pouco de prestígio e chokito.

Recomendo a leitura de “O Homem Medíocre” que certamente fará muito bem a você e à sua carreira. Procure no site da iconeeditora.com.br ou no www.estantevirtual.com.br.

Eis um trecho da resenha do poeta e professor Francisco Valdo de Albuquerque, publicado no sinopseliterária.blogspot.com.br.

O medíocre e o invejoso, segundo Ingenieros

Acabei de ler ” O homem medíocre” do escritor ítalo-argentino, José Ingenieros. Um livro fantástico, publicado pela primeira vez em Madri em 1913. Embora tenha mais de um século, esse livro continua atual, pois Ingenieros escreveu sobre homens e mulheres sem ideais, pragmáticos, perdidos numa rotina rasa e automática.

Para Ingenieros o homem medíocre é aquele cuja ausência de caracteres pessoais impede que se possa distinguir entre o mesmo e a sociedade, vivendo sem que se note sua existência individual, permitindo que a sociedade pense e deseje por ele.

O homem medíocre é sinônimo de homem domesticado, se alinhando com exatidão às filas do convencionalismo social. A opinião dos outros é o que importa, são os escravos das sombras, vivem para o fantasma que projetam na opinião de seus similares. Porque pensam sempre com a cabeça social e não com a própria, são a escora mais firme de todos os preconceitos políticos, religiosos, morais e sociais.

O homem medíocre associa-se aos milhares para oprimir os que não comungam com a sua rotina.

Para Ingenieros, sem unidade moral não há gênio. Certamente não é gênio aquele que prega a verdade e transige com a mentira; aquele que prega a justiça e não é justo; aquele que prega a piedade e é cruel; aquele que prega a lealdade e atraiçoa; aquele que prega o caráter e é servil; aquele que prega a dignidade e rasteja.

E leia agora um extrato do livro de Ingenieros

“Nesses homens, imunes da paixão da verdade, supremo ideal a que pensadores e filósofos sacrificaram a sua vida, não cabem impulsos de perfeição. Suas inteligências são como as águas mortas: povoam-se de germes nocivos e acabam apodrecendo. Aquele que não cultiva a sua mente, vai direto no sentido da desagregação da sua personalidade. Não desbastar a própria ignorância, é como perecer em vida. As terras férteis tornam-se más, quando não são cultivadas; os espíritos rotineiros povoam-se de opiniões que os escravizam.”

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