JORGE NAGAO: Bendita música

“ Sem a música, a vida seria um erro.”
(F. Nitzche)

Diante dessa triste conjuntura política pós golpe, cada vez mais esqueço o noticiário e ouço música.
Cada música tem a sua história, nos remete à uma época, traz lembranças do cantor, cantoa ou banda. A mente viaja atento à melodia/harmonia e arranjo, e o coração bate feliz.
Falando em viagem, na estrada de Santos ou no interior, a música é a melhor companhia. Cantando ou simplesmente curtindo a nossa rica MPB, as viagens que seriam monótonas tornam-se agradáveis.
Agora, por exemplo, estou ouvindo “O barquinho”, de Menescal e Bôscoli. Esta alegre canção nasceu de um quase tragédia. Nara e Menescal estavam num pequeno barco quando um forte vento levou-os para bem longe da costa para desespero deles. Por sorte, foram resgatados por uma embarcação maior. “ Estávamos indo para a África”- revelou Nara. Após contar o incidente ao parceiro Bôscoli, nasceu “o barquinho vai, a tardinha cai”.
Desde a infância, ouço rádio especialmente música. Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, Brega, dor de cotovelo, caipira, enfim todos os gêneros.
Obrigado, Chico, Caetano, Gil, Beatles, Martinho, Simonal, Roberto e Erasmo, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Adoniran, impossível citar todos que fazem parte da trilha sonora da minha casa, minha vida.
Nos anos de chumbo, com nossos ídolos no exílio, a música estrangeira dominou a programação das rádios. Decorei muitas letras em Inglês/Espanhol/Italiano sem saber o que estava cantando. E tome “There’s kind of rush, McArthur Park, If, Without you e outras maravilhas inesquecíveis.
Benditas músicas como “Apesar de você e Vai passar que eram uma verdadeira catarse para suportar aqueles anos de chumbo. Como estamos precisando para combater esses tempos de trevas que vivemos hoje. Ah, tem o belo disco Caravanas do Chico, mas é preciso mais Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro.
Nos anos 80, fiz muitas paródias que estão em meu Pacote Bancário, esgotado como autor. Veja essa, Feliz ano novo(79): “Adeus AI-5/ Feliz ano novo!/ Queremos Democracia/ no ano que vai nascer/ Muito respeito ao povo/por quem estiver no poder/// Para os cassados plena anistia/ Nenhum exilado punido/ Para os banidos nenhuma “fria”/ Paz a um Brasil renascido”. A atriz Ruth Escobar a divulgou em seu teatro.
Quem não gosta de Sampa bom sujeito não é. De Sampa, de Alegria alegria, de Soy loco por ti América, Domingo no Parque e outras pérolas da dupla Cae e Gil.
Agora, na NET Música, anos 60, está tocando “Mamãe passou açúcar ni mim”, como não sorrir ouvindo este sucesso do Simonal. Hoje, sessentão, ouvindo os hits dos anos 60, fico impressionado ao constatar como lembro daquelas canções. “ Io que non vivo senza te, Monday Monday, do The Mamas & The Papas, esses hits me fazem Happy together/The Turtles porque me transportam para aqueles anos dourados. Assinado, Jorge, in my mind.
Se você está quase deprê por causa da sujeira na política, faça como eu, tome um banho de música.
Desculpe, mas agora eu tenho que ir embora.

Bye, bye, bye!

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