JORGE NAGAO: METRÔUBLE

METRÔUBLE

Eliete entra na
estação
Esperança,
e espera
espera

Ela embarca
empurrada
espantada
emburrada
ensardinhada

Eliete emudece
e conta até dez
e esquece
o escárnio
e em frente vai

Eliete é você
ele ou eu
Da estação
saímos, ninguém
está são.

CPTM, Metrô,
eh, vida de gado,
como Chaplin mostrou.
Obrigado a viajar assim,
obrigado, governador.

Comunicação

Como o Messi se comunica? – Via Messinger.
E as baratas?
– Via Embaratel.
E o carioca com o paulista? Via Dutra.E o shampu? In box

Supermercado ou igreja?

Disse o empacotador entregando-me a sacola:
– Obrigado, senhor.
Respondi:
– O Senhor esteja convosco.
A caixa completou:
– Amém!
Com a graça alcançada, rimos.

POETO

Je suis poeto para deixar a palavra poeta para as poetas. Como diz Leila Diniz, ops, Leila Míccolis: “poeta, porque em poetisa todo mundo pisa.”

Desisti do verbo poetar porque parece autos satisfação(?) e também do poesiar que parece criança conjugando o verbo prosear.

Então, fico com poemar: poemo, poemas, poema, poemamos, poemais, poemam.

Há algum poeto por aí?

PESCANDO

Fui pescar poemas
no rio dos sonhos.
Saí, à noitinha,
com minhocas à beça,
na cabeça.

Sentei no barranco,
lancei a isca-lira
e fiquei alí,
até que adormeci.

Poeta-pescador
não mente não.
A pescaria fracassou
nisso não sou bom.

Nenhum verso, pesquei.
Dístico, nenhum pequeno.
Haicai?, muito menos,
Quadrinha? Dancei!

Voltarei a pescar
de novo, sem mágoa,
Quando o rio, irmão,
tiver muita água
e peixe-inspiração.

PORREAMOR

I love cachaça and beer.
I drink whisky e café
De vez em coando.

Eu bebo gin e tô vivendo
Tem gente q não Domecq
E tá em coma
E não beba.

Desculpa
Por esta mé a culpa.
E viva Salinas
Espírito de Minas
E Vivina
E Piracicaba
Que eu adoro tanto.

Depois do dia 31,
Não bebo mais.

Nem menos.
O mesmo tanto.
Bar dose bar.

Bróder
Beba com mother,
Com demoracao,
Digo, moderação,
Mesmo que seja corno
Porque, … de bêbado,
não tem dono.
Pronto, falhei.

Hic!

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